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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação Individual da Acção - Autismo

Autismo

 

  • Síndrome precoce de tipo ou de aparência psicótica.

 

Caracterização:

 

Ø       Dificuldades graves na comunicação inter-individual

 

Ø       Desejo obsessivo de manter-se em isolamento

 

 

Ø       Linguagem:

v      não se desenvolve convenientemente podendo verificar-se ecolália e mais frequente mutismo

v       sensivelmente só 50% estabelece e utiliza a linguagem como comunicação

v      incompreensão da linguagem falada

 

Ø       Visão:

v      Essencialmente periférica, imprecisa para detalhes mas muito sensível ao movimento

v      olhar rápido ( esforço para ver melhor)

v      vê melhor com o objecto em movimento : a alteração perceptiva consiste na dificuldade de interpretação de informação visual proveniente da parte central da retina.

Ø       Audição:

v      manifestação de sofrimento causado por ruídos intensos

v      prazer e interesse pela audição de pequenos ruídos

 

Ø       Integração perceptiva:

v      utilizam sobretudo a sensibilidade táctil, o paladar e o olfacto

v      não utilizam convenientemente dados receptores à distância (auditiva e visual).

 

Ø       Percepção: alterações graves em quase todos os casos. Evidenciam-se como mais persistentes as “auditivas”

 

Ø       Generalização: dificuldades e perturbações

 

 

Ø       Memória:

v      Óptimas faculdades de memorização

v      Memória fotográfica

v      Perturbações de memória relacionadas com deficiência na categorização e codificação de informação auditiva, essencialmente memória  verbal.

 

 

Autoria: Ana Neves (Ed. Infância)

Data: Março de 2008

 

Avaliação Individual da Acção - X - Frágil

Cada célula do corpo humano contém 46 cromossomas, ou seja, 23 pares de cromossomas. Esses cromossomas compõem o material genético (DNA) necessário para a produção de proteínas para o desenvolvimento do organismo, seja desenvolvimento físico, mental, metabólico. Neste sentido, são proteínas responsáveis por todo o funcionamento da pessoa. Vinte e dois desses 23 pares de cromossomas são iguais no homem e na mulher, mas o outro par restante são os chamados cromossomas sexuais, denominados X e Y. Se o embrião tiver a constituição XY será homem e se tiver a constituição XX será mulher.

O Síndrome do X Frágil é uma condição genética herdada pela presença de uma alteração molecular ou mesmo de uma quebra na cadeia do cromossoma X, no ponto denominado q27.3 ou q28, condição esta associada a problemas de conduta e de aprendizagem, bem como a diversos graus de deficiência mental. Além dessa diminuição mental, que pode ir de algumas dificuldades de aprendizagem até atrasos significativos, os afectados apresentam um comportamento hiperactivo e, por vezes, com características autistas, um temperamento ansioso e instável e dificuldades de concentração. Existem ainda aspectos físicos característicos desta síndrome: rosto alongado, orelhas descoladas do crânio, pé chato e articulações muito flexíveis. Geralmente, os indivíduos do sexo masculino são afectados mais intensamente que os do sexo feminino. Esta doença é hereditária, sendo um único gene o responsável. Este, localizado no cromossoma X, tem um comprimento variável de pessoa para pessoa, dentro de certos limites. Em alguns indivíduos, essa porção é maior do que o habitual, o que os torna portadores de uma pré-mutação, apesar de se manterem saudáveis. Contudo, ao longo das gerações, esse gene vai continuar a aumentar, provocando, a dada altura, a sua completa inactivação. Este deixa, então, de produzir a proteína que lhe competia. Um indivíduo em que tal sucede é afectado pela síndrome do X-frágil e é portador da mutação propriamente dita (mutação completa).
Normalmente, as mulheres sofrem de uma versão moderada deste síndrome, comparativamente com os homens, porque, enquanto estes têm um único cromossoma X, elas possuem dois, inutilizando as suas células o cromossoma mutado, uma vez que só necessitam de um deles.

Actualmente, e relativamente ao seu tratamento, não existe cura para o síndrome X Frágil. Certos medicamentos e a utilização de estratégias educacionais adequadas, iniciadas logo na idade pré-escolar, ajudam a maximizar as potencialidades das crianças afectadas.

