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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - Autismo (...)

A chegada de um filho é sempre um momento de felicidade para os pais, mas acarreta consigo uma inevitável mudança. Ao casal é exigido que se tornem pais e responsáveis por um pequeno ser necessitado de amor e protecção. Se uma qualquer criança traz consigo um conjunto imenso de transformações, receber uma criança com necessidades especiais, como o Autismo, tem um efeito de um imenso turbilhão. Será, então, pertinente que os pais, além de se preparem para esta nova fase das suas vidas que é a chegada de um filho, se esclareçam acerca da patologia para com ela melhor saberem lidar e, mesmo, conseguirem ultrapassar todas as dificuldades em termos emocionais e psicológicos que irão enfrentar. As crianças com autismo vivem num mundo seu e onde alguém consegue entrar a muito custo. Não reage da mesma maneira que uma criança dita normal, pelo que torna ainda mais difícil a comunicação com os seus pais e comunicadores. É, pois, importante saber qual a melhor maneira de estimular estas crianças, levando-as a sair da sua concha, do seu mundo protector de actos repetitivos e rotinas, e levá-los a interagir cada vez mais e melhor com o seu ambiente e com as outras pessoas. Contudo, as terapias de apoio a estas crianças com necessidades especiais implicam custos elevados que nem sempre a família consegue suportar. Torna-se necessária atenção a esta problemática, de forma a dotar pais e crianças de uma melhor qualidade de vida que são, sem sombra de dúvida merecedores.

Rita Peixoto (Professora)

Avaliação da acção - Autismo (...)

Utiliza-se a designação de Espectro do Autismo, referindo-se a uma condição clínica de alterações cognitivas, linguísticas e neurocomportamentais, pretendendo caracterizar o facto de que, mais do que um conjunto fixo de características, esta parece manifestar-se através de várias combinações possíveis de sintomas num contínuo de gravidade de maior ou menor intensidade.

As PEA caracterizam-se por uma tríade clínica de perturbações que afectam as áreas da comunicação, interacção social e comportamento.

A forma como o autismo interfere no desenvolvimento do indivíduo faz com que a pessoa com PEA apresente um modo muito específico de pensamento e de funcionamento caracterizado por dificuldades em:

�� compreender e responder de forma adequada às diferentes situações do

meio ambiente;

�� seleccionar e processar informação pertinente;

�� responder a estímulos sensoriais (hipo ou hipersensibilidade).

Estas perturbações afectam a situação da criança em todas as áreas de desenvolvimento. Nesta breve reflexão vou-me referir a algumas estratégias para desenvolver na organização do espaço educativo.

Frequentemente a criança com perturbação do espectro autista, depende de alguém para lhe estruturar as actividades de forma a que possa participar nelas. Vários estudos têm demonstrado que os programas educativos estruturados são os mais eficazes no processo educativo das crianças com autismo.

A estrutura é essencial para o funcionamento das crianças com autismo devido aos seus défices ao nível da auto-organização e à sua dificuldade em compreender ou realizar de forma autónoma as mais diversas actividade do quotidiano; o ensino estruturado permite fazer com que o mundo pareça mais previsível e menos confuso para  a criança.

Pode elaborar-se um horário simples, escrito ou com desenhos/fotografias que representem as actividades a realizar; por outro lado, a criança deve ser previamente avisada verbalmente. Devem-lhe ser dadas sequências de 2/3 actividades a realizar de cada vez; para muitas crianças, o completar com sucesso de uma determinada sequência dá-lhes uma sensação de realização que é por si só compensadora.

O ensino estruturado centra-se nas áreas fortes frequentemente encontradas nas crianças com perturbações do espectro do autismo - o processamento visual, a memorização de rotinas e os interesses especiais.

