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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - TAA

“A sociedade deve abrir as portas a terapias alternativas que apresentem resultados comprovados junto dos seres humanos e que representem um baixo custo” (Sílvia Andrade, 2001)

Terapia Assistida por Animais (TAA), hoje em dia em franca expansão, um pouco por todo o mundo, recebe esta designação toda a intervenção terapêutica, ou programa de apoio, em que haja recurso a animais, com vista à recuperação física e/ou psicológica de crianças ou adultos.

Considera-se que a origem da Terapia Assistida com Animais (TAA) remonta a Inglaterra onde, no final do século XVIII, foi aplicada numa instituição, no âmbito do tratamento de doentes mentais ali internados.

Dadas as suas características comportamentais e morfológicas, os animais de eleição para este tipo de programas são o cavalo (hipoterapia ou equinoterapia) e o cão (cinoterapia), embora também comecem a utilizar-se burros (asinoterapia), gatos, aves e golfinhos.

Em Portugal, a TAA começa a ser uma aposta forte, aplicada por exemplo em crianças com autismo ou a Síndrome de Down, e no acompanhamento a idosos e adultos jovens com problemas diversos, quer funcionais, quer psicológicos, ou que, simplesmente, se sintam sozinhos. Uma outra vertente de aplicação deste tipo de terapia é os programas de reabilitação de reclusos.

Mas se, em alguns casos, a TAA pode ser auto-aplicada pelo indivíduo, em sua própria casa, na maioria dos casos o recurso a este tipo de apoio tem de ser contextualizado e inserido num programa especializado. No nosso país, e no que diz respeito ao acompanhamento de crianças e jovens, as Cooperativas de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas - CERCI desempenham um papel importantíssimo, prestando um apoio valiosíssimo à comunidade em geral com as diversas valências que têm disponíveis. Uma delas é precisamente a TAA, que já é praticada, por exemplo, na CERCI de Cascais, onde se trabalha com cães. O projecto já tem algum tempo e começa a dar resultados muito interessantes e encorajadores, merecendo o aplauso e o apoio de todos.

Há cerca de cinco anos, houve uma tentativa, por parte de um grupo de pais de crianças apoiadas em instituições desta natureza, em conjunto com técnicos de treino de animais para TAA, de formar uma CERCI especialmente direccionada para esta valência. As dificuldades levantadas foram enormes, tanto de natureza financeira como, por exemplo, a falta de técnicos especializados com formação para praticar este tipo de terapia, não tendo sido encontrados em número e diversidade suficientes. Resultado: este excelente e interessante projecto não chegou a ser posto em prática.

Esperemos que a luta que agora se trava, relativamente aos apoios destinados às Instituições de apoio à pessoa com deficiência, tenha um bom fim, diferente do projecto que não chegou a ver a luz do dia. E, já agora, esperemos que a curto prazo, este possa também vir a concretizar-se, e possamos ter, como tantos outros países, instituições onde a TAA é uma realidade acessível a todos. Dê o seu apoio!

Inês Felisberto (Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação)


Avaliação da acção - Multideficiência no contexto educativo

Adaptar o ensino regular da escola a alunos com multideficiência, é um problema educativo emergente, ao qual deve ser dada mais atenção de modo a ser possível criar meios de ensino, técnicas e condições físicas, que permitam um ensino com qualidade a estas crianças de modo a não se sentirem excluídas. Com a escola inclusiva cada vez mais se assiste à integração de crianças e jovens, com limitações mais ou menos acentuadas, em turmas regulares e esta inclusão é um desafio para os professores pois têm que adaptar o processo de ensino-aprendizagem e individualizá-  -lo de forma a fazer face às limitações e necessidades deste tipo de alunos.

Por outro lado são igualmente necessárias infra–estruturas adequadas que permitam o acesso destes alunos a essas escolas e, talvez o mais importante, é fundamental que a sociedade, em geral, esteja preparada para acolher e aceitar efectivamente estes indivíduos.

