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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação Individual da Acção nº3

1ª Temática

Adaptações Curriculares

 

Há relativamente pouco tempo, “Ana”, uma jovem, falou-me do seu desejo de fazer o 12º Ano. “Ana” nasceu cega e frequentou sempre “ a escola para todos”, ou seja, a dita escola inclusiva, mas tem apenas o 10º ano de escolaridade. “Ana” contou-me que o seu percurso escolar não foi fácil devido à sua deficiência e à falta de apoio por parte da escola. Desistiu do seu sonho de continuar a estudar quando, perante as dificuldades que começou a sentir ao iniciar o 11º ano, os professores lhe disseram que iria ser muito difícil ela conseguir fazer algumas disciplinas devido à falta de bases não adquiridas nos anos lectivos anteriores. “Ana” sabia que lhe haviam sido feitas “adaptações curriculares” durante esses anos e sentia-se revoltada por considerar que aquela medida a devia ter ajudado e não impedido de continuar a ter sucesso escolar.

“Ana” foi aluna da “escola para todos”, a escola que pressupõe a gestão curricular flexível que permite ajustar o currículo nacional ao contexto de cada escola, de cada turma e de cada aluno em particular. Flexibilizar o currículo não é ficar preso a conteúdos predefinidos, a ritmos e estilos de aprendizagem rígidos, mas sim adaptar os conteúdos, ritmos e estilos de aprendizagem às condições concretas de cada grupo de alunos ou a cada aluno individualmente. A aprendizagem acontece quando os discentes estão activamente envolvidos na construção do sentido que para eles têm as suas próprias experiências, num quadro comum de actividades e objectivos, pois como diz o provérbio chinês: “Diz-me e eu esquecerei, ensina-me e eu lembrar-me-ei, envolve-me e eu aprenderei.”

“Ana”, como tantas outras “Anas” que frequentam actualmente o nosso sistema de ensino, foi uma aluna com Nee’s de carácter prolongado. As adaptações curriculares para estes alunos devem ter em conta as suas capacidades, o seu potencial e grau de desenvolvimento em vez de se centralizarem nas suas deficiências e/ou limitações. Por outro lado, devem partir sempre de um menor para um maior afastamento do currículo comum, isto é, de adaptações ligeiras em termos de organização e disposição do espaço, passando por adequações ao nível das estratégias e actividades a desenvolver, dos recursos educativos, dos momentos, formas e critérios de avaliação a utilizar e a estruturação do tempo dedicado às aprendizagens antes de chegar às adequações mais profundas ao nível dos objectivos e conteúdos que implicam alterações significativas no currículo comum, podendo traduzir-se na introdução de outros objectivos e conteúdos, tornando-se, por vezes, necessário recorrer a outro tipo de currículo, nomeadamente ao designado “currículo alternativo” conforme a alínea i) do DL 319/91 de 23 de Agosto.

É importante que cada um de nós não esqueça que as adaptações curriculares não significativas não devem prejudicar o cumprimento dos objectivos gerais do Ciclo nem a aquisição das competências essenciais de que o aluno necessita para cumprir com sucesso o seu percurso escolar.

Só assim poderemos ajudar as “Anas” que nos vão aparecendo nas turmas que todos os anos leccionamos. 

Autoria: Paula Silva (Professora)

Data: Janeiro de 2007

 

Avaliação Individual da Acção nº3

Muito se tem discutido os benefícios e as barreiras da inclusão e o que significa incluir, de um modo significativo, crianças com NEE. Este debate centra-se quer nos direitos de inclusão, que nos apoios e nos serviços que são necessários para que a inclusão tenha êxito. Embora acredite que o direito à inclusão se tornou universalmente mais aceite, ainda estamos muito longe de entender completamente como incluir com sucesso e de forma significativa as crianças com NEE.
O Projecto curricular de turma representa um passo importante em direcção a esse entendimento. É nosso desejo que os professores usem este instrumento de trabalho para melhorarem a qualidade e quantidade do ensino especial prestado nas salas de aulas e que a consequente melhoria do mesmo tenha um impacto positivo no desenvolvimento das crianças com NEE.
        
