Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação Individual da Acção nº2

Comentário à frase número três.

 

 

“…é um grave erro considerar que todos os tipos e graus de deficiência mental formam o mesmo grupo homogéneo… pois pessoas com deficiência mental leve tem mais em comum com os normais do que com os deficientes mentais severos.”

 

 

A deficiência mental  (DM) não é uma categoria única e estanque que abrange todo um conjunto de pessoas com determinadas características. A deficiência mental divide-se em cinco diferentes graus (de acordo com a Associação Americana para a Deficiência Mental e OMS) e a classificação e inclusão em cada grau é obtida após a utilização de testes de Q.I.. Estes testes medirão algumas das capacidades mentais de um individuo e obter-se-á  o desvio em relação ao resultado médio esperado para um individuo de determinada idade.

Os cinco níveis de DM são: Limite ou Borderline (68-85), Ligeiro (52-67), Moderado (36-51), Severo (20-35) e Profundo (inferior a 20).

Os indivíduos pertencentes a cada um destes níveis apresentam características muito distintas que se diferenciam de nível para nível. Sendo assim, os indivíduos incluídos no nível Limite ou Borderline estão mais próximos do individuo normal por apresentarem  um desvio menor em relação à media (menor diferença de Q.I.) do que um individuo com DM Moderada ou Severa em que este desvio é maior e por conseguinte terá mais funções afectadas e com maior gravidade.

O individuo com um grau de DM Profunda é muito  ou mesmo totalmente dependente de terceiros até para realizar funções básicas como a alimentação e cuidados básicos de higiene. Pelo contrário, a pessoa situada no Borderline ou na DM Ligeira é a que está no patamar mais próximo da normalidade, pelo que o seu atraso será mínimo quando comparado com pessoas de Q.I. dentro da média.

Normalmente, só quando chegam à escola, é que se faz o despiste de crianças com este tipo de problemática (Borderline ou DM Ligeira)  e isso acontece porque começam a revelar um atraso na aprendizagem quando comparadas com as outras crianças do grupo. 

Mas o que é ser “normal” e o que estar no “limite”?

Quanto a mim, todas aquelas crianças que provém de ambientes familiares e sócio-culturais desfavorecidos chegam à escola em desvantagem. Há um desfasamento em relação àquelas  que provem de ambientes propícios ao desenvolvimento de todas as suas faculdades cognitivas e emocionais. Assim não se poderá falar verdadeiramente de DM mas sim de défice de estimulação. Com um ensino devidamente individualizado estas crianças conseguirão um sucesso escolar bastante satisfatório e a sua integração no mundo social e laboral será uma realidade.

As crianças  com uma DM Ligeira apresentarão mais dificuldades do que as do grupo acima referido mas mesmo assim terão muitos aspectos em comum com as crianças ditas “normais”.  Continuam , tais como as anteriores , a apresentar um desfasamento em relação  ao desempenho escolar e ao esperado para a sua idade e na maioria das vezes a aprendizagem da leitura e do cálculo matemático  está comprometida. Na minha experiência como professora a trabalhar com uma turma de crianças com N.E.E.  tenho  observado   frequentemente uma baixa auto-estima, fraca motivação para actividades escolares, pouco raciocínio lógico e dedutivo.  Mais uma vez é necessário analisar cada criança, caso a caso, e preparar um programa que possa valorizar as aptidões da criança e criar espaço e motivação para que possa progredir naquelas em que manifesta mais dificuldades, tendo sempre em vista a sua integração no mundo laboral. Na maioria das vezes, as suas limitações só se verificam a nível académico porque as suas funções de autonomia e de cuidados básicos são aceitáveis bem como a sua integração a nível social. Quando  adultos, e mais uma vez saliento que se tiverem tido  uma boa orientação, poderão ingressar no mundo laboral exercendo uma profissão com ou mesmo sem supervisão directa.

É esta valorização de todas as suas capacidades que  permitirá ao individuo se aproximar mais do grupo “normal” do que dos  indivíduos incluídos nos restantes graus de Deficiência Mental.

 

Autoria: Márcia Azevedo (Professora)

 

Data: Janeiro de 2007