Herman Bleiweiss é um dos autores que defende tratamentos não apenas baseados na estimulação precoce dos portadores do Síndrome do X Frágil mas, principalmente baseados na utilização de neurotransmissores. Bleiweiss diz que para uma abordagem terapêutica eficaz o diagnóstico deve ser complementado, obrigatoriamente, com um estudo dos neurotransmissores. Isso é imprescindível para saber que tipo de alteração bioquímica se deve corrigir. Dependendo dos resultados desses estudos, inicia-se um tratamento que se ajustará às particularidades de cada caso. Já houve tentativas de tratamento do Síndrome do X Frágil através de altas doses de ácido fólico, o qual melhorava muito o aspecto proteico de tecidos in vitro. Entretanto, as alterações de reparo dos cromossomas com ácido fólico eram apenas constatadas em microscópios ópticos mas, a nível molecular essas melhorias não aconteciam. Muitas dessas crianças (com convulsões ou eletroencefalograma positivos) são tratadas com anticonvulsivantes mas, no caso da Síndrome do X Frágil, os anticonvulsivantes podem agravar o quadro por diminuir ainda mais os níveis de ácido fólico.

Nas famílias dos indivíduos afectados é importante a análise do DNA, principalmente com as mães e irmãs dos portadores já que essas podem ser portadoras da pré-mutação. Esta questão torna fundamental o estudo molecular para um melhor aconselhamento em termos dos riscos de recorrência. O diagnóstico pré-natal é possível tanto por amniocentese como por biopsia das vilosidades coriónicas. O diagnóstico pré-implantatório é outra possibilidade que pode ser tomada em consideração. Portanto, para as mães, a análise molecular é decisiva para o aconselhamento genético de uma próxima gravidez e para as irmãs, em determinar o risco de suas futuras proles.

 

 

 

Autoria: Sandra Coelho (Professora)

Data: Março de 2008

Avaliação Individual da Acção - X - Frágil

A Síndrome do X Frágil é uma condição de origem genética, considerada a causa mais frequente de comprometimento intelectual herdado. As pessoas com esta síndrome apresentam atraso no desenvolvimento, problemas de comportamento e, eventualmente, características físicas peculiares e características intelectuais variadas.

Características Físicas:

Face alongada; Orelhas grandes e em abano; Mandíbula proeminente; macrorquidia (testículos aumentados), principalmente no adulto.

Podem apresentar ainda, ou somente, um ou vários dos traços abaixo:

Hipotonia muscular; Comprometimento do tecido conjuntivo; Pés planos; Hiperextensibilidade das articulações; Palato alto; Prega palmar única; Estrabismo; Escoliose; Calosidade nas mãos (decorrente do hábito de morder as mãos)

A nível intelectual o comprometimento intelectual pode ser variável, podendo ir desde uma dificuldade de aprendizagem a um atraso grave. Geralmente é acompanhado de atraso na fala e na capacidade de comunicação.

Características intelectuais:


Cada indivíduo pode apresentar muita desigualdade nas suas habilidades cognitivas.
Algumas das suas características podem ser bem aproveitadas:

Excelente memória; facilidade em identificar logótipos e sinais gráficos; geralmente bom vocabulário; facilidade na cópia; habilidade para leitura; uso frases de efeito;

As dificuldades estão principalmente na abstracção e na integração das informações: seguem instruções "à letra"; podem dar importância a aspectos irrelevantes; fala fora do contexto; fala repetitiva; ecolalia;

Características Comportamentais:

Hiperactividade; impulsividade; concentração reduzida; ansiedade social; dificuldade em lidar com estímulos sensoriais; imitação; desagrado quando a rotina é alterada; comportamentos repetitivos; irritação e "explosões emocionais" ; traços de autismo como: agitar as mãos; evitar contacto táctil; evitar contacto visual

Em geral são pessoas dóceis, que cativam os que convivem com eles.

 

Autoria: Carla Pinheiro (Professora)

Data: Março de 2008

Avaliação Individual da Acção - X - Frágil

SÍNDROME DO X FRÁGIL

 

 

Causa hereditária mais frequente de défice cognitivo.

Largo espectro fenotípico, podendo associar-se quer a discretas perturbações emocionais quer a situações graves de atraso mental.

Atinge ambos os sexos, sendo mais grave no sexo masculino.

