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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

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Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - Hiperactividade

Reflexão sobre a hiperactividade

A hiperactividade é uma perturbação do desenvolvimento, de origem neurológica, que provoca falta de atenção e incapacidade em controlar determinadas atitudes. Muitas pessoas confundem esse distúrbio com má educação, daí ser imprescindível conhecer os sintomas associados.

Geralmente, os sintomas inerentes à hiperactividade são diagnosticados antes dos sete anos de idade e devem ocorrer num período de tempo superior a seis meses em pelo menos dois ambientes (por exemplo, em casa e na escola). As crianças hiperactivas caracterizam-se por serem inquietas, impulsivas e distraídas. Têm problemas de relacionamento com os pares e desafiam constantemente a autoridade. Além disso, têm dificuldades em manter a atenção numa determinada actividade, o que os impossibilita de levar a cabo tarefas lúdicas ou escolares. Frequentemente, distraem-se com estímulos exteriores e intrometem-se em conversas ou brincadeiras dos outros. Na sala de aula, respondem de forma inapropriada, mostrando impaciência e precipitação e evitam envolver-se em actividades que exijam esforço mental constante e concentração. Podem ainda, agitar os pés ou as mãos, remexer a cadeira e levantar-se sem a devida autorização do professor.

O docente que lida com crianças hiperactivas assume um papel preponderante e pode recorrer a algumas estratégias na sala de aula, nomeadamente:

  • Estabelecer regras de conduta simples e consequências claras do seu incumprimento
  • Evitar uma linguagem agressiva
  • Sentar o aluno perto de si, de preferência longe das janelas e, se possível, rodeá-lo por colegas atentos
  • Apresentar a lição de forma geral antes de entrar nos detalhes da matéria
  • Usar exemplos concretos antes de ir para o abstracto e tentar relacionar os novos saberes com a vivência do aluno
  • Dividir as tarefas longas e complexas em várias pequenas tarefas
  • Verificar a compreensão das instruções orais e se possível, complementá-las com um suporte escrito
  • Conceder mais tempo para a realização de tarefas. Nos testes ou fichas de trabalho, as perguntas devem ser curtas e concisas e a leitura das mesmas deve ser feita previamente
  • Repreender o aluno quando necessário de forma breve, clara e privada sempre que possível
  • Usar o reforço positivo de forma sistemática e contínua para enaltecer os bons desempenhos a nível comportamental ou académico.

A hiperactividade tem uma incidência de cerca de 3 a 5% nas crianças em idade escolar e afecta mais os rapazes do que as raparigas, daí ser fundamental estabelecer um diagnóstico rigoroso o mais precocemente possível. Desse modo, será possível, por um lado, delinear estratégias adequadas a cada caso e ajudar a criança a lidar com os problemas e, por outro, possibilitar a contextualização das dificuldades e a correcção de atitudes daqueles que interagem com ela.

Mélanie Gomes (professora)