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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - Formação pessoal e preparação para a vida activa

“ (...) é óbvio que todos os alunos em risco, assim como aqueles que são portadores de deficiência deveriam ser encaminhados para planos de formação dentro das próprias escolas.”
(Rosa Marques Monteiro 2006)

Os jovens com necessidades educativas especiais devem ser apoiados
para fazerem uma transição eficaz da escola para a vida activa, quando adultos.
E essa preparação deve realmente ser feita na escola, em parceria com a família e com a comunidade.
O jovem com deficiência ou em risco social como qualquer outro jovem, deve ser visto como ser activo, capaz de cuidar das suas necessidades pessoais e colaborar nas actividades da casa e na comunidade.
Os tipos de recursos ou a organização da escola não devem interferir ou impedir que se realize tal processo. A transição da escola para o emprego deve implicar uma contínua participação do aluno, o envolvimento das famílias, a coordenação entre todos os serviços envolvidos e uma estreita colaboração com o sector do emprego (European Agency for Development in Special Needs Education, 2002).
As escolas devem ajudá-los a tornarem-se activos economicamente e necessários à vida, oferecendo-lhes uma formação nas áreas que correspondem às expectativas e às exigências sociais da vida adulta.
Porém nem sempre este processo decorre com sucesso, em teoria os alunos com necessidades educativas especiais beneficiam das mesmas escolhas educativas que os seus colegas mas, na prática, apenas lhes são oferecidos programas orientados para a segurança social ou para trabalhos de baixo salário (OCDE,1997). Eles não estão, necessariamente, interessados nas escolhas que lhes são propostas e os programas educativos e de formação nem sempre correspondem aos seus interesses e necessidades. Isto coloca-os numa situação de desvantagem face ao mercado normal de trabalho (ILO, 1998).
Tornar os programas educativos mais relevantes e adaptados aos alunos poderá ser uma solução para vários problemas incluindo aqueles com que se confrontam na fase de transição (European Agency for Development in Special Needs Education, 2002).
É urgente que se repense como conseguir uma aprendizagem significativa, que planos de formação deve a escola eleger, que conteúdos, que estratégias funcionais devem ser postas em prática para os nossos alunos.
John Dewey, filósofo pragmático colaborador da Escola Nova, baseia-se no “pressuposto de que a aprendizagem está intimamente ligada  a vivência onde o consenso deve estar presente no dia-a-dia do aluno e para tanto os conteúdos escolares devem  trabalhar numa situação próxima do real em ambientes naturais onde simultaneamente o aprender e o fazer estejam intimamente ligados.”
A escola precisa de encontrar estratégias funcionais que desenvolvam habilidades necessárias nas áreas de vida individual e sociais passíveis de uma efectiva inclusão social independente.
Os nossos jovens carecem de informações práticas e naturais que favoreçam a aquisição de habilidades comuns inerentes ao seu bem estar físico, emocional e que possibilitem uma vivência o mais independente possível. Neste sentido os nossos alunos devem “ser encaminhados para planos de formação dentro das próprias escolas.”


Referencias Bibliograficas
O Enquadramento de Salamanca para a Acção (UNESCO, 1994)
(European Agency for Development in Special Needs Education, 2002
(OCDE,1997)


Professora Manuela Esteves


Avaliação da acção - A multideficiência no contexto educativo

Da minha pequena experiência enquanto docente de Educação Especial, posso desde já concluir que o sistema educativo não inclui em plenitude crianças com Necessidades Educativas Especiais, começando pela legislação em vigor, passando pelas escolas, profissionais educativos e comunidade em geral.

No que concerne a legislação, podemos considerar que abrange todos os aspectos essenciais às boas práticas educativas e inclusivas mas, na realidade, é demasiadamente ambígua, dando espaço a possíveis adaptações e interpretações. Para além disso, constitui mais uma prova de que quem redige as leis não conhece a realidade das escolas. Com o Decreto-lei n.º 3/2008, de 7 de Janeiro, pretendia-se uma actualização da lei, que contemplasse as novas necessidades dos alunos, dos pais/encarregados de educação e das escolas, promovendo a inclusão. Surgem novos conceitos como a "Unidade de Ensino Estruturado" e "Unidade de Apoio a Alunos com Multideficiência e Surdocegueira". Algumas escolas aderiram a estes novos conceitos e, com isso, receberam verbas que permitiram equipar salas e torná-las o mais eficientes possível de forma a receber e atender alunos que, anteriormente estariam inseridos em centros criados com esse único objectivo. Ao precipitarmo-nos sobre esta ideia da criação de Unidades, deparamo-nos com imensas situações que, embora legisladas, não são cumpridas, como por exemplo, a inexistência de uma equipa de técnicos especializados (Psicólogos, Terapeutas da Fala, Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas e Assistentes Sociais); a falta de resposta a estes jovens quando ultrapassam a idade permitida para frequência da escola; entre outras.

Quanto às escolas, embora surjam novos modelos de edifícios escolares, a maioria ainda não possui adequações estruturais de forma a permitir o acesso a alunos com Necessidades Educativas Especiais, bem como os equipamentos necessários ao seu bem-estar e participação activa no contexto escolar. Para além disso, o atendimento a estes alunos Especiais, requer profissionais informados e sensíveis às suas problemáticas e necessidades, o que nem sempre se verifica, por razões várias.

Relativamente aos pais/encarregados de educação, estes constituem um elemento fundamental para a inclusão e desenvolvimento global dos alunos, devendo, para isso, acompanhar, colaborar, partilhar e complementar todo o processo educativo dos seus educandos.

Em suma, Portugal ainda não está totalmente preparado para a "inclusão", basta observar as inúmeras barreiras estruturais e culturais que ainda subsistem. Estamos longe do ideal, mas espero sinceramente, que continuemos todos a lutar para que melhores condições sejam criadas e para que mentalidades e culturas sejam "renovadas".

Andreia Moreira (Docente de Educação Especial)