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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

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Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - TAA

Através da escolha da primeira frase e de acordo com a minha formação e investigação na área da Terapia Assistida por Animais envio a minha opinião sobre a temática em avaliação. Saliento ainda que como Psicóloga de formação cabe-me referir outros aspectos que não estão implícitos na temática, não querendo, no entanto, ser demasiado expositiva, mas que tal reflexão sirva como um artigo de reflexão para este tema que agora parece começar a ganhar uma maior força no nosso País.

 

 

“O Contacto com os animais acalmam e descontraem a nossa mente”

                                                                    (Luís Miguel Rosa, 1995)

 

 

“ As pessoas pensam que a T.A.A. é um tratamento em que o animal faz de terapeuta. Nada poderia estar mais longe da verdade. Trata-se sobretudo, de uma psicoterapia em que a relação continua a ser de paciente e terapeuta, mas na qual o animal constitui uma ferramenta, isto é, um veículo de mediação entre os dois.“ (Gomes, 2002, p.30).

    

A Terapia Assistida por Animais (T.A.A.), surgiu segundo Salama (2005), desde a origem da humanidade, onde as relações dos humanos com os animais têm tido sempre um sentido que vai mais além da mera relação de alimentação e de utilidade para o progresso. Quando falamos da origem e da interacção entre humano e outras espécies animais, sabemos que esta sempre existiu com um fim muito superior ao da mera utilidade prática, quase sempre apenas são efectuadas referências às primeiras relações simbióticas que se produziram como uma necessidade primária de sobrevivência básica nas primeiras épocas.

A titulo de exemplo o homem beneficiou da companhia dos primeiros canídeos ao utilizá-los como sinalizadores para possíveis predadores, e por sua vez estes alimentavam-se dos desperdícios que produziam as primeiras populações humanas (Salama, 2002).

Mas é a partir da revolução industrial quando os animais começam a não ser tão necessários para as actividades da vida diária, e começa um processo que durará até aos nossos dias em que se há trocado a concepção meramente utilitária para passar a vê-los como seres amigos que formam parte do todo ecológico em que vivemos, e entender que as suas prestações podem resultar em benefícios mais além do plano material se soubermos interpretar os seus sinais e a sua maneira de ver a vida (Salama, 2005).

Apesar de poder parecer que os temas abordados se vão tornando distantes da frase supra citada e ponto fulcral desta reflexão  não resisto a referir que a TAA é muito diferente das actividades assistidas por animais, a principal diferença consiste em a TAA orientar o seu trabalho de uma forma projectada e rigorosa, em busca do alcançar de um comportamento desejado ou diminuir um comportamento indesejado. Tem um enfoque multidisciplinar que conjuga animais como auxiliares terapêuticos, criando propositadamente no trabalho com estes, intenções terapêuticas na rotina diária de uma pessoa ou grupos de pessoas com diversos problemas. As actividades assistidas por animais não significam que tenha de existir como finalidade o proporcionar de uma troca específica no comportamento humano, mas sim o proporcionar a melhoria da qualidade de vida.

Assim a Delta Society (2000), definiu que  a Terapia Assistida por Animais (TAA), trata-se de uma intervenção dirigida a um objectivo, na qual o encontro entre o animal torna-se parte integrante do processo de tratamento; é dirigida por um Profissional da área da saúde e está desenhada fundamentalmente para promover melhorias nas áreas Física, emocional e social respeitando o funcionamento cognitivo das pessoas. Pode levar-se a cabo desde uma ampla variedade de enquadramentos e pode realizar-se de forma individual ou em grupo. Todo o processo de tratamento deve ter uma avaliação e um registo do mesmo.”

A T.A.A. caracteriza-se por ser um tipo de terapia na qual não se utiliza a fala, nem a palavra para a resolução de problemas, não é um diálogo entre o terapeuta e o paciente, pois baseia-se na linguagem não verbal, na linguagem corporal, na qual as emoções estão implicitas, sobretudo aquelas emoções que são consideradas curativas de outras emoções, como a alegria, a sensação que a natureza nos transmite através do contacto com a mesma (Becker e Morton, 2003).