Autoria: Alice Alves (Professora)
Data: Janeiro de 2007

Avaliação Individual da Acção nº3

 2ª temática – Projecto Curricular de Turma

 

 

Comentário

 

 

Longe está o tempo em que a uniformidade e a rigidez do currículo se dirigia a um grupo restrito de alunos social e culturalmente semelhantes para quem a utilidade da educação escolar era única e estava bem definida. A mudança na realidade actual implica repensar o currículo – “o que se quer fazer aprender” – como algo necessariamente diferenciado, uma vez que na sociedade de educação para todos, a escola destina-se a alunos cada vez mais heterógeneos cultural e socialmente.

Para que a aprendizagem ocorra de modo satisfatório para todos, procurando dar respostas adequadas às diversas necessidades e características de cada aluno, grupo de alunos ou escola e para que a escola não contribua para um agravamento dos níveis de exclusão social, são necessárias algumas mudanças, nomeadamente:

- na diferenciação das propostas curriculares articuladas em torno de metas comuns;

- no enfoque na aquisição de níveis de competências nos domínios abrangidos pela aprendizagem escolar;

- na aplicação de práticas curriculares em referentes e contextos significativos para todos os que frequentam a turma, a escola;

- na reconstrução do currículo como projecto específico de cada escola, de cada turma;

- na flexibilização ao nível dos percursos individuais, dos ritmos e dos modos de organização do trabalho escolar.

É neste contexto que o Projecto Curricular de Turma se torna o elemento central da gestão do currículo.

 

 

Autoria: Paulo Borges (Professor)

Data: Janeiro de 2007

Avaliação Individual da Acção nº3

Projecto Curricular de Turma

 

Antes de abordar o tema: Projecto Curricular de Turma, é importante perceber um outro: “currículo”  .

O termo “currículo” apresenta uma grande diversidade de abordagens teóricas muito amplas. Entende-se por currículo escolar aquilo que se espera fazer aprender na escola de acordo com o que se considera relevante e necessário na sociedade num dado tempo e contexto, tendo em atenção factores como a sociedade, particularmente a heterogeneidade cultural e social.

         Com a reorganização curricular, o conceito de currículo sofreu alterações, passando a ser identificado, por um lado como um conjunto de orientações estabelecidas pelas autoridades educativas e por outro associado ao modo como o professor orienta e organiza efectivamente o processo de ensino aprendizagem e as tarefas que propõe aos seus alunos.

Desta forma, no Decreto-Lei nº 6/2001 de 18 de Janeiro, pode-se constatar que o currículo nacional é um conjunto de aprendizagens e competências, que integra os conhecimentos, as capacidades, as atitudes e os valores, a desenvolver pelos alunos ao longo do Ensino Básico.

         Assim sendo, a própria noção de Projecto Curricular de Turma integra a procura de requisitos adequados às diversas necessidades e características de cada aluno, grupo de alunos, escola ou região. O conceito de projecto curricular parte, por isso mesmo, da crença de que a reconstrução do currículo nacional tem mais probabilidades de gerar intervenções educativas eficazes. Levando em consideração cada situação real, definindo opções e intencionalidades próprias e construindo modos específicos de organização e gestão curricular, adequados à construção das aprendizagens que integrem o currículo para os alunos concretos daquele contexto.

 Assim sendo, e na minha opinião, existem vários “tipos” de Projecto Curricular de Turma.

O Projecto Curricular de Turma formal (também conhecido por preescrito, oficial, explicito, instituído) é um plano de acção pedagógica, fundamentado e implementado num sistema tecnológico. Inclui um conjunto de conteúdos a ensinar, distribuídos ordenadamente por disciplinas, temas e áreas de estudo.

O Projecto Curricular de Turma informal (também conhecido por real, operacional, experencial ou instituinte) é um sistema dinâmico, probabilístico, não obedecendo a uma estrutura pré- determinada, ou seja, conjunto de actividades realizadas pelo professor dentro e fora da escola – experiências educativas. É aqui que o professor “mostra o que vale” consoante as actividades, as estratégias que utiliza.

O Projecto Curricular de Turma oculto é uma actuação que não está planificada mas que sai de um modo natural na interacção professores/alunos; surge naturalmente no bom e no mau sentido.