 

Lucilia Cardoso (Professora)


Avaliação da acção - TAA

Através da escolha da primeira frase e de acordo com a minha formação e investigação na área da Terapia Assistida por Animais envio a minha opinião sobre a temática em avaliação. Saliento ainda que como Psicóloga de formação cabe-me referir outros aspectos que não estão implícitos na temática, não querendo, no entanto, ser demasiado expositiva, mas que tal reflexão sirva como um artigo de reflexão para este tema que agora parece começar a ganhar uma maior força no nosso País.

 

 

“O Contacto com os animais acalmam e descontraem a nossa mente”

                                                                    (Luís Miguel Rosa, 1995)

 

 

“ As pessoas pensam que a T.A.A. é um tratamento em que o animal faz de terapeuta. Nada poderia estar mais longe da verdade. Trata-se sobretudo, de uma psicoterapia em que a relação continua a ser de paciente e terapeuta, mas na qual o animal constitui uma ferramenta, isto é, um veículo de mediação entre os dois.“ (Gomes, 2002, p.30).

    

A Terapia Assistida por Animais (T.A.A.), surgiu segundo Salama (2005), desde a origem da humanidade, onde as relações dos humanos com os animais têm tido sempre um sentido que vai mais além da mera relação de alimentação e de utilidade para o progresso. Quando falamos da origem e da interacção entre humano e outras espécies animais, sabemos que esta sempre existiu com um fim muito superior ao da mera utilidade prática, quase sempre apenas são efectuadas referências às primeiras relações simbióticas que se produziram como uma necessidade primária de sobrevivência básica nas primeiras épocas.

A titulo de exemplo o homem beneficiou da companhia dos primeiros canídeos ao utilizá-los como sinalizadores para possíveis predadores, e por sua vez estes alimentavam-se dos desperdícios que produziam as primeiras populações humanas (Salama, 2002).

Mas é a partir da revolução industrial quando os animais começam a não ser tão necessários para as actividades da vida diária, e começa um processo que durará até aos nossos dias em que se há trocado a concepção meramente utilitária para passar a vê-los como seres amigos que formam parte do todo ecológico em que vivemos, e entender que as suas prestações podem resultar em benefícios mais além do plano material se soubermos interpretar os seus sinais e a sua maneira de ver a vida (Salama, 2005).

Apesar de poder parecer que os temas abordados se vão tornando distantes da frase supra citada e ponto fulcral desta reflexão  não resisto a referir que a TAA é muito diferente das actividades assistidas por animais, a principal diferença consiste em a TAA orientar o seu trabalho de uma forma projectada e rigorosa, em busca do alcançar de um comportamento desejado ou diminuir um comportamento indesejado. Tem um enfoque multidisciplinar que conjuga animais como auxiliares terapêuticos, criando propositadamente no trabalho com estes, intenções terapêuticas na rotina diária de uma pessoa ou grupos de pessoas com diversos problemas. As actividades assistidas por animais não significam que tenha de existir como finalidade o proporcionar de uma troca específica no comportamento humano, mas sim o proporcionar a melhoria da qualidade de vida.

Assim a Delta Society (2000), definiu que  a Terapia Assistida por Animais (TAA), trata-se de uma intervenção dirigida a um objectivo, na qual o encontro entre o animal torna-se parte integrante do processo de tratamento; é dirigida por um Profissional da área da saúde e está desenhada fundamentalmente para promover melhorias nas áreas Física, emocional e social respeitando o funcionamento cognitivo das pessoas. Pode levar-se a cabo desde uma ampla variedade de enquadramentos e pode realizar-se de forma individual ou em grupo. Todo o processo de tratamento deve ter uma avaliação e um registo do mesmo.”

A T.A.A. caracteriza-se por ser um tipo de terapia na qual não se utiliza a fala, nem a palavra para a resolução de problemas, não é um diálogo entre o terapeuta e o paciente, pois baseia-se na linguagem não verbal, na linguagem corporal, na qual as emoções estão implicitas, sobretudo aquelas emoções que são consideradas curativas de outras emoções, como a alegria, a sensação que a natureza nos transmite através do contacto com a mesma (Becker e Morton, 2003).