 

Intervenção médica

Oftalmologia

Problemas comuns 

          Estrabismo

           Miopia

           Hipermetropia

           Astigmatismo

          Nistagmo

Proposta

  Observação oftalmológica após o diagnóstico

  Consulta de oftalmologia anual

 

Otorrinolaringologia

Problemas comuns

           OMA recorrente

           Sinusite recorrente

           Otite serosa

           Diminuição acuidade auditiva

           Roncopatia do sono

           AOS

Proposta

           Consulta de ORL após o diagnóstico, seguida de avaliação anual

           Tubos transtimpânicos

           Profilaxia de infecções respiratórias superiores

           Adenoidectomia /amigdalectomia

 

Cardiologia

Problemas comuns

           Prolapso mitral

           Prolapso tricúspide

           Dilatação raiz aórtica

           HTA

Proposta

           Consulta de cardiologia após o diagnóstico

           Ausc. cardíaca e medição da TA em cada consulta

           Consulta de cardiologia anual para os doentes adolescentes

 

Ortopedia

Problemas comuns

           Laxidão ligamentar

           Luxações recorrentes

           Pés planos

Proposta

          Consulta de ortopedia se necessário

          Ortoses e cirurgia

 

Estomatologia

Problemas comuns

           Palato arqueado

           Maloclusão dentária

           Caries

 

Proposta

           Consulta de estomatologia anual

           Ortodontia

           Suplemento de flúor

           Hábitos de higiene oral

 

 

Urologia

Problemas comuns

           Refluxo vesicoureteral

Proposta

           Avaliação urológica (ecografia renal; gamacistografia; cintigrafia renal)

           Urina tipo II e urocultura em cada consulta

           Profilaxia com trimetoprim, se RVU

           Cirurgia

 

Gastroenterologia

Problemas comuns

           Vómitos recorrentes

           Hérnia inguinal

           Hérnia umbilical

Proposta

           Fórmulas infantis espessadas e posicionamento após as refeições

           Herniorrafia

 

Neurologia

Problemas comuns

           Hipotonia

           Incoordenação motora

           Convulsões

Proposta

           Terapia ocupacional

           Avaliação neurológica (incluindo EEG)

           Anticonvulsivantes

 

Comportamento

 

Problemas comuns

           Problemas do sono

           Défice de atenção

           Hiperactividade

Proposta

           Apoio psicológico

           Psicofármacos, se necessário

Clonidina

Psicoestimulantes

(metilfenidato (Ritalina®), Adderall®)

Benzodiazepinas

Inibidores da recaptação da serotonina

 

Aconselhamento genético

 

          Para os doentes adolescentes

          Para os pais

 

 

 

Autoria: Andrea Pimenta (Professora)

Data: Março de 2008

Avaliação Individual da Acção - Autismo

Abordagem ao Autismo

O Autismo é uma patologia que não é fácil definir e para o qual ainda não foi encontrada resposta, permanecendo muitas divergências e grandes questões por responder.

O vocábulo autismo, igualmente conhecido por Síndrome de Kanner, tem origem na palavra grega “Autos” que significa “Eu próprio” e é considerado como uma perturbação global do desenvolvimento humano, que num determinado estádio do seu desenvolvimento, o indivíduo se centra em si mesmo e se isola do “mundo exterior”, e é caracterizado por dificuldades de aprendizagem, incapacidade de estabelecer relações com outras pessoas, atrasos e alterações na aquisição e uso da linguagem e de uma vasta gama de comportamentos associados, estando relacionado com uma disfunção cerebral que se prolonga por toda a vida e evolui com a idade.

Actualmente considera-se que o autismo é uma patologia que se manifesta mais frequentemente no sexo masculino que no feminino (4 rapazes para 1 rapariga) e atinge em cada 10.000 entre 4 a 5 pessoas.

Os indivíduos com perturbações do espectro do autismo apresentam diversos sintomas, que variam de pessoas para pessoa, devido à sua personalidade e características únicas. Por norma, o autismo infantil manifesta-se antes dos 3 anos de vida, não havendo um período prévio em que se perceba se a criança está a ter um desenvolvimento não comum. Cerca de 4 a 5 casos de manifestações do autismo começam desde o nascimento, no entanto, raramente se pode fazer um diagnóstico durante o primeiro ano de vida, uma vez que os primeiros sintomas não são muito evidentes e são estranhos ao ponto de provocar nos pais sentimentos de receio e inquietação.

