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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

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Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação Individual da Acção - Formação Pessoal e Preparação para a Vida Activa

«As escolas deviam munir-se de recursos que permitissem uma formação sustentada a todos os alunos incluindo aqueles que têm nee»

 

Para mim foi difícil a escolha da frase para comentar uma vez que as três se interligam. O que me levou a optar pela primeira foi o facto de, o significado das outras duas não se poder concretizar sem que o significado daquela seja uma realidade.

 Ora, o que constata quem vive os problemas das escolas por dentro é que as mesmas não têm meios para garantir uma formação sustentada aos alunos ditos “normais” e, por conseguinte, muito menos a alunos com NEE. Julgo, contudo que o problema não reside nas escolas. Os Conselhos Executivos e os professores, na sua maioria, são empenhados e preocupam-se com a formação e sucesso educativo dos seus alunos. Mas o que nós verificamos hoje nas escolas é que existe um tremendo trabalho burocrático e que o tempo que resta para a componente lectiva, em muitos casos, é um tempo sem qualidade tanto para alunos como para professores. Professores cansados descontentes com as medidas do Ministério da Educação, desmotivados, desautorizados, doentes, de rastos… até à morte!

O Ministério da Educação é que deveria munir as escolas de recursos materiais e recursos humanos valorizados e motivados para o desempenho da tarefa de ensinar as crianças e jovens. Relativamente aos alunos com NEE o que me apraz dizer, é que vivemos num país do “faz de conta.”A inclusão social e, consequentemente, a escolar são uma miragem. A igualdade de oportunidades está longe de existir. Há zonas geográficas do país em que a pobreza teima em persistir. É desta pobreza (paradoxalmente as famílias que têm mais filhos) que advém a maior parte de alunos com NEE. Alunos que demoram trinta ou mais minutos para apanharem o transporte escolar, com noites mal dormidas, que se levantam cedo de mais, com mochilas pesadíssimas, transportados como sardinhas em lata, sem pequeno almoço, que no Inverno chegam à escola com a roupa ensopada em água e a morrer de frio, sem condições físicas e mentais para receberem os ensinamentos dos professores.

A escola reflecte a sociedade e vice-versa e jamais chegaremos a uma verdadeira inclusão sem o empenho de toda a sociedade (mais propriamente os organismos competentes para o efeito) que se comprometa num trabalho cooperativo que actue nas escolas e nas famílias tantas delas disfuncionais. Nas escolas faltam condições físicas: espaços/oficinas pedagógicas faltam equipas pluridisciplinares que garantam a inclusão das crianças com NEE.

As reformas no ensino sucedem-se sem que, porventura, alguma tenha sido plenamente praticada. Quanto à legislação relativa à Educação Especial, o Dec-Lei 3/2008 de 7 de Janeiro, veio substituir o Dec.~Lei 319/91 de 23 de Agosto, que, em minha opinião, (salvo uma ou outra falha) era um bom suporte de trabalho e que, na prática, não foi “levado à letra” quer por conveniência quer por ignorância.

Não se assumem os riscos de uma formação/inclusão para os alunos com NEE porque, em meu entender, vive-se em função dos lucros imediatos. O próprio Governo e o Presidente da República querem ver resultados, pouco importando os processos. Finalmente, e passando-me pela cabeça o sucesso/insucesso dos alunos e a avaliação dos professores, chego à conclusão de que os cálculos até podem estar certos mas os resultados nunca poderão ser fiáveis quando partimos de premissas erradas.

 

Autoria: Dolores Mota (Professora)

Data: Janeiro de 2008

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