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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - PCT vs Adaptações Curriculares

A elaboração do PCT permite fazer diferenciação pedagógica, ou seja, organizar e gerir de forma autónoma, o processo de ensino/aprendizagem dos alunos tendo subjacente a autonomia implícita na prática do professor e as exigências inerentes às características dos alunos da turma. Por outro lado, a gestão flexível do currículo, que passa pela tomada de decisões para que todos aprendam, faz-se através da adequação, da diferenciação e da flexibilização do próprio currículo. Esta prática exige uma análise da “situação” de cada aluno e permite a diversificação das práticas metodológicas de ensino. São também fundamentais as competências de carácter geral, transversal e essencial definidas para a escolaridade obrigatória. Estas competências, não sendo independentes, interligam-se, interagem entre si e interceptam-se mutuamente. É desta intercessão, verificada em cada momento de desenvolvimento do aluno, que decorre o contributo para a formação pessoal, social e académica deste.

O PCT é, fundamentalmente, uma proposta de acção que tem como objectivo, por um lado simplificar o trabalho dos professores e, por outro, promover a aprendizagem dos alunos. Simplifica na medida em que permite conhecer bem a turma, contém orientações precisas, serve de suporte ao trabalho de professores e alunos e permite controlar as aprendizagens. Promove as aprendizagens porque permite flexibilizar, diferenciar e adequar as estratégias e métodos de ensino às necessidades dos alunos, bem como, adaptar as práticas dos professores. É assim um documento elucidativo da acção pedagógica a desenvolver, durante o ano lectivo, por professores e alunos porque dele consta o potencial determinante do ensino e da aprendizagem, resultante das capacidades, pensamentos e acções de professores e alunos.

Este documento permite também que se verifique diferenciação pedagógica, ou seja, a resposta dada a um leque, mais ou menos diversificado, de capacidades da turma prevendo que os alunos não tenham de estudar as mesmas coisas ao mesmo tempo, ao mesmo ritmo e sempre da mesma maneira. A diferenciação pedagógica é gerir e organizar o processo de ensino/aprendizagem de forma autónoma, mas só um conhecimento preciso da turma permite fazer essa diferenciação e esta reside na adequação das estratégias de ensino encontradas pelo professor, para se aproximar das estratégias de aprendizagem de cada aluno. Desta forma não há lugar para metodologias de exclusão, mas sim par metodologias de inclusão, onde há respeito pela diferença e pelos ritmos de aprendizagem dos alunos, ou seja, onde o mais importante é a individualidade de cada aluno e não a turma em si. A diferenciação pedagógica resume-se simplesmente a um prestar de atenção às necessidades de aprendizagem de um aluno em particular, ou de um pequeno grupo de alunos (ao nível das competências, conteúdos, metodologias e avaliação), em vez do modelo mais tradicional de ensinar uma turma como se todos os alunos nela integrados, tivessem as mesmas características.

Ana Galveia (Professora)