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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação Individual da Acção - Formação Pessoal e Preparação para a Vida Activa

“As escolas deveriam munir-se de recursos que permitissem uma formação sustentada a todos os alunos incluindo aqueles que têm nee .”
(Francisco F . Lemos 1999)

As razões que justificam a escolha de comentário a esta frase, prendem-se com o facto de que, efectivamente, o enfoque principal que considero dever ser prestado quando se fala de inclusão (e não integração) deve basear-se na análise dos recursos materiais e humanos que temos para oferecer aos nossos alunos, quer se trate de alunos de currículo “normal”, quer de currículo diferenciado.
Efectivamente, desde há muitos anos que, a nível internacional e nacional se considerou que a inclusão é positiva. Beneficiam os jovens com “problemas” e beneficiam os jovens ditos “normais”. No entanto, o que assistimos após todos estes anos de ensino massificado e de criação de Leis de protecção aos jovens com limitações acentuadas, é que, tudo se fica pelo papel e no mero campo das intenções. Não basta dizer-se que os jovens e suas famílias têm direitos iguais, é necessário colocar os meios à sua disposição para que tal seja uma realidade. Ora, não foi isso que vimos acontecer nas nossas escolas.
As velhas escolas por aí proliferam, o “mestre” continua a ensinar a todos como a um só, com os mesmos quadros velhos, e os mesmos apagadores… e a mesma formação de professores. O que vimos mudar foi o encher desses espaços com mais e mais jovens! Vieram aqueles que antes não podiam vir à escola por dificuldades financeiras; vieram os que, por possuírem limitações eram à partida excluídos, e , vieram ainda, os que não se revendo nas aprendizagens académicas, procuravam aprendizagens para a vida através dos saberes profissionais.

O sistema político não apostou na adaptação/modernização do espaço escolar que agora acolhe obrigatoriamente todos os alunos. Chamou-os à escola elevando os números dos alfabetizados, mas obriga todos a cumprir o mesmo currículo, mantendo uma organização curricular que tem por meta a entrada na universidade.

Não apostou nas diferentes especificidades de cada população escolar, continuando a privilegiar uma formação estritamente académica e afunilada, na qual não se revê a esmagadora maioria dos nossos alunos. Ou seja, os jovens são obrigados a aprender o que não gostam, mas, mais grave do que isso, é serem obrigados a aprender aquilo que não são capazes. Portanto, acabam excluídos dum sistema que não lhes diz nada, não os ajuda a procurar caminhos, não forma (mas tenta enformar), não cumpre o seu papel fundamental que é educar a todos de forma justa e democrática, promovendo a integração social dos mesmos e a sua participação activa na sociedade.

Quando pensamos em “recursos e formação sustentada”, devemos ainda pensar em mudanças políticas que prevejam a criação de currículos diferenciados, com professores e técnicos de diferentes vertentes; na criação de espaços diversisficados e adequados às necessidades específicas de aprendizagem, e ainda na participação activa do meio local, que deve ter um papel altamente participante na definição das políticas educativas locais.

Autoria: Manuela Cruz (Professora)
Data: Janeiro de 2008