Para além dos padrões repetitivos de comportamento que distingue o autismo, verifica-se uma trilogia de dificuldades assente no distúrbio comportamental do indivíduo: desvios qualitativos na área da comunicação (dificuldade da criança usar com sentido todos os aspectos da comunicação verbal e não verbal, como gestos, expressões faciais, linguagem corporal, ritmo e modulação na linguagem verbal), da interacção social (dificuldade de socialização – este é o ponto fulcral no autismo, caracterizado pela dificuldade em relacionar-se com os outros, pela incapacidade de partilhar sentimentos, emoções e/ou gostos, responsável pela fraca consciência da outra pessoa, diminuição da capacidade de imitar e de se colocar no lugar do outro e de compreender os eventos a partir da perspectiva da outra pessoa) e do uso da imaginação (estendendo-se às várias áreas do pensamento, linguagem e comportamento da criança, aspectos que podem causar condutas obsessivas e ritualistas, compreensão restrita da linguagem, falta de aceitação das mudanças e dificuldades em processos criativos).

Comummente, pode-se identificar o autismo numa criança através da observação de alguns comportamentos estereotipados: dificuldades na aquisição da linguagem; ecolalia (repete o que ouve); agir como se fosse surda; não responder ao seu nome; não obedecer nem seguir instruções; não interagir com as outras crianças; ter uma obsessão por determinados objectos; girar objectos de forma bizarra e peculiar; evitar o contacto visual; usar as pessoas como ferramenta; resistir à aprendizagem e à mudança; resistir ao contacto físico (não gosta que lhe toquem ou que a abracem); não demonstrar medo por perigos reais; pedir as coisas, pegando na mão de alguém; não suportar determinados sons e luzes; ser hiperactiva ou extremamente passiva; rir-se sem razão aparente; ter problemas com a alimentação; ter comportamentos repetitivos; ser agressivo e destrutivo; apresentar modos e comportamentos indiferentes.

Para que seja feito um bom diagnóstico da síndrome do autismo é crucial que exista uma intervenção precoce devidamente ajustada às necessidades individuais para a integração da criança com perturbações do espectro do autismo, logo que apareçam suspeitas direccionadas para o mesmo. Concomitantemente, a avaliação é igualmente fundamental, não só para se realizar um diagnóstico correcto, mas também porque estabelece a base de qualquer intervenção. Os critérios de avaliação do Autismo estão descritos no DSM-IV – Manual de Diagnóstico e Estatística Mentais.

É importante realçar que os serviços disponibilizados às famílias são fundamentais, no entanto, insuficientes por si só; é necessário que a comunidade mude de atitude relativamente às pessoas com perturbações do espectro do autismo e às suas famílias. É imprescindível que sejam garantidos os direitos das pessoas com perturbações do espectro do autismo, com vista à sua plena autonomia e integração na sociedade. Com efeito, é necessária uma sociedade acolhedora, onde as famílias destas crianças se sintam aceites e vejam garantidos os seus direitos e plena cidadania, fomentando as suas competências e contribuindo para o seu bem-estar.

 

Helena Romeiro (Técnica de serviço Social)

Data: Março de 2008

Avaliação Individual da Acção - Autismo

Quando se fala em Autismo, há uma preocupação excessiva com as características implícitas do autismo e coloca-se um pouco de parte o mais importante: a criança/Jovem.

Todos somos diferentes, cada um com as suas características, feitios, manias, ritmos e modos de aquisição de conhecimentos diferentes.

O mais importante é olharmos para a criança/jovem como uma pessoa com características próprias pois o autismo não define a criança como pessoa.

É preciso tentar compreender o mundo segundo o olhar destas crianças/jovens.

Quantos de nós já não se perguntou: “O que será que ele está a pensar?” “Porque será que reage desta forma?”

Há inúmeros aspectos que devemos ter em conta para compreender certas atitudes e comportamentos. Devemos sim observar e conhecer cada criança de modo a perceber os seus gostos, a sua forma de comunicar e expressar o que pensa.

Os profissionais que atendem as pessoas pertencentes ao espectro autístico necessitam compreender as peculiaridades envolvidas na maneira como elas vêem  e vivem o dia-a-dia.

Compreender estas diferenças e esforçar-nos para em determinados momentos ver o mundo pelos olhos deles é essencial para a criação de boas estratégias terapêuticas e educacionais.

