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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação Individual da Acção - Formação Pessoal e Preparação para a Vida Activa

“As escolas deveriam munir-se de recursos que permitissem uma formação sustentada a todos os alunos incluindo aqueles que têm NEE .”
                                                                              (Francisco F . Lemos 1999)


Cada aluno com Necessidades Educativas Especiais é um ser único, com comportamento pessoal e social muito variável, necessitando de uma resposta individualizada que vá ao encontro das suas necessidades educativas, com estratégias e metodologias diferenciadas.

É necessário considerar as suas potencialidades individuais e criar situações positivas de aprendizagem nos aspectos sociais e afectivos.   

Muitos alunos requerem um currículo alternativo que responda de imediato às suas necessidades e constitua a base para o desenvolvimento das suas capacidades funcionais no futuro. Deverá ainda a escola, em conjunto com a família, planear e organizar a inserção na vida adulta em função das capacidades e necessidades de cada aluno, de forma a garantir a sua qualidade de vida. Para tal, poderão ser estabelecidas parcerias entre vários serviços de modo a concretizar o projecto de vida estabelecido para o aluno. A transição poderá ser para uma actividade profissional, se possível, ou para uma ocupacional.

A nova legislação para a Educação Especial (Decreto-Lei 3/2008 de 7 de Janeiro), introduz alterações positivas neste aspecto. Prevê um Plano Individual de Transição, que deve complementar o Programa Educativo Individual, no caso dos jovens cujas necessidades educativas especiais os impeçam de adquirir as aprendizagens e competências definidas no currículo comum.

Autoria: Anabela Lourenço (Professora)

Data: Fevereiro de 2008

Avaliação Individual da Acção - Formação Pessoal e Preparação para a Vida Activa

 “ (...) é óbvio que todos os alunos em risco, assim como aqueles que são portadores de deficiência deveriam ser encaminhados para planos de formação dentro das próprias escolas.”

(Rosa Marques Monteiro 2006)

 

A educação das crianças sob o ponto de vista académico, tem sido alvo de teorizações e debates que se prolongam ao longo dos tempos. As temáticas são variáveis, consoante a linha de pensamento de quem as profere ou outros factores que as condicionam.

 
Assism sendo, desde algum tempo, o acervo em relação às questões relacionadas com a educação de crianças com Necessidades Educativas Especiais, tem sido um tema alvo de grande discussão.

 Como profissional que desenvolve a sua acção no âmbito da educação, e tentando ser breve na minha exposição, verifico que o próprio debate que se desenrola acerca da educação de crianças com N.E.E. afecta o modo como olhamos para esta esfera educativa e como agir perante estes alunos que requerem, sem sombra de dúvida, uma atenção redobrada na sala de aula.

Neste contexto, as políticas educativas aplicadas a esta dimensão educativa, nem sempre são claras e integradoras das diversas teorias que se proclamam no momento. E desculpem-me a falta modéstia: nem eu esperaria tal!

A dimensão política rege-se por cânones totalmente dispare dos da educação ou qualquer outro domínio. São mundos diferenciados que o pouco que têm em comum é a subordinação de um em relação ao outro. E se de facto tal acontece, não nos devemos estranhar da falta de coerência nas opções governativas, dado que estas não nos confiam o garante de práticas educativas adequadas a um determinado vector educativo.

No caso específico dos Açores, verifico que em determinados aspectos somos pioneiros na aplicação de medidas do foro educativo que presentemente são adoptadas pelo território continental (abordo esta questão com total desconhecimento do modo de funcionamento da educação na Madeira).

Por esse facto, compreendo o clima de desconfiança e de descontamento que a legislação em vigor manifestou junto da comunidade educativa em Portugal Continental.
Na
minha região aconteceu o mesmo e sempre que se renovam pesados termos e leis que induzem a pensamentos negativistas face à educação e nos conduzem para o abismo do descontentamento, repetem-se os factos.

 Cingindo-me ao conteúdo da frase. É óbvio que os alunos com N.E.E. serão encaminhados para planos de formação específicos no seio da sua própria escola. Assim como aqueles que são designados de “alunos em risco”.

Digo isto porque apesar do desnorteamento que muitos profissionais poderão sentir, estes farão o possível para que tal aconteça e mesmo que se julgue que estão “contra a corrente”, penso que talvez se deva ao facto de adequarem as regulamentações ao contexto no qual se insere essa determinada comunidade escolar.
Na minha humilde opinião, temos de ser positivos e esperar de nós próprios acção. Os entraves que sentimos nunca derrubaram a nossa profissão, antes pelo contrário: dignificam-na!


Nas escolas açorianas, as crianças com N.E.E., apenas aquelas que não dependem em exclusivo de cuidados médicos permanentes (mas para essas podem sempre recorrer a outros serviços) e os jovens “em risco”, integram-se nas salas de aula e com currículos adaptados aos mesmos.

Parte-se de uma colectividade: o currículo nacional, para uma particularidade: adequar aos que necessitem o veiculado nos currículos.

 É evidente que há práticas que vão ao pleno encontro das especificidades destas crianças, outras poderão desvirtuar-se do seu verdadeiro significado. Mas ambas decorrem sem qualquer acção directa da esfera política, apenas são por ela suportadas.

Em suma, adoptar uma política verdadeiramente integradora é aceitar que alunos com N.E.E. e os grupos de risco se integrem com a especificação de planos de acção a desenvolver para os mesmos.

