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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

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Avaliação Individual da Acção nº2

1ª frase : “O cidadão deficiente mental não é um doente mental”

 

A deficiência mental difere da doença mental visto a primeira referir-se a limitações substanciais no funcionamento normal de um individuo, com capacidades intelectuais abaixo da média em relação à média geral. Estas limitações são associadas a uma ou mais áreas de competências adaptativas  como por exemplo: comunicação,  autonomia; competências sociais; competências académicas funcionais; autosuficiência; saúde e segurança. As causas da defiência mental dividem-se em quatro:

Ø      Causas pré-natais ( erros metabólicos congénitos; cromossomapatias; embriopatias;fetopatias);

Ø      Causas pré-natais e neonatais ( prematuridade; anoxia perinatal e natal; trauma obstétrico; encefalopatia; transtornos matabólicos);

Ø      Causas pós-natais ( menigites; encefalites; traumatismos);

Ø      Déficit de estimulação ambiental ( carência de afectos; isolamento social; alimentação deficiente)

Um doente mental é um individuo que apresenta perturbações do foro psiquiátrico como algumas que passo a referir:

Ø      Psicoses:

caracterizam-se por situações delirantes ou confusionais, apresentando-se de uma forma aguda ou crónica, acompanhada de uma angústia ou excitação.

Nas psicoses delirantes, o doente apresenta uma consciência alterada, que se divide em duas vertentes: uma em que o indivíduo vive intensamente um delírio, onde existe alucinações visuais e auditivas; na outra vertente, o doente parece ao olhar dos que o rodeiam, estar ausente da realidade, quando efectivamente não está.

Nas psicoses confusionais, também a consciência se apresenta alterada, contudo há uma desorientação temporo-espacial, manifestando-se bastante no gesto e na linguagem.  É como se o doente estivesse a viver num mundo fantástico, tendo alucinações, perturbações de memória e da percepção. O estado geral do indivíduo encontra-se todo alterado.

A esquizofrenia é uma das psicoses crónicas mais conhecidas. O esquizofrénico não tratado vive num mundo à parte, sofrendo de alucinações, ouvindo vozes; sentindo falsas percepções. Existem diversos tipos de esquizofrenia , como a desorganizada          (discurso e comportamento desorganizado) e a residual ( comportamento excêntrico, crenças invulgares), por exemplo.

Emocionalmente, os esquizofrénicos manifestam reacções inadequadas , mostrando-se indiferentes perante uma tragédia ou sentimentos de dor durante um passeio ao ar livre.

Muitos especialistas acham que esta doença deve-se a uma perturbação resultante de uma predisposição hereditária,outros acham que se deve a alterações cerebrais; contudo, ainda não existe uma única causa para explicar todos os casos de esquizofrenia;

Ø      Neuroses:

são doenças da personalidade que se caracterizam por conflitos intrapsíquicos que se manifestam por perturbações funcionais e inibem as condutas sociais ou as alteram.

O equilíbrio interior do neurótico está alterado mas, ao contrário do que sucede nas psicoses, o Eu, nas suas relações com a realidade, está pouco perturbado, embora a conduta do doente o esteja muitas das vezes.

Enquanto que, nas psicoses, as perturbações negativas ou deficiências mais ou menos parciais, são, de grande importância, nas neuroses estas perturbações negativas são menos acentuadas, as regressões menos profundas e o psiquismo fica organizado num nível mais elevado, mais próximo do normal.

Na neurose existe um mal estar interior do qual resulta angústia; o neurótico pode por vezes, neutralizá-la (parcialmente), quer convertendo-a em neurose de conversão, quer alterando o seu sentido para uma obsessão.

Os sintomas neuróticos são principalmente a consequência de uma insufeciência do sistema normal de controle.

Normalmente, um indivíduo controla os estímulos exteriores e pode também controlar as suas pulsões ou grande parte delas. No entanto, quando se trata de vivências de forte intensidade afectiva, de pulsões muito violentas, cria-se uma situação traumatizante. É este um dos mecanismos em que se verifica a insufeciência do sistema normal de controle e se desencadeia a angústia. Outro, consiste no facto de um bloqueio antigo de descargas provocado (maus tratos na infância, por exemplo), poder originar uma barragem de tensões tal que, as excitações normais vão agir como traumáticas.

Perante a angústia desencadeada por um ou outro dos processos referidos anteriormente, entram em acção meios de protecção inconscientes, actuando como mecanismos de defesa destinados a diminuir a tensão interior, sentida como angústia e culpabilidade.

Alguns exemplos destes mecanismos de defesa contra a angústia são: o recalcamento; a regressão; o isolamento; a anulação ; etc;

Ø      Depressão:

 é uma das doenças psiquiátricas mais frequentes que se caracteriza por um estado mental mórbido, apresentando diversos sintomas: sentimentos de tristeza; vazio; irritabilidade; tensão; fadiga; auto-desvalorização; alterações de memória; ideias de morte e tentativas de suicídio. A depressão acompanha-se normalmente  ansiedade mais ou menos acentuada.

Os sintomas desta doença perturbam significativamente a existência do doente

O termo “ depressão” é muito genérico, podendo apresentar-se em diversas situações clínicas.

Esta doença pode afectar indivíduos de qualquer idade, inclusivé crianças.

Por vezes, o seu diagnóstico passa muita das vezes despercebido, quer por falta de conhecimento da depressão como doença, quer porque os seus sintomas são atribuidos a outras causas como o stress, por exemplo.

As causas da depressão são variáveis : acontecimentos traumáticos da vida; alterações de algumas substâncias cerebrais e também pode existir uma predisposição hereditária para alguns tipos de depressão.

Existem diversas formas e graus de gravidade da depressão, como a unipolar e a bipolar.

Os sintomas da depressão podem acompanhar o doente durante muitos anos;

Ø      Demência:

 caracteriza-se por uma deterioração global, progressiva e irreversível das funções psíquicas, essencialmente das faculdades intelectuais, memória, atenção, das faculdades emocionais e volitivas.

No processo normal de envelhecimento do ser humano, verificam-se a partir dos sessenta anos, em pequena escala, os primeiros sinais de perda de capacidade mental e física. Se estes sinais se agravam a partir dos setenta anos, trata-se de demência senil. Caso apareçam antes dos sessenta anos , designa-se de demência pré-senil.

A doença de Alzheimer é um exemplo de demência pré-senil em que não há um envelhecimento processado de uma forma normal, sendo os doentes vítimas de um distúrbio cerebral degenerativo.

 

Saliento o facto de todas as doenças aqui apresentadas estarem descritas de uma forma  bastante generalizada visto que , cada uma delas tem diversas variações.

Apesar de um deficiente mental não ser um doente mental, alguns síndromes caracteristicos da deficiência mental trazem associadas alterações comportamentais e psicopatologia específica. Assim como alguns medicamentos tomados por deficientes mentais causam efeitos secundários no comportamento.

 

 

Autoria: Ana Neves (Educadora de Infância)

Dara: Janeiro de 2007