Deve haver uma delimitação clara do espaço – sala. das diversas áreas de trabalho e das fronteiras que separam essas áreas - permite à criança compreender melhor o seu meio e a relação entre os acontecimentos; por exemplo, se for sempre usada para o trabalho uma área visualmente bem delimitada, a criança compreenderá mais facilmente o que se espera dela quando é conduzida para essa área.

A maior parte das crianças precisa de ajuda nestas actividades e realizações orientadas. Para algumas pode ser reforçador colocar na parede o trabalho que fizeram. Pode-se dividir actividades complexas noutras mais simples. Devem ser dadas instruções simples e utilizar pistas visuais.

Devem ser pensadas actividades de realização autónoma. Proporcionar actividades que a criança consiga realizar sozinha quando as outras pessoas estão ocupadas. Inicialmente têm de ser ensinadas mas devem ser suficientemente fáceis de forma a que, uma vez estabelecidas, possa esperar-se que a criança a desenvolva sem ajuda. É positivo encorajar a criança a pegar em alguma coisa para fazer sempre que se senta pois isto previne que a criança use este tempo em actividades obsessivas.

Joana Santos (Educadora de Infância)


Avaliação da acção - Autismo (...)

O autismo é uma perturbação global do desenvolvimento infantil que se prolonga por toda a vida e evolui com a idade.
O autismo resulta de uma perturbação no desenvolvimento do Sistema Nervoso, de início anterior ao nascimento, que afecta o funcionamento cerebral em diferentes áreas: a capacidade de interacção social e a capacidade de comunicação são algumas das funções mais afectadas.

É um distúrbio neurofisiológico e a sua causa é desconhecida. Alguns investigadores atribuem a alterações bioquímicas.

Outros associam a distúrbios metabólicos hereditários, encefalites, meningites, rubéola contraída antes do nascimento, ou até a lesões cerebrais. Porém existem bastantes incertezas e dúvidas na relação do Autismo com estas doenças.

As pessoas com autismo têm uma grande dificuldade, ou mesmo incapacidade, de comunicar, tanto de forma verbal como não verbal. Muitos dos autistas não têm mesmo linguagem verbal. Noutros casos o uso que fazem da linguagem é muito limitado e desadequado. No que respeita à comunicação não verbal, há uma acentuada incapacidade na sua utilização.

Os adolescentes juntam às características do autismo os problemas da adolescência, podendo contudo, melhorar a capacidade de relacionar-se socialmente e o seu comportamento ou, pelo contrário, podem voltar a fazer birras, mostrar auto-agressividade ou agressividade para com as outras pessoas.

Paralelamente, as pessoas com autismo têm uma grande dificuldade na interpretação da linguagem, devido à dificuldade na compreensão da entoação da voz e da mímica dos outros com quem se relacionam.

O isolamento social  é outra característica do autismo. Outra particularidade comum no autismo é a insistência na repetição. Por isso é que as pessoas com autismo seguem rotinas, por vezes de forma extremamente rígida, ficando muito perturbadas quando qualquer acontecimento impede ou modifica essas rotinas.
O balançar do corpo, os gestos e os sons repetitivos são vulgares, sendo mais frequentes em situações de maior ansiedade.

A maioria dos autistas tem também deficiência mental, com níveis significativamente baixos de funcionamento intelectual e adaptativo.

Fátima Pinto (Educadora de Infância)


 

 

Avaliação da acção - Autismo (...)

O termo Autismo foi utilizado pela primeira vez pelo psiquiatra Bleuler, nos princípios do século XX, para caracterizar um tipo de sintoma que ele julgou ser secundário das esquizofrenias. Bleuler utilizou-se da palavra Autos, de origem grega e que significa " si mesma ", aludindo ao tipo de esquizofrénicos, como é referido por Bettelheim, " que vivem num Mundo muito pessoal e deixam de ter qualquer contacto com o mundo "

 

O Espectro do Autismo engloba perturbações muito graves do desenvolvimento, que ainda hoje, não são muito claras, quer no seu diagnóstico quer no seu padrão típico e terapêutica.