 

Autoria: Luís Lopes (Professor)

Data: Fevereiro de 2008

 

Avaliação Final da Acção - A importância das actividades aquáticas para as crianças e jovens com nee

O grupo das necessidades educativas especiais (NEE) é muito vasto. Nunca podemos esquecer que, nesta área, “cada caso é um caso”, logo, para cada aluno, a planificação e o modo de interacção dependem das características do aluno, do seu perfil, das suas capacidades e limitações.

No entanto existem alguns exercícios para actividades aquáticas que poderão servir de iniciação para os jovens com NEE.

O ideal será, numa 1ª fase, o trabalho personalizado, preferencialmente 1 técnico para 1 aluno ou grupos muito reduzidos, numa 1ª fase, para que o instrutor dote a criança de habilidades suficientes que lhe permitam estar dentro de água (um meio inicialmente estranho) em segurança.

1)     Levar o aluno, com o auxílio do instrutor, a percorrer todos os lados da piscina, dentro de água. O aluno desloca-se em pé, dentro de água, agarrado ao cais da piscina. Objectivo: conhecer as dimensões da piscina, desmistificar o tamanho e as distâncias da piscina e ter noção das diferentes profundidades (acompanhado da explicação das zonas “proibidas”)

2)     Adaptação ao meio aquático - Dentro de água: coordenação da respiração

a.     Soprar fora de água uma bola de ping-pong, ou outro objecto que a criança goste e dizer ao aluno que deve mover a bola, apenas através da respiração. Pedir ao aluno para soprar. Variante: fazer o mesmo exercício mas com um percurso pré-definido com a bola (situação mais lúdica)

Objectivo: Controlo da respiração fora de água: noção da expiração pela boca

b.     Soprar fora de água (movimento de expiração, pela boca) e fazer “bolhinhas de água”: 1º fora de água, 2º emerge apenas a boca, mantendo o contacto com o instrutor

c.     De mãos dadas com o instrutor, frente a frente, encher bem o peito de ar fora de água e emergir e deitar o ar todo, pela boca.

d.     Com as mãos no cais da piscina, fazer a inspiração fora de água e emergir a cabeça, tirando todo o ar, através da boca

e.     Actividades lúdicas que melhorem a respiração no meio aquático: ir buscar objectos, de cor garrida, dentro de água; sentar no chão da piscina; emergir com o instrutor e observar o que ele está a fazer debaixo de água (exemplos: abrir a boca, bater palmas, esconder as orelhas…)

Deve ter-se em conta o reforço positivo e tentar utilizar situações lúdicas, uma vez que é mais fácil “aprender brincando”.

 

Autoria: Maria João Campos (Professora)

Data: Janeiro de 2008

 

Avaliação Individual da Acção - Formação Pessoal e Preparação para a Vida Activa

“As escolas deveriam munir-se de recursos que permitissem uma formação sustentada a todos os alunos incluindo aqueles que têm nee.”

(Francisco F. Lemos 1999)

“O risco de uma formação que contemple alunos com nee não é assumido pela sociedade.”

(Arminda Lourenço 2002)

 

 

A problemática da inclusão é um fenómeno relativamente novo na nossa sociedade. Actualmente, o que se verifica no contexto nacional é mais uma integração, na qual estão “colocados” ou “inseridos” todos os alunos no mesmo espaço educativo. No entanto, o âmbito da inclusão é muito mais abrangente e não se limita à partilha do mesmo espaço físico, mas sim do acesso às oportunidades e do conhecimento e das experiências.

Normalmente colocamos a tónica na escassez e inadequação dos recursos materiais e espaciais, mas por vezes negligenciamos a inadequação dos recursos humanos, principalmente dos professores.

Se por um lado, a formação académica universitária dos docentes não parece ser suficiente para dar resposta aos desafios que advém da integração e da tão desejada inclusão, por outro, as atitudes do professor face ao ensino de alunos com nee também em nada ajudam a implementação da filosofia inclusiva. Já vários estudos foram realizados em diferentes países, nos quais os resultados revelam que os professores não se sentem com competência suficiente para incluírem os alunos com deficiência nas suas aulas e uma das razões que apontam para esse facto prende-se com a falta de preparação académica e a falta de formação na área das NEE. Como educador, é fundamental que o professor tenha atitudes positivas que se reflictam em práticas inclusivas nas suas aulas, para que os alunos com e sem deficiência aprendam em conjunto e com êxito.

Penso que esta visão deveria ser melhor explorada, em especial pelos responsáveis pelos programas curriculares universitários, e mesmo do ensino básico, onde as imagens dos livros e  as histórias mostram sempre crianças, adultos e idosos sem deficiência… desde cedo deve introduzir-se a noção da diferença, que há meninos e meninas altos, baixos, magros, gordos, ruivos, morenos, amarelos, brancos, pretos, com e sem óculos, com muletas, com cadeira de rodas, que há jogos para meninos que vêem e que não vêem, que há desportos para pessoas em cadeira de rodas, com deficiência visual, com deficiência intelectual… e por aí adiante… A educação da diferença deve estar presente desde um dos primeiros pilares da socialização, a escola.

Quando se fala em barreiras nas nee remetemo-nos sempre para as barreiras arquitectónicas, mas nunca nos poderemos esquecer que, para a real implementação de práticas inclusivas, a sociedade deve abolir as suas barreiras sociais e psicológicas face à diferença e à deficiência. A sociedade tem de mudar! Mas “sociedade” somos nós, nós devemos assumir a nossa própria (in)formação e não apenas (des)esperar que o estado ou outra entidade providencie as ferramentas para lidarmos com os nossos desafios diários na escola e na vida.

Autoria: Maria João Campos (Professora)

Data: Janeiro de 2008