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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação Individual da Acção - Formação Pessoal e Preparação para a Vida Activa

 “ (...) é óbvio que todos os alunos em risco, assim como aqueles que são portadores de deficiência deveriam ser encaminhados para planos de formação dentro das próprias escolas.”

(Rosa Marques Monteiro 2006)

 

A educação das crianças sob o ponto de vista académico, tem sido alvo de teorizações e debates que se prolongam ao longo dos tempos. As temáticas são variáveis, consoante a linha de pensamento de quem as profere ou outros factores que as condicionam.

 
Assism sendo, desde algum tempo, o acervo em relação às questões relacionadas com a educação de crianças com Necessidades Educativas Especiais, tem sido um tema alvo de grande discussão.

 Como profissional que desenvolve a sua acção no âmbito da educação, e tentando ser breve na minha exposição, verifico que o próprio debate que se desenrola acerca da educação de crianças com N.E.E. afecta o modo como olhamos para esta esfera educativa e como agir perante estes alunos que requerem, sem sombra de dúvida, uma atenção redobrada na sala de aula.

Neste contexto, as políticas educativas aplicadas a esta dimensão educativa, nem sempre são claras e integradoras das diversas teorias que se proclamam no momento. E desculpem-me a falta modéstia: nem eu esperaria tal!

A dimensão política rege-se por cânones totalmente dispare dos da educação ou qualquer outro domínio. São mundos diferenciados que o pouco que têm em comum é a subordinação de um em relação ao outro. E se de facto tal acontece, não nos devemos estranhar da falta de coerência nas opções governativas, dado que estas não nos confiam o garante de práticas educativas adequadas a um determinado vector educativo.

No caso específico dos Açores, verifico que em determinados aspectos somos pioneiros na aplicação de medidas do foro educativo que presentemente são adoptadas pelo território continental (abordo esta questão com total desconhecimento do modo de funcionamento da educação na Madeira).

Por esse facto, compreendo o clima de desconfiança e de descontamento que a legislação em vigor manifestou junto da comunidade educativa em Portugal Continental.
Na
minha região aconteceu o mesmo e sempre que se renovam pesados termos e leis que induzem a pensamentos negativistas face à educação e nos conduzem para o abismo do descontentamento, repetem-se os factos.

 Cingindo-me ao conteúdo da frase. É óbvio que os alunos com N.E.E. serão encaminhados para planos de formação específicos no seio da sua própria escola. Assim como aqueles que são designados de “alunos em risco”.

Digo isto porque apesar do desnorteamento que muitos profissionais poderão sentir, estes farão o possível para que tal aconteça e mesmo que se julgue que estão “contra a corrente”, penso que talvez se deva ao facto de adequarem as regulamentações ao contexto no qual se insere essa determinada comunidade escolar.
Na minha humilde opinião, temos de ser positivos e esperar de nós próprios acção. Os entraves que sentimos nunca derrubaram a nossa profissão, antes pelo contrário: dignificam-na!


Nas escolas açorianas, as crianças com N.E.E., apenas aquelas que não dependem em exclusivo de cuidados médicos permanentes (mas para essas podem sempre recorrer a outros serviços) e os jovens “em risco”, integram-se nas salas de aula e com currículos adaptados aos mesmos.

Parte-se de uma colectividade: o currículo nacional, para uma particularidade: adequar aos que necessitem o veiculado nos currículos.

 É evidente que há práticas que vão ao pleno encontro das especificidades destas crianças, outras poderão desvirtuar-se do seu verdadeiro significado. Mas ambas decorrem sem qualquer acção directa da esfera política, apenas são por ela suportadas.

Em suma, adoptar uma política verdadeiramente integradora é aceitar que alunos com N.E.E. e os grupos de risco se integrem com a especificação de planos de acção a desenvolver para os mesmos.

 

Autoria: Luís Lopes (Professor)

Data: Fevereiro de 2008