 

Muitos são os autores que se têm dedicado ao estudo deste Espectro, no entanto, este apresenta-se como um grande puzzle que, a pouco e pouco, se vai construindo e entendendo.

 

Como se sabe, a patogenia do Autismo é obscura. Ela alimenta grandes forças dialécticas de discursos de especialistas em detrimento da família tão experiente face a um tal problema. Com efeito, todas as estruturas relacionais dentro da família da criança autista encontram-se perturbadas, distorcidas e dramaticamente

desorganizadas face ao contexto.

 

Esta temática toca, particularmente, os profissionais de educação, pois, ao longo da nossa actividade profissional, constatamos que apesar de todas as modificações verificadas no ensino e a diversidade dos métodos utilizados, a falta de recursos humanos, físicos e pedagógicos, continua a marcar de forma estigmatizante, as crianças com Necessidades Educativas Especiais.

 

As pessoas com autismo têm três grandes grupos de perturbações. Segundo Lorna Wing (Wing & Gould,1979), a tríade de perturbações no autismo manifesta-se em três domínios:


Domínio social: o desenvolvimento social é perturbado, diferente dos padrões habituais, especialmente o desenvolvimento interpessoal.
A criança com autismo pode isolar-se mas pode também interagir de forma estranha, fora dos padrões habituais.

Domínio da linguagem e comunicação: a comunicação, tanto verbal como não verbal é deficiente e desviada doa padrões habituais. A linguagem pode ter desvios semânticos e pragmáticos. Muitas pessoas com autismo (estima-se que cerca de 50%) não desenvolvem linguagem durante toda a vida.



Domínio do pensamento e do comportamento: rigidez do pensamento e do comportamento, fraca imaginação social. Comportamentos ritualistas e obsessivos, dependência em rotinas, atraso intelectual e ausência de jogo imaginativo.

Joana Pinto (Educadora de Infância)


Avaliação da acção - Autismo (...)

De acordo com estudos epidemiológicos, sabe-se que a taxa média de Autismo, ou Perturbação Autística, é de 5 em 10 000 indivíduos, sendo relatadas taxas que variam de 2 a 20 por 10 000 indivíduos. Esta perturbação é 4 a 5 vezes mais elevada no sexo masculino do que no sexo feminino. A Perturbação Autística segue uma evolução contínua. Normalmente, o Autismo manifesta-se antes dos três anos de idade. As manifestações desta perturbação na primeira infância são muito subtis e mais difíceis de definir do que as observadas depois dos dois anos. As crianças e os adolescentes em idade escolar fazem, regularmente, progressos nalgumas áreas do desenvolvimento, nomeadamente e a título de exemplo, pode surgir um crescimento de interesse no funcionamento social à medida que a criança avança na idade escolar. Durante a adolescência o comportamento deteriora-se nuns enquanto que noutros melhora. Apenas uma pequena percentagem de autistas consegue chegar à idade adulta vivendo e trabalhando de forma autónoma. Uma percentagem ligeiramente superior à anterior atinge algum grau de independência parcial. Quanto aos autistas adultos e que funcionam a um nível superior continuam a revelar problemas de comunicação bem como de interacção social, associados a interesses e actividades marcadamente restritas. No Autismo, a natureza do défice na interacção social pode mudar com o tempo e variar em função do nível de desenvolvimento dos indivíduos. Nos mais pequenos, pode observar-se uma dificuldade em acariciar, uma indiferença ou aversão pelos afectos ou contactos físicos, ausência de contacto visual, de respostas fisionómicas ou de sorrisos dirigidos socialmente e ausência de resposta à voz dos pais. Estas crianças podem tratar os adultos como objectos de troca ou agarrarem-se mecanicamente a uma determinada pessoa, ou usar as mãos dos pais para obterem objectos desejados sem sequer estabelecerem contacto ocular. Quanto aos autistas mais velhos é possível observar-se um excelente rendimento nas tarefas que implicam memória a longo prazo (por exemplo, fórmulas químicas), mas a informação tende a ser repetida várias vezes, sendo ou não apropriada ao contexto social. (Informação retirada de: American Psychiatric Association (2001). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (4¹ ed R). Washington, D.C.: Author. (Tradução Portuguesa DSM IV TR))

Inês Santana (Psicóloga)


 

Avaliação da acção - Autismo (...)