Segundo estudos realizados, a TAA pode produzir um impacto directo no Sistema Nervoso Central, mais especificamente no Sistema Límbico. O contacto com os animais induz a uma libertação de endorfinas que provocam sensações de tranquilidade, também o estimulo das células T e de outras hormonas que proporcionam o designado na frase em análise “acalmam e descontraem a mente”, produzem ainda outros efeitos tais como o permitir que se efectuem de uma melhor forma os movimentos corporais (para quem tem dificuldades nestes), o rir, o ser mais assertivo…  (Salama, 2005)

Desde 1872 que Darwin estudou a linguagem corporal dos animais e descobriu que estes mostram diversos níveis de graduação no que concerne à emoção, passando pela angústia e pela tranquilidade… pode parecer absurdo, mas tal estudo teve como base primordial a mímica do seu rosto. (Salama, 2005)

A comunicação com os animais pode ser instintiva ou aprendida, é importante ter em conta que todos os elementos que os animais utilizam para comunicar entre si, estão contidos na linguagem humana, principalmente os do plano verbal. Devido a tal situação pode existir comunicação entre uma pessoa e um animal e nesta serem transmitidas emoções, sentimentos, necessidades… (salama, 2005)

El uso de animales en terapia es una inversión del proceso de domesticación.  Ésta facilitó la civilización. Hoy se tratan pacientes con animales para poder civilizarles y para que sean capaces de funcionar en nuestra cultura.” (Joel S. Savishinsky, 1983)

Las terapias con animales hacen uso del amor incondicional que las mascotas le entregan a sus dueños como uno de los principales medios para la curación.  “Los animales de compañía constituyen una fuente inagotable de calor, seguridad, y amor incondicional que nos llevan directamente a nuestra infancia, al cariño protector que nos prodigaban nuestros padres” (Estivill, Sara; 1999). 

Em geral, todos os seres humanos podem estabelecer relações que são bidireccionalmente terapêuticas com os animais. Segundo Coelho (2004), a T.A.A. consiste numa interacção entre um terapeuta especializado no tema, um animal bem cuidado e uma pessoa que pede ajuda, desde que se considere que o animal a pode ajudar.

No trabalho com os animais a pessoa adquire confiança nas suas relações interpessoais e evita relações de dependência, pois aprende a contactar de uma forma verdadeira através de um meio natural. Este trabalho pode ser terapêutico, entre outras coisas, porque é realizado através de uma actividade que pode recapturar e fazer reviver o instinto base com o qual nascemos de uma maneira directa e simplificada, é dizer que podemos experimentar de uma forma natural e livre os sentimentos de amor, compaixão, estabelecer vínculos afectivos, confiança, honestidade, sentimentos estes que estão presentes no nosso sistema social (Coelho, 2006).

Segundo Gomes (2002), a Terapia Assistida por Animais encontra-se demarcada por novas correntes holísticas e ecológicas que promovem um maior contacto com a Natureza, na sua manifestação tanto vegetal como animal, podendo ser uma ajuda para momentos de crise dos indivíduos, como também para o ser humano em geral tanto na doença como no sofrimento.

Desta forma os animais devolvem o sorriso a uma pessoa deprimida, estimulam o carácter social de alguém que é tímido e apresenta bloqueios afectivos, ajudam no controlo de impulsos violentos para quem apresenta este tipo de problemática, baixa a tensão arterial e relaxa os indivíduos mais nervosos, e sobre tudo ajudam as pessoas a aceitar-se a si mesmas tal como são,  devido ao facto de os animais nos aceitarem como somos. Podemos ser gordos, magros, altos, baixos, ricos, pobres, inteligentes ou menos inteligentes, pessoas com êxito ou sem ele (Coelho, 2004).

Existe uma espécie de “troca terapêutica” através de muitos sinais subliminares que comunicam directamente com o nosso inconsciente. Os animais induzem-nos a um estado alterado de consciência curativo, pois por vezes “hipnotizam-nos” de forma a abstrairmo-nos da realidade quotidiana que nos envolve na qual perdemos um pouco o rumo (Coelho, 2004).

Com os animais pode-se tranquilizar o inconsciente, isto porque segundo Coelho, (2006) grande parte das neuroses têm que ver com o confronto do sistema emocional com o intelectual dos indivíduos, onde existem desejos e impulsos que entram em conflito com a racionalidade, e desta forma, aparecem os sentimentos de culpa, depressões, ansiedade e inclusive doenças mais graves. Logo os animais ajudam-nos a aceitar as coisas de uma forma mais sensata. Aceitando o nosso presente tal como ele é sem que exista a necessidade de fazermos demasiadas perguntas. Quando vemos a vida com mais sensatez tornamo-nos mais felizes.

