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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - Deficiência Mental

“ (...) é um grave erro considerar que todos os tipos e graus de deficiência mental formam o mesmo grupo homogéneo... pois pessoas com deficiência mental leve têm mais em comum com os normais do que com os deficientes mentais severos.” (Rosana Glat)

 

Ao longo da história das patologias, verificamos que a diferença foi sempre olhada com alguma desconfiança e injustiça, muito resultado do desconhecimento e ignorância perante situações que fogem a uma norma pré-definida; a comparação com uma maioria considerada “normal” cria muitas vezes, ainda hoje,  situações de desvantagem que são mais o resultado de ideias pré-concebidas do que o resultado de uma avaliação da situação específica em causa. 

A Deficiência Mental Ligeira é um bom exemplo de uma patologia que pode assumir várias formas; mas é sempre uma condição mental relativa - relativa em relação a uma determinada cultura ou grupo, dado que o seu diagnóstico pressupõe a atribuição social de morbilidade a uma limitação funcional. Em contexto escolar, a avaliação da funcionalidade e limitações de um aluno pode fazer a diferença entre um desenvolvimento pessoal harmonioso ou o insucesso e abandono escolar; perceber que não interessa conhecer o diagnóstico mas sim a PESSOA, as suas potencialidades e pontos fortes, é uma forma diferente de avaliar, talvez a única que permite que aquele aluno continue sempre a evoluir até ao máximo das suas capacidades. E, de facto, o défice cognitivo ligeiro pode implicar uma boa funcionalidade a vários níveis, que deverá ser utilizada pelas escolas de forma a dotar os alunos de competências que os prepararem para, mais tarde, poderem integrar a vida activa de forma autónoma e serem cidadãos produtivos e perfeitamente integrados. As diferenças entre um aluno com défice mental ligeiro e um outro sem esta patologia serão, na prática, muito menos do que as semelhanças. Perceber isto implica organizar o ensino de forma diferenciada, mas diferenciada de forma a realçar as semelhanças, e nunca as diferenças!... 

Cristina Sena Neves (Psicóloga)