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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

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Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - A EDUCAÇÃO SEXUAL NA DIFERENÇA

“(...) A nossa sociedade, convulsiva e mutável, não me parece caminhar no sentido de mais egoísmo(...) Se portanto, vamos no sentido de mais convívio, mais humanidade, é muito provável que vamos também para uma maior abertura ao outro, talvez diferente de si, mas do qual não se pode ignorar nem rejeitar a diferença”. (Simon, 1991)

 Esta consciencialização acerca da aceitação da diferença e da qualidade de vida das pessoas com deficiência leva-nos a reflectir em áreas determinantes, para o desenvolvimento do ser humano: interacção e relações sociais (relações com os membros da família, relações de amizade, de intimidade e afecto, grau de iniciativa nas interacções sociais, diversificação das relações interpessoais); bem-estar psico-afectivo (sentimento de pertença e aceitação nos diferentes grupos sociais, sentimento de felicidade, sentimento de dignidade, auto-estima) e autonomia e poder de decisão (escolhas, preferências e decisões pessoais, objectivos e expectativas pessoais, valores).

Se pensarmos que a sexualidade se  revela, segundo a Organização Mundial de Saúde, como “(...) uma energia que nos motiva para encontrar amor, contacto, ternura e intimidade; ela integra-se no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ao mesmo tempo ser-se sexual. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, acções e interacções e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental”. Falar sobre a educação sexual na diferença, implica necessariamente abordar o conceito sexualidade humana de forma ampla, em toda sua dimensão, ou seja, abrangendo os aspectos físico-biológicos, socioculturais, económicos e políticos. Sendo a sexualidade uma dimensão da personalidade, não se pode negar à pessoa portadora de deficiência a liberdade de a viver e expressar.

Entenda-se que ao falarmos de sexualidade estamos a falar de uma realidade que não se esgota no acto sexual. Ela é também e, sobretudo, amizade, carinho e relacionamento pessoal. Possuir amigos, partilhar interesses, relacionar-se e experimentar sentimentos de união são algumas das necessidades mais profundas. A pessoa portadora de deficiência deve aprender desde logo a reconhecer a sua individualidade, compreender o comportamento social e o seu comportamento como membro de uma sociedade, conhecer a sua própria vulnerabilidade e, essencialmente, aprender a escolher, decidir e desenvolver a sua própria sexualidade. A discussão do tema da educação sexual na nossa cultura vem acompanhada de preconceito e discriminação. Quando o tema passa a ser sexualidade na diferença, o preconceito e a discriminação são intensificados e geram polémica quanto às diferentes formas de o abordar, tanto com os próprios adolescentes como familiares.

Na minha perspectiva, e como professora de educação especial, parece-me que o mais importante é intervir ao nível das competências sócio-emocionais, de respeito pela privacidade e regras de interacção social. Mais do que pensar e reflectir é essencial saber ouvir,( mesmo sem oralidade), aqueles que vivem o problema na primeira pessoa pelo que deixo o desabafo de um dos meus alunos, com doze anos.

Qualquer pessoa tem o direito de ser diferente porque isso é inerente a todos os seres humanos. Eu acho que ser diferente é ser pessoa porque todos temos a capacidade de reagir aos afectos que são a essência da vida. Posso dizer que tenho autismo e o que mais gosto é ser amado.”

Maria de Lurdes Vilhena Metelo Seixas Martins (Professora)