 

Carla Pinheiro (Professora)

Data: Março de 2008

Avaliação Individual da Acção - Autismo

Caracterização sumária do autismo

 

Dificuldades em estabelecer relações

Características:

·         Não tem amigos

·         Expressões faciais neutras

·         Falta de resposta e de interesse pelas pessoas

·         É indiferente ao afecto e contacto humano

Problemas de comunicação

·         Falta de linguagem provável

·         Estrutura linguística rudimentar

·         Afasia nominal (não pronunciam nomes)

·         Ausência de termos abstractos

·         Pronuncia fonética estranha

·         Expressão corporal inteligível

Reacção estranha com o meio

·         Reagem de forma inapropriada aos contextos

·         Comportamentos ritualizados e muito repetitivos

·         Apego excessivo a determinados objectos

·         Fascínio por objectos giratórios

Prognóstico

·         Em cada seis casos um desses seis pode atingir uma adaptação social razoável. Função laboral simples mas produtiva.

·         Outro dos seis atinge uma adaptação moderada. Precisa de algum apoio e vigilância.

·         Os outros quatro não desenvolvem capacidades suficientes para terem uma vida independente.

Prevalência

·         A probabilidade da ocorrência do autismo situa-se entre dois a quatro casos em dez mil crianças.

·         Em cada quatro três são do sexo masculino.

 

 

 

Autoria: Andrea Pimenta (Professora)

Data: Março de 2008

 

Avaliação Individual da Acção - Autismo

O que é Autismo?

 

O autismo é um transtorno do desenvolvimento, que manifesta-se tipicamente antes dos 3 anos de idade. Este transtorno compromete todo o desenvolvimento psiconeurológico, afetando a comunicação, (fala e entendimento) e o convívio social, apresentando em muitos casos um retardo mental.  Segundo pesquisas, cerca de 60% dos indivíduos autistas apresentam epilepsias.

Por ainda não ter uma causa específica definida, é chamado de Síndrome (=conjunto de sintomas) e foi primeiro classificado em 1943 por Leo Karner.  Hans Asperger pesquisou e em 1944 classificou a Síndrome de Asperger, um dos espectros mais conhecidos do Autismo, a grosso modo, um autismo brando.  Ao conjunto de determinadas variações, chamamos de Espectro do Autismo, pois somam-se as características autísticas, outras específicas de cada grupo de outros sintomas.

Em recente estatística publicada pela revista americana Time Magazine (Maio/2002), a incidência de autismo atualmente é 1 em cada 175 nascimentos sendo 4 meninos para 1 menina.  Como em qualquer síndrome o grau de comprometimento pode variar do mais severo ao mais brando e atinge todas as classe sociais, em todo o mundo.  Já em 2003 as estatísticas apontam 1 caso de autismo para cada 150 nascimentos.

O autismo é geralmente diagnosticado por um médico neuropediatra ou por um psiquiatra especializado em autismo.

Ainda não se tem uma causa específica, mas há várias suspeitas de possíveis causas e as pesquisas não param.

Recentes estudos apontam a contaminação por mercúrio (Thimerosal) e outros metais pesados como possíveis causas.  Em alguns países já é proibido o uso de vacinas com Thimerosal e outros agentes portadores de mercúrio na fabricação de vacinas.

Os critérios de diagnósticos mais aceitos são avaliações completas com base na DSM IV (da Associação Americana de Psiquiatria) ou CID-10 (publicado pela Organização Mundial de Saúde). Lembre-se o diagnóstico deve ser feito por profissional especializado.

Alguns espectros mais conhecidos de autismo são:

Síndrome de Angelman
Síndrome de Asperger
Síndrome do X Frágil
Hiperlexia
Síndrome de Landau Kleffner
Distúrbio Obsessivo-Compulsivo
Distúrbio Abrangente do Desenvolvimento
Síndrome de Rett
Síndrome de Prader-Willi
TDA Transtorno do Déficit de Atenção/hiperatividade

Autoria: Helder Principe (Auxiliar de Educação Especial)

Data: Março de 2008

Avaliação Individual da Acção - Deficiência Mental

DEFICIENCIA COM INCAPACIDADE OU INCAPACIDADE SEM DEFICIENCIA

 

É muito volátil a fronteira entre o sentido dos dois termos, deficiência e incapacidade. Há situações que pela sua natureza se aproximam mais de um dos termos do que outras. Assim, o obscurecimento profundo da razão devido a certas patologias do foro neurológico tende a, desde logo, ser melhor definido pelo primeiro termo. Embora existam muitas deficiências que, contrariamente, apesar de uma claridade de espírito notável poderem ser também como deficiência consideradas, de que é exemplo, a cegueira.