Segundo estudos realizados, a TAA pode produzir um impacto directo no Sistema Nervoso Central, mais especificamente no Sistema Límbico. O contacto com os animais induz a uma libertação de endorfinas que provocam sensações de tranquilidade, também o estimulo das células T e de outras hormonas que proporcionam o designado na frase em análise “acalmam e descontraem a mente”, produzem ainda outros efeitos tais como o permitir que se efectuem de uma melhor forma os movimentos corporais (para quem tem dificuldades nestes), o rir, o ser mais assertivo…  (Salama, 2005)

Desde 1872 que Darwin estudou a linguagem corporal dos animais e descobriu que estes mostram diversos níveis de graduação no que concerne à emoção, passando pela angústia e pela tranquilidade… pode parecer absurdo, mas tal estudo teve como base primordial a mímica do seu rosto. (Salama, 2005)

A comunicação com os animais pode ser instintiva ou aprendida, é importante ter em conta que todos os elementos que os animais utilizam para comunicar entre si, estão contidos na linguagem humana, principalmente os do plano verbal. Devido a tal situação pode existir comunicação entre uma pessoa e um animal e nesta serem transmitidas emoções, sentimentos, necessidades… (salama, 2005)

El uso de animales en terapia es una inversión del proceso de domesticación.  Ésta facilitó la civilización. Hoy se tratan pacientes con animales para poder civilizarles y para que sean capaces de funcionar en nuestra cultura.” (Joel S. Savishinsky, 1983)

Las terapias con animales hacen uso del amor incondicional que las mascotas le entregan a sus dueños como uno de los principales medios para la curación.  “Los animales de compañía constituyen una fuente inagotable de calor, seguridad, y amor incondicional que nos llevan directamente a nuestra infancia, al cariño protector que nos prodigaban nuestros padres” (Estivill, Sara; 1999). 

Em geral, todos os seres humanos podem estabelecer relações que são bidireccionalmente terapêuticas com os animais. Segundo Coelho (2004), a T.A.A. consiste numa interacção entre um terapeuta especializado no tema, um animal bem cuidado e uma pessoa que pede ajuda, desde que se considere que o animal a pode ajudar.

No trabalho com os animais a pessoa adquire confiança nas suas relações interpessoais e evita relações de dependência, pois aprende a contactar de uma forma verdadeira através de um meio natural. Este trabalho pode ser terapêutico, entre outras coisas, porque é realizado através de uma actividade que pode recapturar e fazer reviver o instinto base com o qual nascemos de uma maneira directa e simplificada, é dizer que podemos experimentar de uma forma natural e livre os sentimentos de amor, compaixão, estabelecer vínculos afectivos, confiança, honestidade, sentimentos estes que estão presentes no nosso sistema social (Coelho, 2006).

Segundo Gomes (2002), a Terapia Assistida por Animais encontra-se demarcada por novas correntes holísticas e ecológicas que promovem um maior contacto com a Natureza, na sua manifestação tanto vegetal como animal, podendo ser uma ajuda para momentos de crise dos indivíduos, como também para o ser humano em geral tanto na doença como no sofrimento.

Desta forma os animais devolvem o sorriso a uma pessoa deprimida, estimulam o carácter social de alguém que é tímido e apresenta bloqueios afectivos, ajudam no controlo de impulsos violentos para quem apresenta este tipo de problemática, baixa a tensão arterial e relaxa os indivíduos mais nervosos, e sobre tudo ajudam as pessoas a aceitar-se a si mesmas tal como são,  devido ao facto de os animais nos aceitarem como somos. Podemos ser gordos, magros, altos, baixos, ricos, pobres, inteligentes ou menos inteligentes, pessoas com êxito ou sem ele (Coelho, 2004).

Existe uma espécie de “troca terapêutica” através de muitos sinais subliminares que comunicam directamente com o nosso inconsciente. Os animais induzem-nos a um estado alterado de consciência curativo, pois por vezes “hipnotizam-nos” de forma a abstrairmo-nos da realidade quotidiana que nos envolve na qual perdemos um pouco o rumo (Coelho, 2004).