         É preciso atribuir à escola, aos professores e aos seus órgãos de coordenação pedagógica uma muito maior autonomia e capacidade de decisão relativamente aos modos de organizar e conduzir os processos de ensino aprendizagem. Pretende-se, pois, pôr as escolas a olhar para o Projecto Curricular de Turma, não como um projecto fixo a cumprir de forma sagrada e uniforme, mas antes como um projecto aberto que é preciso encher de significados e de sentidos em função das necessidades e desafios que o contexto da escola coloca aos professores enquanto profissionais de uma educação de qualidade e consequentemente promotora de sucesso para todos.

         A noção de Projecto Curricular de Turma encontra-se ligada a três pressupostos relacionados entre si:

         - Diferenciação;

         - Adequação;

         - Flexibilização;

         Para que as aprendizagens sejam bem sucedidas, tem que se promover a diferenciação pedagógica, diversificando as estratégias de acordo com as situações. A gestão curricular está relacionada com a responsabilização na procura dos modos adequados a cada situação concreta de modo a que seja possível promover aprendizagens de forma significativa. Todo este processo requer uma flexibilização ao nível dos percursos individuais, dos ritmos e dos modos de organização do trabalho escolar, sendo incompatível com orientações e quadros de actuação rígidos e uniformes.

 

Autoria: Patrícia Barata dos Santos (Professora)

Data: Janeiro de 2007

Avaliação Individual da Acção nº3

 

As adaptações curriculares constituem um conjunto de modificações centradas na adequação de conteúdos, critérios e procedimentos de avaliação, actividades e metodologias para atender às diferenças individuais dos alunos. Contudo há que ter em conta que enquanto para os alunos com NEEP a adaptação curricular assume grande relevância em termos de resposta educativa, para outro tipo de NEE a resposta educativa deverá centrar-se através de medidas Pedagogia diferenciada e diferenciação curricular (com aplicação ou não do despacho-normativo nº50/2005) implementadas no âmbito do projecto curricular de turma.  

 

Autoria: Vitor Furtado (Professor)

Data: Janeiro de 2007

Avaliação Individual da Acção nº2

“ (...) é um grave erro considerar que todos os tipos e graus de deficiência mental formam o mesmo grupo homogéneo... pois pessoas com deficiência mental leve têm mais em comum com os normais do que com os deficientes mentais severos.”

(Rosana Glat)

 

 

Cada pessoa tem as suas características próprias e específicas, isto é a sua individualidade, pelo que falar em grupo homogéneo é um erro. Os diferentes graus e tipos de deficiência mental apresentam características específicas e distintas sendo necessário uma resposta individualizada que vá ao encontro das necessidades educativas de cada criança com DM. Contudo há que ter em conta as capacidades e competências do aluno pois enquanto um aluno com deficiência mental ligeira poderá fazer aprendizagens acompanhando o currículo mediante algumas adaptações um aluno com deficiência mental severa terá que ter sempre um currículo alternativo, incidindo no seu desenvolvimento autónomo e pessoal.

 

Autoria: Alice Furtado (Professora)

Data: Janeiro de 2007

Avaliação Individual da Acção nº3

2ª Temática: Projecto Curricular de Turma

 

 

            Por já ter elaborado o referido documento, compreendo a importância da sua construção e aplicação na dinâmica e organização funcional de uma turma. Ao conter elementos referentes a:

- Características e conhecimento do meio sócio-familiar dos alunos;

- Analise do espaço físico e recursos materiais existentes na sala de aula;

- Elaboração de planificações;

- Estruturação do trabalho semanal;

- Delineação das opções e estratégias pedagógicas;

- Programação de actividades de enriquecimento curricular e visitas de estudo;

- Envolvimento dos pais e da comunidade educativa;

- Momentos de avaliação;

- Registos;

- (...)

permite ao professor estruturar o seu trabalho de forma mais eficaz, dando uma melhor e mais eficiente resposta às necessidades de todos os alunos inseridos na turma, com especial incidência nos alunos portadores de NEE’s. Para além disso, contém a avaliação do docente em relação ao seu próprio trabalho, o que o ajuda a reformular e a implementar novas estratégias, metodologias, actividades, recursos,...

Autoria: Marta Cristina Varela Pereira (Professora)

Data: Janeiro de 2007

 

Avaliação Individual da Acção nº3

Adaptações Curriculares

 

A inclusão de alunos com NEE na escola regular implica a flexibilização do currículo nacional, através de adaptações curriculares para que seja possível atender às necessidades individuais de todos os alunos.

