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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação Individual da Acção nº6

 

“(…) é obvio que todos os alunos em risco, assim como aqueles que são portadores de deficiência deveriam ser encaminhados para planos de formação dentro das próprias escolas”

 

 

Devo, em primeiro lugar, dizer que foi com agrado que vi surgir esta acção de formação “Formação pessoal e preparação para a vida activa” pois há quatro anos que estou ligada a alunos com N.E.E embora não seja especializada.

É uma realidade que a segregação destes alunos existe, mas penso que já vai sendo feito um esforço por parte das escolas para que  estes sejam integrados nas escolas regulares.

Há um caminho muito grande a percorrer. Há que mudar mentalidades.

E quando digo isto não me refiro só aos responsáveis pelas escolas, falo também em professores em encarregados de educação e em alunos. É verdade. Existem crianças e pré-adolescentes que olham de forma diferente para estes colegas, e às vezes conseguem ser cruéis. Mas há sobretudo que mudar a sociedade e faze-la entender que apesar de diferentes são pessoas, e que como pessoas merecem as mesmas oportunidades para  demonstrarem aquilo de que são capazes. É preciso ter coragem para tomar o primeiro passo.

Nesta minha experiência (por vezes frustrante mas muito  gratificante quando se consegue uma pequena vitória)  tenho visto evoluir o processo de ensino/aprendizagem no que diz respeito a estes alunos.

Neste momento, e na Região Autónoma dos Açores, existe legislação própria para a integração de aluno com N.E.E..

Na minha escola, EBS de Velas, estão integradas nas escolas regulares turmas denominadas Uneca –Unidades Especializadas de Currículo Alternativo. São turmas destinadas a alunos com dificuldades acentuadas de aprendizagem, muitos deles com deficiências.  É o caso da minha turma que também é denominada de Utva, ou seja Unidade de Transição para a Vida Activa. Frequentam esta turma  sete alunos com idades compreendidas entre os  onze e os dezasseis anos, todos eles portadores de deficiência mental (de diferente grau) e ainda uma aluna portadora de trissomia 21. É de referir que duas das alunas vivem numa Instituição de Acolhimento.

Estes alunos partilham com os restantes colegas “normais” as instalações da escola, pertencendo a uma das turmas da mesma. A diferença está na sala, que embora  no meio de todas as outras tem condições especiais. A nossa sala tem uma cozinha equipada, tem um espaço  destinado a trabalhos manuais, tem uma máquina de costura e equipamento para engomar roupa e um espaço próprio para aprendizagens na áreas de Língua Portuguesa, Matemática, Estudo do Meio. Do horário destes alunos também faz parte a Educação Física, a Educação Musical e a Educação Moral. No ano lectivo passado também foi criado um espaço destinado a uma horta.

Considero que temos reunidas condições mínimas para fazer um despiste vocacional de cada aluno, despiste esse que vai acontecendo à medida que vamos conhecendo os alunos e que os alunos vão-nos conhecendo a nós, razão pela qual a equipa de professores tem-se mantido a mesma. Desta equipa faz parte a psicóloga do SPO da escola.

Nesta turma realizam-se trabalhos diferentes. Colaboramos com vários serviços para a escola como por exemplo o simples engomar de toalhas para o refeitório, costumamos contribuir com diversos trabalhos manuais para diferentes acontecimentos escolares.

Uma das alunas desta turma, durante o ano lectivo passado, “trabalhou” como ajudante no bar da escola, tendo contado para isso com a ajuda das auxiliares que lá trabalham.

Este ano, duas alunas estão a  realizar uma componente prática numa instituição  exterior à escola.  As alunas tem um horário a cumprir na instituição e na escola. Na instituição realizam diferentes actividades nas áreas da cozinha, lavandaria e manutenção/limpeza. No fim de cada período lectivo é feita uma avaliação  pela responsável  pela integração destas raparigas dentro da instituição.

Espera-se que no fim do ano lectivo esta  iniciativa produza  frutos e que se consiga a sua integração no mercado de trabalho. É aqui que começa a segunda etapa: Desmistificar  perante a Sociedade  a ideia de que todos os deficientes são incapazes de desenvolver uma actividade laboral.

Será que a Sociedade está preparada para esta nova etapa? Cabe-nos a todos nós reflectir e talvez dar o primeiro passo.

Autoria: Prof. Márcia Azevedo

Data: Abril de 2007