Com os animais pode-se tranquilizar o inconsciente, isto porque segundo Coelho, (2006) grande parte das neuroses têm que ver com o confronto do sistema emocional com o intelectual dos indivíduos, onde existem desejos e impulsos que entram em conflito com a racionalidade, e desta forma, aparecem os sentimentos de culpa, depressões, ansiedade e inclusive doenças mais graves. Logo os animais ajudam-nos a aceitar as coisas de uma forma mais sensata. Aceitando o nosso presente tal como ele é sem que exista a necessidade de fazermos demasiadas perguntas. Quando vemos a vida com mais sensatez tornamo-nos mais felizes.

Segundo Coelho (2004), todos os seres humanos podem estabelecer relações que são bidireccionalmente terapêuticas com os animais. Daí os animais considerados como terapêuticos, pela sua disponibilidade para efectuar terapia são os seguintes:

Os golfinhos, pois transmitem-nos os seus sons de ondas alfa e também a sua “ecolocalização” (mediante o seu recurso natural eles utilizam esta ecolocalização para capturar presas e reconhecer outros elementos da mesma espécie). No que concerne ao seu “sonar” estes emitem sons que influenciam directamente o nosso sistema nervoso, primeiro efectuam uma espécie de radiografia para verem como estamos, e no momento mais adequado emitem ondas que nos fazem sentir mais satisfeitos.

Os cães adoptam uma atitude mais afectiva onde se estreita um grande apego pelo ser humano, (sem querer efectuar juízos de valor). São lúdicos, brincalhões e estão sempre fiéis ao nosso lado durante toda a vida. Acariciar um cão ou um gato baixa a tensão arterial, a frequência respiratória e por conseguinte as batidas cardíacas. (Os cães fomentam a amizade nos seus donos e a responsabilidade do seu cuidado nos seus filhos.)

Os gatos ensinam-nos a estar relaxados, visto que o gato poderá estar a dormir, mas ao mesmo tempo está atento ao que se passa em seu redor, não existem gatos stressados e o seu ronronar fomenta as emoções positivas, sendo esta a forma de demonstrar os seus sinais de afecto, sendo  bem recebidos pelos seus donos são recomendados a pessoas que se sintam muito sós e não possam dedicar muito do seu tempo a cuidar dos mesmos.

Os animais de quinta têm muito medo, ou seja, quando alguém consegue tranquilizar um animal de quinta está também a tranquilizar-se a si mesmo. Acariciar um coelho, ou uma galinha pode tornar-se complicado, mas há que ter confiança para o fazer, quando tal se consegue torna-se um bom método para as pessoas tímidas, introvertidas e que procuram expandir-se.

Contudo podem também ser estabelecidas relações com outros animais, as relações dos seres humanos com os papagaios e outras aves entre outros, saliento os cavalos,  nobres e de grande dignidade, não se humilham para pedir afecto, daí que há que conquistá-los para que se ganhe a sua confiança. O seu enorme tamanho e poder, assim como as características da sua personalidade tornam-nos especialmente elementos terapêuticos e é neles que tenho centrado todas as minhas pesquisas, no âmbito da Hipoterapia e das crianças com Necessidades Especiais.

 

Referências Bibliográficas:

 

 

Becker, M. & Morton, P. (2003). El poder sanador de las mascotas. Madrid: Editorial Norma.

 

Coelho, A. (Comp.)  (2004). A viagem do Sr. Down pwlo mundo da Hipoterapia. I Congresso Ibero-Americano e III Congresso brasileiro de equoterapia. Salvador da Bahia: ANDE

 

Coelho, A. (2004). A viagem do Sr. Down pelo mundo da Hipoterapia: estudo da Hipoterapia em crianças com síndroma de down. Tese de licenciatura Instituto Piaget.

 

Coelho, A. (Comp) (2006). A terapia Assistida por Animais, Curso realizado na Associação Equestre Micaelense. São Miguel, Açores.

 

Cudo, C. (Comp.) (2002). A importância da motivação para a vida e como meio facilitador para resgatar a auto-estima. II Congresso Brasileiro de Equoterapia. São Paulo: ANDE.