Aventura à descoberta do mundo do autismo

 

“Todos nós precisamos de uma sociedade acolhedora, uma sociedade que se movimente no sentido de garantir a plena cidadania às pessoas com Autismo, fomentando e apreciando as suas competências, aceitando a sua diversidade e promovendo o seu bem estar e contribuindo positivamente para o mundo que todos partilhamos” (I.A. Autism-Europe)

 

O autismo é uma forma diferente de ver o mundo, no entanto, existem múltiplas variações de autistas, desde os que rejeitam qualquer contacto humano, aos que anseiam atenção e carinho, mas não conseguem ultrapassar a barreira das diferenças de comunicação que usamos. Importa por este motivo, sensibilizar a sociedade em geral, de modo a contribuir para a inclusão escolar e social das crianças com autismo, focando as suas potencialidades, que em algumas áreas superam o êxito alcançado pelos cidadãos ditos “normais”.

Em 2004 li uma extraordinária obra, a qual recomendo, The Curious Incident of The Dog In The Night-Time, de Mark Haddon editado em Portugal com o título O Estranho Caso do Cão Morto, que narra a aventura na primeira pessoa, de um jovem autista de 15 anos, chamado Christopher Boone. Christopher vive submerso no seu mundo: sabe o nome de todos os países, e capitais, todos os números primos até 7057; não suporta ser tocado; e dá-se bem com os animais. Quando encontra o cão do vizinho, morto no jardim, torna-se no detective que vai desvendar o misterioso crime.

O autor, que em tempos deu aulas a jovens autistas, introduz o leitor na mente de um autista e do seu olhar sobre o mundo caótico dos adultos, ajudando assim a divulgar o mundo em que vivem os autistas.

Mara Mota (Técnica Superior de Educação)

Avaliação da acção - Inclusão de alunos com nee

A partir dos anos 60/70, surge uma nova política educativa para crianças classificadas como excepcionais – a integração. Esta fase vem de facto trazer mudança para as crianças em causa.

À integração antecedeu a segregação, esta fase traduz-se numa política de colocação de crianças, rotuladas como “deficientes”, em classes especiais separadas das outras crianças não deficientes.

A integração tem como objectivo expandir as fronteiras e reduzir as barreiras que levaram à segregação destas crianças. Em vários países, foram promulgadas leis que visam esse sentido, referencia-se a Public Law 94-142 (1975-1990) e o Warnock Report (1978). Portugal não fica indiferente às mudanças que se operavam nos outros países. Mas só a partir de meados dos anos 80 (86/91) surge então uma série de leis e decretos que vão marcar o período integrativo no nosso país.

É a partir da Lei de Bases do Sistema Educativo[1] que são publicados vários decretos “que consagram medidas de actuação junto das crianças com NEE”. Surgem as Equipas de Educação Especial (EEE) [2]. Decreta-se o regime de gratuitidade da escolaridade, abrangendo todos os alunos (sem excepções)[3]. A 17 de Maio de 91, criam-se os Serviços de Psicologia e Orientação (SPO) [4]. E finalmente, saliente-se o decreto N.º 319 [5]. Neste decreto é de notar, nomeadamente, no Artigo 11º, a adopção de currículos escolares próprios/ currículos alternativos, aprendizagem de competências que promovam a autonomia e integração pessoal e de técnicas específicas que permitem a estas crianças o acesso ao currículo.

