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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação Individual da Acção nº6

 “O risco de uma formação que contemple alunos com necessidades educativas especiais não é assumido pela sociedade”

 

A problemática da deficiência reflecte a evolução sócio económica de uma comunidade. Ao longo da história os estigmas foram sofrendo diversas modificações. O direito à igualdade de oportunidades educacionais é o resultado de uma longa luta histórica pelos direitos humanos, que obviamente, terá ainda algum caminho a percorrer.

O conceito de Necessidades Educativas Especiais (NEE), traz consigo uma mudança na perspectiva do atendimento em Ensino Especial. Dar resposta a toda a gama de NEE na classe do ensino regular representa um grande passo num processo de alargamento do ensino, orientado para capacidades diversificadas.

Ultimamente tem-se verificado uma certa preocupação, por parte das Instituições Escolares, no sentido de terem em consideração as diferenças individuais, mas na verdade, não conseguiram ainda alcançar grandes resultados. Quando se trata de crianças com algumas características diferentes, o problema torna-se ainda mais complexo. A sua integração nas turmas comuns, que têm um programa mais ou menos rígido para cumprir e que, muitas vezes, são orientados por educadores que não possuem a devida preparação/formação/sensibilização, não podem proporcionar um acompanhamento especial, pois existe o conceito de que a sua “missão” está orientada para acompanhar a maioria, desresponsabilizando-se perante os insucesso desses alunos.

É um facto que nos últimos anos se criou um ambiente muito mais favorável à integração, mas ainda estamos muito distantes de uma efectiva inclusão. É obvio que o grau de empenhamento e competência de todos os docentes, são determinantes no sucesso ou insucesso destes alunos, mas também a desresponsabilização e desorganização do Estado nesta matéria é um facto.

Na conjuntura actual, e numa época marcada pelo desemprego e pelas dificuldades económicas, torna-se fundamental que a escola desempenhe um papel activo na transição dos jovens com necessidades educativas especiais para o mercado de trabalho, porém surgem muitos obstáculos nesta inserção.

A desarticulação dos serviços continua a ser uma realidade. A fraca sensibilidade do tecido empresarial português, e os poucos incentivos estatais tornam ainda mais difícil esta integração.

Preparar um jovem num espaço fechado, com contactos restringidos a um ou dois técnicos que com ele estão relacionados, cujo acesso ao mercado de trabalho se faz numa fase terminal da sua formação, obviamente que traz consequências pouco positivas e duradouras.

Todos sabemos, que actualmente os jovens deficientes não têm dentro da política actual da educação especial muitas opções: ou alguém se interessa e os encaminha para os Centros de Formação Profissional, quando existem e as suas potencialidades assim o permitem ou vão para uma Instituição Particular ou, como acontece em grande percentagem, para casa.

Assim se explica, que exista uma tão grande discrepância entre a qualidade da intervenção entre escolas, estando todas elas sujeitas às mesmas medidas legais e ao mesmo tipo de apoio e de constrangimentos.

Estes condicionalismos são hoje enormes porque a integração na escola é um caminho sem futuro, dado não estarem ainda criadas condições e soluções, de continuidade no exterior.

Nesta perspectiva e caracterizando-se a saída da escola como problemática para todos os alunos, obviamente que é em maior escala para os alunos com deficiência, será necessário um trabalho conjunto que envolva todos os técnicos nas áreas da saúde, psicologia, serviços sociais, agentes empregadores, estado, etc, constituindo-se desta forma uma Equipa com uma pluralidade de serviços e assente em bases legalmente estabelecidas, permitindo uma avaliação mais abrangente e consequentemente um maior rigor no processo de tomada de decisões.

A par de todas as medidas a implementar, é condição primordial para a qualidade da intervenção pedagógica apostar na formação dos agentes educativos.

Uma importância fundamental poderão ter os Centros de Formação Profissional e as Empresas que em ligação com as Escolas deverão preparar os jovens para enfrentar a problemática do emprego de forma mais consciente.

Cabe à escola assegurar, além da realização pessoal e social do aluno, o êxito da sua inserção no mercado de trabalho.

Hoje as pessoas com deficiência têm direito á integração escolar, económica, cultural e social. Assim o Estado e a Sociedade devem proporcionar-lhes condições de modo a que se sintam em igualdade de oportunidades

 

“Não basta afirmar que possuímos a legislação mais avançada da Comunidade Europeia. Importa mais do que isso encontrar caminhos facilitadores da plena integração sócio-profissional das pessoas com NEE, ultrapassando preconceitos sociais e minorando os efeitos de competitividade”

 

 

Autoria: Maria da Luz Dias (Professora)

Data: 20/04/07