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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

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Avaliação Individual da Acção - Autismo

Abordagem ao Autismo

O Autismo é uma patologia que não é fácil definir e para o qual ainda não foi encontrada resposta, permanecendo muitas divergências e grandes questões por responder.

O vocábulo autismo, igualmente conhecido por Síndrome de Kanner, tem origem na palavra grega “Autos” que significa “Eu próprio” e é considerado como uma perturbação global do desenvolvimento humano, que num determinado estádio do seu desenvolvimento, o indivíduo se centra em si mesmo e se isola do “mundo exterior”, e é caracterizado por dificuldades de aprendizagem, incapacidade de estabelecer relações com outras pessoas, atrasos e alterações na aquisição e uso da linguagem e de uma vasta gama de comportamentos associados, estando relacionado com uma disfunção cerebral que se prolonga por toda a vida e evolui com a idade.

Actualmente considera-se que o autismo é uma patologia que se manifesta mais frequentemente no sexo masculino que no feminino (4 rapazes para 1 rapariga) e atinge em cada 10.000 entre 4 a 5 pessoas.

Os indivíduos com perturbações do espectro do autismo apresentam diversos sintomas, que variam de pessoas para pessoa, devido à sua personalidade e características únicas. Por norma, o autismo infantil manifesta-se antes dos 3 anos de vida, não havendo um período prévio em que se perceba se a criança está a ter um desenvolvimento não comum. Cerca de 4 a 5 casos de manifestações do autismo começam desde o nascimento, no entanto, raramente se pode fazer um diagnóstico durante o primeiro ano de vida, uma vez que os primeiros sintomas não são muito evidentes e são estranhos ao ponto de provocar nos pais sentimentos de receio e inquietação.

Para além dos padrões repetitivos de comportamento que distingue o autismo, verifica-se uma trilogia de dificuldades assente no distúrbio comportamental do indivíduo: desvios qualitativos na área da comunicação (dificuldade da criança usar com sentido todos os aspectos da comunicação verbal e não verbal, como gestos, expressões faciais, linguagem corporal, ritmo e modulação na linguagem verbal), da interacção social (dificuldade de socialização – este é o ponto fulcral no autismo, caracterizado pela dificuldade em relacionar-se com os outros, pela incapacidade de partilhar sentimentos, emoções e/ou gostos, responsável pela fraca consciência da outra pessoa, diminuição da capacidade de imitar e de se colocar no lugar do outro e de compreender os eventos a partir da perspectiva da outra pessoa) e do uso da imaginação (estendendo-se às várias áreas do pensamento, linguagem e comportamento da criança, aspectos que podem causar condutas obsessivas e ritualistas, compreensão restrita da linguagem, falta de aceitação das mudanças e dificuldades em processos criativos).

Comummente, pode-se identificar o autismo numa criança através da observação de alguns comportamentos estereotipados: dificuldades na aquisição da linguagem; ecolalia (repete o que ouve); agir como se fosse surda; não responder ao seu nome; não obedecer nem seguir instruções; não interagir com as outras crianças; ter uma obsessão por determinados objectos; girar objectos de forma bizarra e peculiar; evitar o contacto visual; usar as pessoas como ferramenta; resistir à aprendizagem e à mudança; resistir ao contacto físico (não gosta que lhe toquem ou que a abracem); não demonstrar medo por perigos reais; pedir as coisas, pegando na mão de alguém; não suportar determinados sons e luzes; ser hiperactiva ou extremamente passiva; rir-se sem razão aparente; ter problemas com a alimentação; ter comportamentos repetitivos; ser agressivo e destrutivo; apresentar modos e comportamentos indiferentes.

Para que seja feito um bom diagnóstico da síndrome do autismo é crucial que exista uma intervenção precoce devidamente ajustada às necessidades individuais para a integração da criança com perturbações do espectro do autismo, logo que apareçam suspeitas direccionadas para o mesmo. Concomitantemente, a avaliação é igualmente fundamental, não só para se realizar um diagnóstico correcto, mas também porque estabelece a base de qualquer intervenção. Os critérios de avaliação do Autismo estão descritos no DSM-IV – Manual de Diagnóstico e Estatística Mentais.

É importante realçar que os serviços disponibilizados às famílias são fundamentais, no entanto, insuficientes por si só; é necessário que a comunidade mude de atitude relativamente às pessoas com perturbações do espectro do autismo e às suas famílias. É imprescindível que sejam garantidos os direitos das pessoas com perturbações do espectro do autismo, com vista à sua plena autonomia e integração na sociedade. Com efeito, é necessária uma sociedade acolhedora, onde as famílias destas crianças se sintam aceites e vejam garantidos os seus direitos e plena cidadania, fomentando as suas competências e contribuindo para o seu bem-estar.

 

Helena Romeiro (Técnica de serviço Social)

Data: Março de 2008