 

Noutro campo, como no caso da paralisia cerebral, há indivíduos deficientes com uma notável clareza de espírito e de inteligência. E outros que, contrariamente, com aquelas incapacidades neuromotoras inerentes à mesma patologia não apresentam aquela qualidade. Assim, os dois termos podem assumir uma panóplia de aspectos com um sentido figurado segundo uma evolução ou habituação troplógica do termo, muitas vezes codificado e fixado em listagens consoante as áreas e até os fins (apoios sociais, indemnizações).

 

Assim, nenhum daqueles termos é puramente extensivo a um determinado tipo dos aspectos negativos do indivíduo que despiste com facilidade e sem disfarce as suas reais características para o enquadrar na moldura da incapacidade ou da deficiência.

 

A deficiência, de certa forma, terá mais uma conotação de uma característica permanente do indivíduo por qualquer condição de insuficiência mental ou física, sob forma simples ou associada, e a incapacidade assume com maior frequência uma característica transitória. Mas se essa transitoriedade nunca poder ser suprida, o indivíduo poderá ser incluído na definição de deficiente. Mas no caso, por exemplo, da dislexia que é uma deficiência durável e específica da aprendizagem existe todavia uma certa dificuldade em enquadrar todos os disléxicos como deficientes.

 

Quer dizer que se a incapacidade atingir de tal forma um aspecto elevado do grau das necessidades vitais de funcionalidade do indivíduo, fica nele mais carregada uma avaliação com a ideia de deficiente. Mas se a pequenez dessa incapacidade for a sua característica mais evidencial (perda de parte de um dedo, por exemplo), o indivíduo fica com uma remota possibilidade de ser tanto um incapaz como um deficiente.

 

Por outro lado, as desvantagens físicas e mentais de um indivíduo muitas vezes são vistas em termos de avaliação segundo os estádios de desenvolvimento dos países, tendendo os mais ricos a avaliar com maior facilidade ou generosidade e proteger melhor certos tipos de incapacidades e de deficiências e os mais pobres, por necessidades orçamentais, tenderem a tornar mais exígua essa mesma avaliação.

 

Mas é a autonomia geral do indivíduo - autonomia laboral, ou em termos de mobilidade e de cognição, para mim - o critério mais essencial e fundamental para numa criteriologia acertada se moldar e separar as fronteiras da incapacidade e da deficiência.

 

O termo deficiência tem assim um valor emblemático, mais forte do que o de incapacidade, para efeitos legislativos de protecção, mas sem a definir, como por exemplo a Resolução adoptada pela Assembleia Geral das Nações Unidas de Dezembro de 1975. Ou seja, nos desvios para o anormal a condição de deficiente é, do ponto de vista nominal, mais manifestada que designada.

 

Autoria: António Monteiro (Professor)

Data: Março de 2008

 

Avaliação Individual da Acção - Deficiência Mental

"O conceito de deficiência não pode ser confundido com o de incapacidade, palavra que é uma tradução, também histórica, do termo "handicap"."

(Romeu Kazumi Sassaki)

 

Segundo a organização mundial de saúde, deficiência é o substantivo atribuido a toda a perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatómica. A incapacidade e a deficiência, no contexto da saúde e da doença, devem ser entendidas como limitações pessoais e nunca como imposições sociais.

 

Deficiência, Incapacidade ou Desvantagem

De acordo com a OMS, distinguem-se estes 3 conceitos, que devem ser integrados e considerados no contexto das consequências da doença:

Deficiência: No domínio da saúde, deficiência representa qualquer perda ou anormalidade da estrutura ou da função psicológica, fisiológica ou anatómica.

Incapacidade: No domínio da saúde, incapacidade corresponde a qualquer redução ou falta de capacidades para exercer uma actividade de forma, ou dentro dos limites considerados normais para o ser humano.

Desvantagem: No domínio da saúde, desvantagem representa um impedimento sofrido por um indivíduo, resultante de uma deficiência ou incapacidade, que lhe limita ou impede o desempenho de uma actividade considerada normal.

Autoria: Joaquina Jacinto (Professora)

Data: Março de 2008

 

 

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