O fundamental da integração consistia no atendimento das crianças com NEE, na classe regular, e só quando tal não fosse possível, o atendimento processava-se em salas de apoio temporário (a cargo das EEE), ou então em salas de apoio permanente.

Muito sumariamente são algumas destas disposições que norteiam a fase integrativa.



[1] Nº 46/ 86 de 4                 de Outubro

[2] Despacho Conj. 38/ S. E. A. M./ S.E.R.E. /88

[3] Decreto-lei  N.º 35 190 de 25 de Janeiro 

[4] Decreto-lei N.º 190/ 91 de 17 de Maio

[5] 23 de Agosto de 1991

 

 

Luís Lopes


Avaliação da acção - Autismo (...)

O autismo é uma alteração "cerebral" ou "comportamental" que afecta a capacidade da pessoa comunicar, estabelecer relacionamentos, expressar emoções e responder apropriadamente ao ambiente que a rodeia.

No entanto, algumas crianças, apesar de autistas, apresentam inteligência e fala intactas, algumas apresentam também retardo mental, mutismo ou grandes atrasos no desenvolvimento da linguagem.

Algumas parecem fechadas e distantes e outras parecem presas a comportamentos restritos (como, por exemplo, balançar-se) e rígidos padrões de comportamento.

O autismo é mais conhecido como um problema que se manifesta por uma abstracção da criança ou adulto acerca do seu mundo exterior encontrando-se centrado em si mesmo, ou seja, existem perturbações das relações afectivas com o meio.

A maioria das crianças não fala e, quando falam, é comum a ecolalia (repetição de sons ou palavras), inversão pronominal etc..

O termo autismo refere-se então às características de isolamento e auto-concentração das crianças. O seu comportamento é constituído por actos repetitivos e estereotipados, não suportam mudanças de ambiente e preferem um contexto inanimado.

Tenho conhecimento de uma adolescente que penso sofrer de autismo. No entanto, infelizmente, a perturbação não é reconhecida pelos próprios pais (ou talvez queiram esconder que algo se passa com a sua filha), o que só a prejudica. Infelizmente, nos dias de hoje isto ainda acontece.

Cabe-nos a nós psicólogos, tentar transformar esta dura realidade.

Dóris Dias (Psicóloga)


Avaliação da acção - Inclusão de alunos com nee

Os sistemas educativos comuns têm pautado a sua actuação pelo organizar de actividades comuns para um grupo alvo normalizado.

Apesar de sempre presente a pessoa com deficiência nem sempre foi aceite nem considerada como cidadão com direitos e deveres, um elemento participativo na sociedade. Várias têm sido as perspectivas de entender e acolher as pessoas com características diferentes. É ainda muito recente o movimento de mudança de mensalidades e práticas no sentido de respeitar as pessoas com deficiência como cidadãos de plenos direitos.

Nos meados dos anos 50, nos Estados Unidos, começou a ser contestada a segregação de crianças com deficiência em escolas especiais. Esta discussão alargou-se a outros países e até ao aos inícios dos anos 90, desenvolveu-se o conceito de integração e atendimento, no sistema de ensino regular, aos alunos com necessidades educativas especiais. Este novo modelo que perspectiva a educação de todos, atende o aluno conforme as suas características. A responsabilidade pela criança com NEE deixa de ser exclusivamente das instituições do professor do ensino especial pois qualquer professor pode encontrar estas crianças na sua turma dita “regular”. Há responsabilidades compartilhadas pelo professor do regular, o professor do ensino especial, a direcção escolar, a equipe pedagógica, o psicólogo, os terapeutas, os pais e outros membros da comunidade.

Mas a operacionalização deste conceito não respondeu a todas as expectativas pensadas. Espera-se a adaptação dos alunos ao sistema vigente. Quando tal não se verifica ou perante uma deficiência concreta, diagnostica-se os problemas da criança com vista à intervenção especializada a cargo de técnicos e/ou professores de apoio. Pressupõe-se que a escola e as estratégias educativas, tais como existem, não necessitam de promover alterações para atender a generalidade dos alunos, não identificados como tendo essas necessidades.

