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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação Individual da Acção - Formação Pessoal e Preparação para a Vida Activa

“As escolas deveriam munir-se de recursos que permitissem uma formação sustentada a todos os alunos incluindo aqueles que têm nee.”

(Francisco F. Lemos 1999)

“O risco de uma formação que contemple alunos com nee não é assumido pela sociedade.”

(Arminda Lourenço 2002)

 

 

A problemática da inclusão é um fenómeno relativamente novo na nossa sociedade. Actualmente, o que se verifica no contexto nacional é mais uma integração, na qual estão “colocados” ou “inseridos” todos os alunos no mesmo espaço educativo. No entanto, o âmbito da inclusão é muito mais abrangente e não se limita à partilha do mesmo espaço físico, mas sim do acesso às oportunidades e do conhecimento e das experiências.

Normalmente colocamos a tónica na escassez e inadequação dos recursos materiais e espaciais, mas por vezes negligenciamos a inadequação dos recursos humanos, principalmente dos professores.

Se por um lado, a formação académica universitária dos docentes não parece ser suficiente para dar resposta aos desafios que advém da integração e da tão desejada inclusão, por outro, as atitudes do professor face ao ensino de alunos com nee também em nada ajudam a implementação da filosofia inclusiva. Já vários estudos foram realizados em diferentes países, nos quais os resultados revelam que os professores não se sentem com competência suficiente para incluírem os alunos com deficiência nas suas aulas e uma das razões que apontam para esse facto prende-se com a falta de preparação académica e a falta de formação na área das NEE. Como educador, é fundamental que o professor tenha atitudes positivas que se reflictam em práticas inclusivas nas suas aulas, para que os alunos com e sem deficiência aprendam em conjunto e com êxito.

Penso que esta visão deveria ser melhor explorada, em especial pelos responsáveis pelos programas curriculares universitários, e mesmo do ensino básico, onde as imagens dos livros e  as histórias mostram sempre crianças, adultos e idosos sem deficiência… desde cedo deve introduzir-se a noção da diferença, que há meninos e meninas altos, baixos, magros, gordos, ruivos, morenos, amarelos, brancos, pretos, com e sem óculos, com muletas, com cadeira de rodas, que há jogos para meninos que vêem e que não vêem, que há desportos para pessoas em cadeira de rodas, com deficiência visual, com deficiência intelectual… e por aí adiante… A educação da diferença deve estar presente desde um dos primeiros pilares da socialização, a escola.

Quando se fala em barreiras nas nee remetemo-nos sempre para as barreiras arquitectónicas, mas nunca nos poderemos esquecer que, para a real implementação de práticas inclusivas, a sociedade deve abolir as suas barreiras sociais e psicológicas face à diferença e à deficiência. A sociedade tem de mudar! Mas “sociedade” somos nós, nós devemos assumir a nossa própria (in)formação e não apenas (des)esperar que o estado ou outra entidade providencie as ferramentas para lidarmos com os nossos desafios diários na escola e na vida.

Autoria: Maria João Campos (Professora)

Data: Janeiro de 2008