Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - A multideficiência no contexto educativo

Da minha pequena experiência enquanto docente de Educação Especial, posso desde já concluir que o sistema educativo não inclui em plenitude crianças com Necessidades Educativas Especiais, começando pela legislação em vigor, passando pelas escolas, profissionais educativos e comunidade em geral.

No que concerne a legislação, podemos considerar que abrange todos os aspectos essenciais às boas práticas educativas e inclusivas mas, na realidade, é demasiadamente ambígua, dando espaço a possíveis adaptações e interpretações. Para além disso, constitui mais uma prova de que quem redige as leis não conhece a realidade das escolas. Com o Decreto-lei n.º 3/2008, de 7 de Janeiro, pretendia-se uma actualização da lei, que contemplasse as novas necessidades dos alunos, dos pais/encarregados de educação e das escolas, promovendo a inclusão. Surgem novos conceitos como a "Unidade de Ensino Estruturado" e "Unidade de Apoio a Alunos com Multideficiência e Surdocegueira". Algumas escolas aderiram a estes novos conceitos e, com isso, receberam verbas que permitiram equipar salas e torná-las o mais eficientes possível de forma a receber e atender alunos que, anteriormente estariam inseridos em centros criados com esse único objectivo. Ao precipitarmo-nos sobre esta ideia da criação de Unidades, deparamo-nos com imensas situações que, embora legisladas, não são cumpridas, como por exemplo, a inexistência de uma equipa de técnicos especializados (Psicólogos, Terapeutas da Fala, Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas e Assistentes Sociais); a falta de resposta a estes jovens quando ultrapassam a idade permitida para frequência da escola; entre outras.

Quanto às escolas, embora surjam novos modelos de edifícios escolares, a maioria ainda não possui adequações estruturais de forma a permitir o acesso a alunos com Necessidades Educativas Especiais, bem como os equipamentos necessários ao seu bem-estar e participação activa no contexto escolar. Para além disso, o atendimento a estes alunos Especiais, requer profissionais informados e sensíveis às suas problemáticas e necessidades, o que nem sempre se verifica, por razões várias.

Relativamente aos pais/encarregados de educação, estes constituem um elemento fundamental para a inclusão e desenvolvimento global dos alunos, devendo, para isso, acompanhar, colaborar, partilhar e complementar todo o processo educativo dos seus educandos.

Em suma, Portugal ainda não está totalmente preparado para a "inclusão", basta observar as inúmeras barreiras estruturais e culturais que ainda subsistem. Estamos longe do ideal, mas espero sinceramente, que continuemos todos a lutar para que melhores condições sejam criadas e para que mentalidades e culturas sejam "renovadas".

Andreia Moreira (Docente de Educação Especial)