Escola inclusiva

Durante a década de 90 e durante estes primeiros anos do novo milénio, compreendeu-se que a sociedade, as instituições e o sistema educativo continuam a ser discriminatórios e a não conseguir respostas em relação a grande número de crianças. Algo mais há a fazer para além de se perceber as problemáticas da criança e de lhes tentar responder de forma especifica e isolada. Considerando que as barreiras à aprendizagem podem ter origens muito variadas, continua-se na procura de uma melhoria real e equitativa.

A educação inclusiva surge como orientação a adoptar. Incluem-se todas os que pelas suas características e singularidades se tornam diferentes ou iguais aos outros, abarcando todas as características mais ou menos próximas da “norma” em determinado contexto. Defende-se, não o salientar da diferença mas a igualdade de direitos de cada um, criança, jovem ou adulto, com capacidades de aprendizagem próprias.

A aprendizagem tem que deixar de ser vista como o acumular de conhecimentos e ser entendida como os processos de experimentação, de consideração, simbolização e de descoberta que cada um realiza face a uma situação. A escola é de todos e para todos, há que criar novas soluções reinventar a escola. A aprendizagem vai-se adaptar a cada criança e todos beneficiarão de um ensino mais centrado em cada um, em vez de desenhado para a maioria, como tradicionalmente acontecia.

Para tal tem que se repensar a organização escolar, os currículos, as estratégias pedagógicas, a utilização dos recursos e a cooperação com a comunidade. A garantia destas escolas resulta não só da atitude e trabalho dos professores mas de cooperação entre estes e os pais, auxiliares e outro pessoal e os alunos como ponto central.

Joana Barbosa (Educadora)


Avaliação da acção - Inclusão de alunos com nee

Ao olhar para a capa do Diário de Notícias de sábado, 5 de Outubro, saltou-me logo à vista, passo a expressão, a frase “famílias especiais” e a imagem que a acompanhava de uma linda menina portadora de trissomia 21 acompanhada de um adulto, provavelmente o pai.

Folheei a revista até à página que iniciava a apresentação da reportagem. Não pude deixar de sentir uma enorme ternura ao ler “crianças especiais para pais especiais”.

As crianças todas elas são especiais, mas nascem algumas que necessitam de cuidados mais especiais, ou melhor mais específicos, e é bom quando as vemos e sentimos assim mas, conseguimos ser também especiais para elas.

Tal como refere a reportagem o nascimento de uma criança é vivido e celebrado com muita alegria pela maioria dos pais. O mesmo se poderá dizer da escola, quando uma criança lá chega com Necessidades Educativas Especiais?

Os pais têm uma ligação eterna aos filhos e, amam-nos, protegem-nos, cuidam-nos incluem-nos na sua vida e preparam-nos para o seu percurso de vida. Será que a nossa politica de inclusão constitui um meio completo e abrangente facilitador do desenvolvimento da criança a todos os níveis, sendo realmente potenciador de sucesso educativo, no sentido mais abrangente, que não apenas o académico e realmente com práticas de inclusão? Porque será que ainda se ouve “vou receber um aluno com NEE na minha turma. Não vai se nada fácil”.

Penso que tal como os pais reajustam a sua vida, nós escola reajustaremos as nossas actividades, objectivos, estratégias e sentido de inclusão no nosso contexto escolar.

Tal como disse aquele pai, em relação à sua filha, nós, escola, poderemos ter alguns dos nossos alunos com as asas partidas mas com práticas inclusivas temos cola para as colar e, dar-lhes assim, a oportunidade de voar.

Isto é possível através de uma inclusão apostada, tentada, e avaliada.

Ana Isabel Marques (Professora)


 

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