 

Gomes, N. (Comp.) (2002). Estudo correlacional entre equoterapia – independência funcional – autonomia pessoal em crianças comparalisia cerebral. II Congresso Brasileiro de Equoterapia. São Paulo: ANDE.

 

Estivill Sara (1999) “La terapia con animales de compañía convivir con mascotas: como benefician a las personas”  Madrid: Tikal

 

Robinson I. (1995) “The Waltham book of Human-Animal Interaction: benefits and responsibilities of pet ownership” Oxford: Pergamon

 

 

Salama, I. (2005). Curso de Psicoterapia Assistida por Animais, realizado em Piedralaves, Ávila- Espanha.

 

Delta Society (2000). [online]. Avaible: <http://www.deltasociety.org/AnimalsHealthChildrenChildren.htm>. (20 Fevereiro 2004).

 

Salama, I. (2000). T.A.C.A ( terapia asistida con animal ). [online]. Avaible: <http://wwwisabelsalama.com/page3.html>. (25 de Outubro 2002).

 

Áurea Canas (Psicóloga)


Avaliação da acção - TAA

“ A sociedade deve abrir as portas a terapias alternativas que apresentem resultados comprovados junto dos seres humanos e que representem um baixo custo...”

(Sílvia Andrade 2001)

 

Infelizmente, vivemos numa sociedade altamente tóxica, na qual se acredita que as doenças somente têm solução (quando têm) através de químicos, de medicação e de terapias vulgares e correntes. Tal facto fecha os horizontes da nossa sociedade, impedindo-a de conhecer e beneficiar das terapias alternativas.

Está provado cientificamente que a relação terapêutica entre animais e humanos traz benefícios para a saúde, no entanto, ainda será necessário desenvolver pesquisas nesta área.

A pele é o maior órgão do corpo humano e a mais complexa fonte sensorial que envia informações ao cérebro. Não só informa o toque, mas também a dor, temperatura e pressão. Com base nestas informações combinadas, o cérebro liberta hormonas endócrinas que, em última instância, controlam o sistema imunológico. Um cérebro confuso e ansioso envia mensagens desordenadas, confundindo o sistema imunológico. Um cérebro relaxado e equilibrado permite ao corpo e à mente trabalharem em actual harmonia. Esse mecanismo explica o porquê do sentimento de amor ter um poder de cura.

Estudos efectuados demonstraram que os proprietários de cães e gatos apresentavam valores de colesterol e níveis de factores de risco para doenças cardiovasculares significativamente mais baixos do que os não proprietários. Estudos mais recentes indicam que a interacção homem-animal implica, favoravelmente, níveis de lípidos no sangue, glicose, bem como influencia positivamente a produção pelo corpo de substâncias que impulsionam o sistema imunológico e ajudam no alívio da dor, dando uma sensação de bem-estar.

É impressionante perceber que o nosso organismo transmuta e cria substâncias químicas a partir das emoções geradas pelo contacto com os animais e que eles também podem ter o seu metabolismo alterado positivamente por nós. Acima de tudo devemos ver os animais com respeito e como grandes companheiros e amigos!

Se se tiver as condições necessárias para possuir um animal de estimação, basta passar pelo canil ou gatil, por exemplo, e adoptar um fiel companheiro para vida. (Recomendo a leitura de Terapia & Animais (2005), Noética Editores, de Jerson Dotti)

 

Inês Santana (Psicóloga)

Avaliação da acção - Formação pessoal e preparação para a vida activa

“As escolas deveriam munir-se de recursos que permitissem uma formação sustentada a todos os alunos incluindo aqueles que têm nee.”

(Francisco F. Lemos 1999)

 

 

De acordo com Hegarty e col. (1984, cit. por Correia, 1999), para determinar as adaptações curriculares a realizar e para seleccionar os ambientes educativos específicos em que o processo ensino-aprendizagem virá a ter lugar, o professor deve, sempre que possível, equacionar os seguintes aspectos:

1.     As características e necessidades individuais do aluno: a) dar prioridade ao ensino referente a tudo o que o aluno pode compreender, diminuindo as desvantagens resultantes do problema; b) excluir as actividades que possam ser perigosas para o aluno, atendendo às suas limitações; c) excluir do currículo tudo o que represente um ganho limitado e tenha pouca importância para o aluno.

