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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - TAA

“A sociedade deve abrir as portas a terapias alternativas que apresentem resultados comprovados junto dos seres humanos e que representem um baixo custo” (Sílvia Andrade, 2001)

Terapia Assistida por Animais (TAA), hoje em dia em franca expansão, um pouco por todo o mundo, recebe esta designação toda a intervenção terapêutica, ou programa de apoio, em que haja recurso a animais, com vista à recuperação física e/ou psicológica de crianças ou adultos.

Considera-se que a origem da Terapia Assistida com Animais (TAA) remonta a Inglaterra onde, no final do século XVIII, foi aplicada numa instituição, no âmbito do tratamento de doentes mentais ali internados.

Dadas as suas características comportamentais e morfológicas, os animais de eleição para este tipo de programas são o cavalo (hipoterapia ou equinoterapia) e o cão (cinoterapia), embora também comecem a utilizar-se burros (asinoterapia), gatos, aves e golfinhos.

Em Portugal, a TAA começa a ser uma aposta forte, aplicada por exemplo em crianças com autismo ou a Síndrome de Down, e no acompanhamento a idosos e adultos jovens com problemas diversos, quer funcionais, quer psicológicos, ou que, simplesmente, se sintam sozinhos. Uma outra vertente de aplicação deste tipo de terapia é os programas de reabilitação de reclusos.

Mas se, em alguns casos, a TAA pode ser auto-aplicada pelo indivíduo, em sua própria casa, na maioria dos casos o recurso a este tipo de apoio tem de ser contextualizado e inserido num programa especializado. No nosso país, e no que diz respeito ao acompanhamento de crianças e jovens, as Cooperativas de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas - CERCI desempenham um papel importantíssimo, prestando um apoio valiosíssimo à comunidade em geral com as diversas valências que têm disponíveis. Uma delas é precisamente a TAA, que já é praticada, por exemplo, na CERCI de Cascais, onde se trabalha com cães. O projecto já tem algum tempo e começa a dar resultados muito interessantes e encorajadores, merecendo o aplauso e o apoio de todos.

Há cerca de cinco anos, houve uma tentativa, por parte de um grupo de pais de crianças apoiadas em instituições desta natureza, em conjunto com técnicos de treino de animais para TAA, de formar uma CERCI especialmente direccionada para esta valência. As dificuldades levantadas foram enormes, tanto de natureza financeira como, por exemplo, a falta de técnicos especializados com formação para praticar este tipo de terapia, não tendo sido encontrados em número e diversidade suficientes. Resultado: este excelente e interessante projecto não chegou a ser posto em prática.

Esperemos que a luta que agora se trava, relativamente aos apoios destinados às Instituições de apoio à pessoa com deficiência, tenha um bom fim, diferente do projecto que não chegou a ver a luz do dia. E, já agora, esperemos que a curto prazo, este possa também vir a concretizar-se, e possamos ter, como tantos outros países, instituições onde a TAA é uma realidade acessível a todos. Dê o seu apoio!

Inês Felisberto (Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação)