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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - A EDUCAÇÃO SEXUAL NA DIFERENÇA

O tema da sexualidade dos deficientes mentais começou a ganhar importância quando estes se converteram num grupo com peso social, para o que terá contribuído o prolongamento da sua esperança de vida.” (Felix & Marques, 1995, p. 43)

 

         A sexualidade é um tema que ainda levanta algumas controvérsias devido às nossas origens religiosas e sociais, o que veiculam o tema como sendo um tabu. Contudo, nos últimos tempos este tema tem vindo a surgir cada vez mais no quotidiano, uma vez que a sexualidade começa a não ser vista somente como meio de reprodução. Não obstante, têm-se encontrado fortes entraves no esclarecimento dos problemas que esta pode acarretar devido aos preconceitos ainda existentes, sendo que estes aumentam quando esta temática aparece associado à deficiência mental. Assim, se ter um filho com deficiência não é uma situação fácil para os pais, os problemas agravam-se quando para os progenitores ou cuidadores o tema é a sexualidade. Por parte da sociedade, existe alguma tendência para ver a pessoa com deficiência mental como uma criança “para sempre”, independentemente da sua idade cronológica. Assim sendo, à medida que o processo de amadurecimento sexual acontece, muitos indivíduos com deficiência mental encontram-se na situação de ninguém no seu meio ambiente ter vontade e/ou saber como reconhecer a sua sexualidade em desenvolvimento. Por outras palavras, as suas necessidades ao nível da sua sexualidade e da sua afectividade, pois não podemos dissociar uma da outra, não encontram respostas o que pode implicar dificuldades relacionadas com o se conhecer a si próprio, o aprender acerca de si e, inclusivamente, pôr em causa o seu desenvolvimento psicossocial.

         No campo da educação, para alguns professores assumir uma atitude perante a sexualidade é assustador, ainda mais quando associado à deficiência mental, reportando-se a esta como causadora de enormes problemas. A maioria dos professores deseja que na área da sexualidade junto do jovem com deficiência mental, não seja necessário existir conversas nem esclarecimentos colocando-se à margem da problemática em questão. De facto, tal como refere Gomes (s/d; cit por Felix & Marques, 1995, p.12), “a sexualidade dos deficientes está eivada de mitos e tabus, tal como a sexualidade em geral”.

         No entanto, uma das maiores preocupações ou mesmo perturbações do adolescente com deficiência mental é o compreender e lidar com as diversas mudanças que surgem aquando da puberdade, experimentando enorme desassossego diante os imprevistos daí resultantes. Assim sendo, torna-se fundamental a reflexão sobre a temática em questão por parte dos professores que acompanham o seu desenvolvimento, tendo em vista dar resposta às suas necessidades específicas no que diz respeito a este domínio.

Ana Rita Peixoto