2.     Tipo de matéria (área, disciplina, bloco de conteúdos) e tipo de actividades de aprendizagem: a) dar prioridade aos tópicos curriculares mais básicos, tais como a leitura, a escrita, a numeração, as habilidades sociais, entre outros; b) dar especial ênfase aos trabalhos e conteúdos de alta componente prática, como por exemplo actividades que não exijam elevado nível de competências de abstracção; c) dar ênfase ao ensino relacionado com determinados conteúdos que depois podem facilitar o acesso a aprendizagens diversas nos contextos educativos mais regulares.

3.     Manutenção de um equilíbrio no currículo: a)o currículo do aluno com NEE deve apresentar um equilíbrio entre aspectos académicos e práticos, entre aspectos educativos, com carácter geral, e aspectos de preparação específica para a vida activa.

4.     Considerações pedagógicas: a) o aluno com NEE pode participar em situações de aprendizagem (aulas, grupos grandes, etc.) regulares se dispuser de determinadas ajudas pessoais (actuações específicas do professor de apoio, etc.) nestas situações; b) o aluno com NEE também pode progredir em situações menos habituais no ensino regular (pequenos grupos, fora da classe regular), libertando tempo para dedicar à aprendizagem de outros blocos curriculares. Este aspecto deve estar presente na elaboração do currículo do aluno com NEE, mas a decisão este ponto não é fácil, tendo de se ponderar com rigor as vantagens e os inconvenientes; c) usar apenas critérios baseados no ‘valor do tempo’ pode exagerar a consideração do ‘ganho limitado’ e justificar com argumentações de aspectos aparentemente pedagógicos a restritividade, quiçá não tão necessária, do currículo que se propõe para um determinado aluno.

5.     Factores locais: a) as possibilidades de acesso físico que a escola oferece; b) os maiores ou menores conhecimentos e formação dos professores e pessoal especializado; c) as dificuldades práticas para articular os horários dos serviços educativos e dos não específicos.

Inês Santana (Psicóloga)


Avaliação da acção - Multideficiência no contexto educativo

De um modo geral, podemos caracterizar os alunos com multideficiência como indivíduos portadores de duas ou mais limitações associadas e, muitas vezes, uma dessas limitações é cognitiva e repercute-se na aprendizagem.

Adequar o ensino regular da escola a alunos com multideficiência, coloca aos professores grandes desafios e dificuldades pois, a especificidade das necessidades educativas destes alunos, implica uma formação especial dos professores, adaptação de estratégias, conteúdos e materiais no processo de ensino-aprendizagem e um apoio de técnicos especializados. Para estes alunos, a escola deve ser um local que lhes permita uma efectiva aprendizagem de conteúdos úteis para o seu dia-a-dia, pois, a principal prioridade, deve ser a sua preparação para uma vida futura com qualidade. Por conseguinte, o professor deve fomentar o mais possível a relação entre pares (os alunos ditos normais, são uma grande ajuda para os colegas com multideficiência) e proporcionar a estes alunos, um ambiente de aprendizagem que seja estimulante, seguro, motivador e adequado às suas competências.

 É também fundamental que a Escola seja, cada vez mais, um espaço onde predominem valores como a tolerância, respeito pela diferença e sua aceitação plena e que esteja aberta a outros contextos que, tradicionalmente, não intervêm directamente nas aprendizagens escolares, nomeadamente a família e a comunidade. Estes são contextos de aprendizagem fulcrais para alunos com estas características, não só por proporcionarem experiências funcionais em contexto real mas também porque, terminado o percurso escolar do aluno, é nestes dois espaços que o jovem estará inserido.

Ana Galveia


 

Avaliação da acção - Multideficiência no contexto educativo

Hoje em dia com a inclusão da criança diferente nas escolas, todos nós somos colocados perante um desafio constante.

         Aprovo esta medida, porque como funcionária de uma escola EB 2,3, onde sempre existiram este tipo de alunos, é a prova evidente de que eles se inserem muito bem na comunidade e reciprocamente são muito bem aceites pelos restantes alunos.

         A escola deve oferecer qualidade de ensino para este tipo de alunos com currículos que apresentem diversidade e condições para que cada aluno consiga envolver-se com as suas limitações no processo de aprendizagem.

         Tem que ser um trabalho corroborativo que envolva todos os intervenientes na sua educação: família (que quase sempre necessita de apoio) os profissionais de educação, da saúde e da segurança social.

         No nosso campo os profissionais da educação devem estar preparados para responder às suas diferenças individuais.

         Sendo a comunicação o principal meio de relacionamento humano, estas crianças têm sempre algumas limitações e a qualidade e quantidade de informação recebida e percebida é normalmente limitada e distorcida daí a mundo para estes indivíduos ser diferente.

         As principais necessidades são:

                 - Apoio intensivo quer na realização das actividades da vida diária, quer na aprendizagem.

                - Terem parceiros que os aceitem como parceiros activos.

                - Vivências idênticas em ambientes diferenciados.

                - Ambientes comuns onde existam oportunidades significativas para participar em múltiplas experiências diversificadas.

                - Oportunidade para interagir com pessoas e com objectos significativos.

 

         A resposta educativa para com os alunos com multideficiencia não difere no essencial da desenvolvida com todos os outros alunos na medida em que a inclusão ma comunidade e a qualidade de vida são objectivos comuns a todos os seres humanos. Em síntese devemos fazer com que as actividades façam sentido para o aluno e tenham em consideração as suas capacidades e as suas necessidades.

         Muito mais haverá para dizer, mas de momento como é a 1ª acção que faço deste modo não sei se o conteúdo será suficiente mas estou ao dispor para tudo o que me for pedido.

Maria João Lima e Silva


 

 

Avaliação da acção - Multideficiência no contexto educativo

Receber um aluno com multideficiência na turma representa um esforço adicional exigido ao professor. São alunos que além da deficiência mental apresentam ainda outras nos domínios motor ou sensorial. É necessário, portanto, contornar as suas limitações e desenvolver estratégias que permitam à criança interagir com o seu meio e com os outros.

Uma criança com multideficiência exigirá maior atenção por parte do seu professor, nomeadamente ao nível da comunicação. A criança pode apresentar necessidades mais ou menos prementes conforme o problema que a afecta e será um desafio para o professor que, além das suas necessidades educacionais, terá de se ajustar às suas eventuais necessidades físicas/médicas e emocionais.

Ana Rita Peixoto


 

Avaliação da acção - Multideficiência no contexto educativo

Um olhar sobre a Muldifeciência

 

 

            Multideficiência???????? Afinal o que será isto? Bem existem várias definições, umas mais amplas e outras mais restritivas, umas mais agradáveis (à primeira vista) e outras mais desagradáveis, umas mais técnicas e outras mais “populares, …poderia escrever dez ou quinze páginas apenas com definições, mas parece-me que não é isto que nos interessa, pelo menos a mim não é. Eu não estou tão preocupada com as definições (com se calhar deveria ou poderia estar) a mim preocupa-me sobretudo a acção. Sim a acção, a minha, a dos restantes membros da Comunidade educativa, a da sociedade, a dos médicos, a dos políticos…. e sobretudo a do individuo com multideficiência.

