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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - Autismo

Avaliação da acção “Autismo - Perda de contacto  com a realidade exterior

 

“... pais e professores, escola e meio, são os personagens e o universo que estruturam e enquadram a criança em idade escolar."

Benavente (1990:45)

 

As Perturbações do Espectro do Autismo caracterizam-se por disfunções neuropsiquiátricas, as quais apresentam uma grande variedade de expressões clínicas, resultando de perturbações do desenvolvimento do sistema nervoso central multifactoriais. Presentemente, incluem-se nas Perturbações Globais de Desenvolvimento que não têm cura e persistem ao longo da vida.

As Perturbações do Espectro do Autismo baseiam-se numa tríade clínica, a referir: dificuldades de relacionamento social; dificuldades de comunicação e falta de flexibilidade de pensamento e de comportamento.

Relativamente à interacção social, as crianças com Perturbações do Espectro do Autismo apresentam dificuldades de relacionamento quer com os adultos, quer com os seus pares. Algumas crianças manifestam uma indiferença social significativa, outras são passivas nas interacções sociais, revelando um parco interesse pelas outras pessoas.

No que diz respeito à linguagem e comunicação, algumas crianças com Perturbações do Espectro do Autismo não desenvolvem qualquer tipo de linguagem, outras podem ter um bom domínio da gramática e da articulação e podem falar fluentemente, mas têm dificuldades em manter trocas bilaterais recíprocas. Tanto a forma como o conteúdo das capacidades linguísticas destas crianças são peculiares e incluem ecolalia, inversão de pronomes e invenção de palavras. Reagem emocionalmente às abordagens verbais e não verbais das outras pessoas de forma inadequada, evitando o olhar e apresentando grandes dificuldades em compreender as expressões faciais, as posturas do corpo ou os gestos, isto é, todos os comportamentos necessários ao estabelecimento e regulação da interacção social recíproca.

No que concerne ao pensamento e comportamento, é de referir que as crianças com Perturbações do Espectro do Autismo apresentam grandes dificuldades relativas à flexibilidade de pensamento e de comportamento, as quais se reflectem na exibição de comportamentos estereotipados repetitivos e obsessivos e/ou numa reacção exagerada face a qualquer alteração inesperada das rotinas; fraca imaginação social; atraso intelectual e ausência de jogo imaginativo.

As dificuldades nestas três áreas traduzem-se na prática em

«dificuldades significativas para aprender da forma convencional e podem manifestar-se, entre outras, por algumas características como falta de motivação, dificuldade na compreensão de sequências e de consequências, défice cognitivo, dificuldades de concentração e de atenção, alterações na descriminação/processamento auditivo e na compreensão de instruções fornecidas oralmente, falta de persistência nas tarefas, dificuldades em aceitar mudanças e em compreender as regras instintivas da interacção social, alterações de sensibilidade à dor, a sons, a luzes ou ao tacto, grande redução da capacidade imaginativa e de fantasiar, interesses restritos, alterações do sono da vigília, ou particularidades do padrão alimentar». (Carvalho & Onofre, 2006: 10).

 

Actualmente, as Perturbações do Espectro do Autismo abrangem: Perturbação autística (autismo de Kanner, autismo infantil ou autismo clássico); Perturbação de Asperger (Síndrome de Asperger); Perturbação desintegrativa da segunda infância; Perturbação global do desenvolvimento sem outra especificação (autismo atípico) e Síndrome de Rett.

O diagnóstico é feito através da avaliação directa do comportamento da criança, de acordo com determinados critérios clínicos constantes nos sistemas de classificação do DSM-IV e do CID-10.

Tendo em conta as características dos alunos com Perturbações do Espectro do Autismo, é fundamental que estes beneficiem de um Ensino Estruturado, assente num sistema de organização do espaço, do tempo dos materiais e das actividades capaz de facilitar os processos de aprendizagem e a autonomia das crianças e a diminuição da ocorrência de problemas de comportamento. Desta forma, o Ensino estruturado permite: a) que a criança/jovem tenha acesso a informação clara e objectiva das rotinas; b) garantir um ambiente calmo e previsível; c) atender à sensibilidade do aluno aos estímulos sensoriais; d) sugerir tarefas diárias que o aluno é capaz de realizar e f) promover a autonomia.

Ana Batista (Professora de Educação Especial - 910)