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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - Autismo (...)

Utiliza-se a designação de Espectro do Autismo, referindo-se a uma condição clínica de alterações cognitivas, linguísticas e neurocomportamentais, pretendendo caracterizar o facto de que, mais do que um conjunto fixo de características, esta parece manifestar-se através de várias combinações possíveis de sintomas num contínuo de gravidade de maior ou menor intensidade.

As PEA caracterizam-se por uma tríade clínica de perturbações que afectam as áreas da comunicação, interacção social e comportamento.

A forma como o autismo interfere no desenvolvimento do indivíduo faz com que a pessoa com PEA apresente um modo muito específico de pensamento e de funcionamento caracterizado por dificuldades em:

�� compreender e responder de forma adequada às diferentes situações do

meio ambiente;

�� seleccionar e processar informação pertinente;

�� responder a estímulos sensoriais (hipo ou hipersensibilidade).

Estas perturbações afectam a situação da criança em todas as áreas de desenvolvimento. Nesta breve reflexão vou-me referir a algumas estratégias para desenvolver na organização do espaço educativo.

Frequentemente a criança com perturbação do espectro autista, depende de alguém para lhe estruturar as actividades de forma a que possa participar nelas. Vários estudos têm demonstrado que os programas educativos estruturados são os mais eficazes no processo educativo das crianças com autismo.

A estrutura é essencial para o funcionamento das crianças com autismo devido aos seus défices ao nível da auto-organização e à sua dificuldade em compreender ou realizar de forma autónoma as mais diversas actividade do quotidiano; o ensino estruturado permite fazer com que o mundo pareça mais previsível e menos confuso para  a criança.

Pode elaborar-se um horário simples, escrito ou com desenhos/fotografias que representem as actividades a realizar; por outro lado, a criança deve ser previamente avisada verbalmente. Devem-lhe ser dadas sequências de 2/3 actividades a realizar de cada vez; para muitas crianças, o completar com sucesso de uma determinada sequência dá-lhes uma sensação de realização que é por si só compensadora.

O ensino estruturado centra-se nas áreas fortes frequentemente encontradas nas crianças com perturbações do espectro do autismo - o processamento visual, a memorização de rotinas e os interesses especiais.

Deve haver uma delimitação clara do espaço – sala. das diversas áreas de trabalho e das fronteiras que separam essas áreas - permite à criança compreender melhor o seu meio e a relação entre os acontecimentos; por exemplo, se for sempre usada para o trabalho uma área visualmente bem delimitada, a criança compreenderá mais facilmente o que se espera dela quando é conduzida para essa área.

A maior parte das crianças precisa de ajuda nestas actividades e realizações orientadas. Para algumas pode ser reforçador colocar na parede o trabalho que fizeram. Pode-se dividir actividades complexas noutras mais simples. Devem ser dadas instruções simples e utilizar pistas visuais.

Devem ser pensadas actividades de realização autónoma. Proporcionar actividades que a criança consiga realizar sozinha quando as outras pessoas estão ocupadas. Inicialmente têm de ser ensinadas mas devem ser suficientemente fáceis de forma a que, uma vez estabelecidas, possa esperar-se que a criança a desenvolva sem ajuda. É positivo encorajar a criança a pegar em alguma coisa para fazer sempre que se senta pois isto previne que a criança use este tempo em actividades obsessivas.

Joana Santos (Educadora de Infância)