            Como docente tenho-me confrontado ao longo da minha vida profissional com inúmeras dificuldades no respeitante à acção com alunos com multideficiência, a teoria eu sei, conheço e se achar que devo saber mais acreditem que sei como procurar, como ter acesso à mesma, agora o que eu não sei é como agir, como actuar senão na perfeição pelo menos com um bom desempenho. Diziam-nos na introdução que “Perspectivar a educação de alunos com multideficiência é um desafio.” E realmente eu concordo mas considero que actualmente este desafio se estende ao alunos sem qualquer deficiência, bem mas não é isto que nos interessa agora. Realmente perspectivar a educação de alunos com multideficiência é não só um desafio mas sim muitos desafios, quando o fazemos temos de desafiar constante e permanentemente tudo e todos. Temos de desafiar em primeiro lugar a nossa própria pessoa e o aluno, em seguida a família (sem a qual todo o trabalho será muito mais árduo e até – muitas das vezes - infrutífero), temos de desafiar os restantes alunos da turma e da escola, os funcionários, os encarregados de educação, a Comunidade Educativa….bem realmente são muitos desafios mas, só desta forma, teremos a plena realização e atingiremos metas no ensino dos alunos com multideficiência.

            Cada um destes alunos, tal como cada uma das pessoas do mundo, é um ser diferente quer interior, quer exteriormente, e muitas das vezes o nosso maior desafio é olhar o exterior com outros olhos, ou melhor é esquecer o exterior. Quantas vezes enganados, atraídos, centrados no aspecto exterior considerámos que aquele aluno não conseguirá atingir os objectivos a que nós docentes, conselho de turma, família nos propusemos, não conseguirá vencer os desafios que temos em mente, e frequentemente (senão permanentemente) esquecemos que ali está alguém que acima de tudo tem DIREITOS, direito à vida de forma plena, activa, integrada, direito a aprender, direito a ensinar e que essencialmente é alguém que interiormente certamente têm muita coisa que lhe vai permitir vencer os nossos e sobretudo os seus desafios.

            No meu entender o aspecto exterior limita muitas vezes a nossa acção, somos seres humanos e estes têm, tal como sempre tiveram, medo da diferença, por isso considero que a maior parte das vezes o maior desafio é a imagem que vemos/temos da criança/aluno. Temos de esquecer esta imagem e pensar nele com qualquer outra criança/aluno, as necessidades, os direitos (no essencial) são os mesmos e como tal tudo se resume (na minha opinião) a conhecer e reconhecer o mais profundamente o nosso aluno e a tentar de acordo com as suas características (especiais, diferentes é certo) tentar proporcionar-lhe uma educação e aprendizagem o mais próxima possível daquela que proporcionámos aos outros pois só desta forma ele poderá inserir-se na turma, na comunidade e sobretudo na sociedade.

            È claro que não podemos, de forma alguma, ensinar tudo e sobretudo da mesma forma, temos de respeitar as suas características, as suas necessidades, o seu ritmo, as suas limitações e valorizar tudo o que estes alunos têm que nos permitirá atingir a meta e vencer os nossos desafios.

            E para concluir: É realmente um desafio perspectivar a educação de alunos com multideficiência mas o que seria a vida de um ser humano sem desafios?

Maria Rosária  Carrilho (Professora)


 

Avaliação da acção - Multideficiência no contexto educativo

Na área da Multideficiência é essencial a planificação. Ao planificarmos a intervenção devemos ter presente os princípios orientadores que deverão constar no trabalho a desenvolver junto de uma criança com multideficiência.

Seguindo a ideia de Nunes (2004) para planificar é fundamental ter em atenção a escolha das rotinas, devendo estas serem significativas para a criança, importantes para o seu desenvolvimento e úteis para a sua vida actual e futura.

Esta planificação implica também que a realização das aprendizagens sejam seleccionadas tendo por base a sua funcionalidade, a frequência com que são usadas e as prioridades familiares.

Assim torna-se pertinente definir os objectivos a alcançar e delinear o que é prioritário para a criança Multideficiente, pois só deste modo é que a criança poderá fazer as aprendizagens.

É fundamental intervir ao nível da comunicação pois é através do desenvolvimento das competências comunicativas que a criança/jovem terá oportunidades de receber e transmitir não só informação como também interagir com pessoas e objectos, princípios determinantes no processo para a aprendizagem e desenvolvimento.

Parafraseando, Barbara McLetchie, os alunos com incapacidades múltiplas não estão limitados naquilo que podem aprender. Estão limitados, sim, por aquilo que nós lhes ensinamos!

Carla Pinheiro


 

 

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