Segundo Coelho (2004), todos os seres humanos podem estabelecer relações que são bidireccionalmente terapêuticas com os animais. Daí os animais considerados como terapêuticos, pela sua disponibilidade para efectuar terapia são os seguintes:

Os golfinhos, pois transmitem-nos os seus sons de ondas alfa e também a sua “ecolocalização” (mediante o seu recurso natural eles utilizam esta ecolocalização para capturar presas e reconhecer outros elementos da mesma espécie). No que concerne ao seu “sonar” estes emitem sons que influenciam directamente o nosso sistema nervoso, primeiro efectuam uma espécie de radiografia para verem como estamos, e no momento mais adequado emitem ondas que nos fazem sentir mais satisfeitos.

Os cães adoptam uma atitude mais afectiva onde se estreita um grande apego pelo ser humano, (sem querer efectuar juízos de valor). São lúdicos, brincalhões e estão sempre fiéis ao nosso lado durante toda a vida. Acariciar um cão ou um gato baixa a tensão arterial, a frequência respiratória e por conseguinte as batidas cardíacas. (Os cães fomentam a amizade nos seus donos e a responsabilidade do seu cuidado nos seus filhos.)

Os gatos ensinam-nos a estar relaxados, visto que o gato poderá estar a dormir, mas ao mesmo tempo está atento ao que se passa em seu redor, não existem gatos stressados e o seu ronronar fomenta as emoções positivas, sendo esta a forma de demonstrar os seus sinais de afecto, sendo  bem recebidos pelos seus donos são recomendados a pessoas que se sintam muito sós e não possam dedicar muito do seu tempo a cuidar dos mesmos.

Os animais de quinta têm muito medo, ou seja, quando alguém consegue tranquilizar um animal de quinta está também a tranquilizar-se a si mesmo. Acariciar um coelho, ou uma galinha pode tornar-se complicado, mas há que ter confiança para o fazer, quando tal se consegue torna-se um bom método para as pessoas tímidas, introvertidas e que procuram expandir-se.

Contudo podem também ser estabelecidas relações com outros animais, as relações dos seres humanos com os papagaios e outras aves entre outros, saliento os cavalos,  nobres e de grande dignidade, não se humilham para pedir afecto, daí que há que conquistá-los para que se ganhe a sua confiança. O seu enorme tamanho e poder, assim como as características da sua personalidade tornam-nos especialmente elementos terapêuticos e é neles que tenho centrado todas as minhas pesquisas, no âmbito da Hipoterapia e das crianças com Necessidades Especiais.

 

Referências Bibliográficas:

 

 

Becker, M. & Morton, P. (2003). El poder sanador de las mascotas. Madrid: Editorial Norma.

 

Coelho, A. (Comp.)  (2004). A viagem do Sr. Down pwlo mundo da Hipoterapia. I Congresso Ibero-Americano e III Congresso brasileiro de equoterapia. Salvador da Bahia: ANDE

 

Coelho, A. (2004). A viagem do Sr. Down pelo mundo da Hipoterapia: estudo da Hipoterapia em crianças com síndroma de down. Tese de licenciatura Instituto Piaget.

 

Coelho, A. (Comp) (2006). A terapia Assistida por Animais, Curso realizado na Associação Equestre Micaelense. São Miguel, Açores.

 

Cudo, C. (Comp.) (2002). A importância da motivação para a vida e como meio facilitador para resgatar a auto-estima. II Congresso Brasileiro de Equoterapia. São Paulo: ANDE.

 

Gomes, N. (Comp.) (2002). Estudo correlacional entre equoterapia – independência funcional – autonomia pessoal em crianças comparalisia cerebral. II Congresso Brasileiro de Equoterapia. São Paulo: ANDE.

 

Estivill Sara (1999) “La terapia con animales de compañía convivir con mascotas: como benefician a las personas”  Madrid: Tikal

 

Robinson I. (1995) “The Waltham book of Human-Animal Interaction: benefits and responsibilities of pet ownership” Oxford: Pergamon

 

 

Salama, I. (2005). Curso de Psicoterapia Assistida por Animais, realizado em Piedralaves, Ávila- Espanha.

 

Delta Society (2000). [online]. Avaible: <http://www.deltasociety.org/AnimalsHealthChildrenChildren.htm>. (20 Fevereiro 2004).

 

Salama, I. (2000). T.A.C.A ( terapia asistida con animal ). [online]. Avaible: <http://wwwisabelsalama.com/page3.html>. (25 de Outubro 2002).

 

Áurea Canas (Psicóloga)


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