 

As modificações que são necessárias realizar nos diferentes elementos do currículo regular para o ajustar às diferentes situações, grupos e pessoas. devem ter em conta as diferenças entre escolas, turmas e alunos.

 

Dentro de cada turma as adaptações curriculares podem ser classificadas de acordo com as características dos alunos a que se destinam:

  • adaptações curriculares específicas gerais, realizadas para todos os alunos da turma;
  • adaptações curriculares específicas para os alunos com NEE, enquanto grupo diferenciado;
  • adaptações curriculares individualizadas, destinadas aos alunos que necessitam de uma adequação especial.

 

As adaptações curriculares constituem um conjunto de modificações que se realizam nos objectivos, conteúdos, critérios e procedimentos de avaliação, actividades e metodologias para atender às diferenças individuais dos alunos.

 

A Educação Inclusiva, entendida sob a dimensão curricular, significa que o aluno com necessidades especiais deve fazer parte da classe regular, aprendendo as mesmas coisas que os outros – mesmo que de modos diferentes – cabendo ao professor fazer as necessárias adaptações (UNESCO, s/d).

As adaptações curriculares visam criar condições de promoção do sucesso escolar educativo a todos os alunos.

Autoria: Isabel Brás (Professora)

Data: Janeiro de 2007

Avaliação Individual da Acção nº3

Adaptações Curriculares

 

Baseio o meu comentário principalmente numa citação de Correia (Correia, 1999: 105), referindo que “é possível realizar com êxito a integração de crianças com necessidades educativas especiais nas classes regulares, introduzindo adaptações curriculares ao alcance de qualquer professor (…)”. Confesso que tenho pouca experiência educativa, mas durante o meu estágio académico, dei apoio a crianças com dificuldades de aprendizagem e havia em particular uma, com um nível cognitivo baixo, com sérias dificuldades de aprendizagem, que estava ao abrigo do Decreto nº 319/91 e incluída nas classes regulares. Não imaginam a alegria com que esse aluno me recebia quando o ia buscar à aula de inglês, pois segundo o próprio não estava a perceber nada (note-se que este aluno tinha 13 anos e quando comecei a trabalhar com ele só lia palavras de duas sílabas e com muita dificuldade).

Não haja dúvida de que a inclusão é importante para que nenhuma criança se sinta posta de parte, mas na minha modesta opinião, julgo que mais significativo do que incluir a criança, é sim a criança sentir-se incluída.

 

 Autoria: Fabíola Alves (Técnica Superior de Educação)

 Data: Janeiro de 2007

Avaliação Individual da Acção nº3

Adaptações Curriculares

 

Olá. Eu sou o Roberto e tenho 8 anos. A minha escola é muito grande e eu frequento o 4.º ano. Por vezes, não consigo acompanhar os meus colegas… Trago para casa muitos erros nos ditados e por vezes até tenho negativa nas fichas. Ouvi dizer, há uns anos, que não passaria de classe. Fiquei muito triste porque, desse modo, não poderia acompanhar os meus amigos… A professora resolveu deixar-me frequentar o 2.º ano e desde então ouço dizer que tenho passado os anos sempre “por baixo da carteira”. Não sei o que isso poderá querer dizer…

A minha mãe preocupa-se. Conseguiu encontrar uma explicadora para mim! Ela ajuda-me a fazer os trabalhos de casa, ensina-me a estudar para as avaliações e faz muitos jogos comigo… Estou a esforçar-me muito!

Tenho pena de que esta seja a minha única ajuda. Penso, às vezes, que poderia fazer uma ficha diferente da dos meus colegas ou ter mais tempo para resolver aquela que a professora nos dá. Se me dessem outras oportunidades, estou certo de que poderia fazer melhor e acompanhar a turma. Sonho em ter boas notas e poder dar mais alegrias à minha mãe e à minha explicadora.

Esta “história” é baseada num caso real. Achei por bem assim retratá-la para expressar a minha opinião. Sabendo que bastam ligeiras alterações ao Currículo Regular e que existem excepções para as quais as AC são a única forma dos alunos com NEE acompanharem a turma, entendo que deve ser feito um esforço da parte de todos os intervenientes no processo educativo, para que estas crianças tenham sucesso e a inclusão seja uma realidade funcional.

 

Autoria: Sara Isabel Mota (Técnica Superior de Educação)

Data: Janeiro de 2007

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