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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - Autismo (...)

Reflexão Autismo

 

Segundo o DSM-IV, as Perturbações Globais Desenvolvimento são muito abrangentes, englobando a Perturbação Autistica (Autismo de Kanner), a Síndrome de Asperger, a Perturbação de Rett, a Perturbação desintegrativa na 2ª infância e a Perturbação global de desenvolvimento sem outra especificação. As dificuldades essenciais do Autismo e da Síndrome de Asperger são as mesmas. De natureza fundamentalmente social, caracterizam-se como uma “Tríade de Lorna Wing”, com três áreas de dificuldades associadas: dificuldade na interacção social, restrição da comunicação social, limitação da imaginação social, do pensamento flexível e do jogo simbólico. No entanto, a síndrome de Asperger implica uma manifestação mais subtil das dificuldades, não obstante de patentear traços peculiares que lhe conferem um “rótulo” próprio.

Em geral, a criança com PEA demonstra uma incapacidade inata de criar relações com os pares, dai resultando uma ausência de reciprocidade social ou emocional, evidenciada na dificuldade em «pensar o que o outro pensa» e no défice na partilha e na expressão de emoções. Manifestam igualmente dificuldade em utilizar e compreender gestos sociais, bem como dificuldades no contacto ocular, não o utilizando para comunicar.

Relativamente a linguagem, podem ter efectivamente uma linguagem aparentemente perfeita, embora com tendência a ser formal e sem expressão, mas também podem apresentar perturbações por vezes acentuadas, recorrendo muitas das vezes à ecolalia.

Quanto ao pensamento, verifica-se uma grande rigidez do mesmo, dificultando a criatividade/imaginação, na categorização e generalização e, consequentemente, a abstracção. Esta inflexibilidade traduz-se ainda na dificuldade em organizar e antecipar tarefas/acontecimentos, levando-o a uma fixação por rotinas e actividades repetitivas e estereotipadas.

No que diz respeito aos interesses mostram uma preocupação com partes dos objectos (não o visualizando como um todo) ou com as suas características sensoriais, explorando-os pormenorizadamente.

As crianças com PEA apresentam geralmente uma fraca coordenação motora, com maneirismos e estereotipias (bicos de pés, balançar do corpo, abanar as mãos, posturas bizarras).

As PEA são, tal como refere Nora Cavaco (2009:127)“ (…) uma condição, um estado que prossegue a criança até à adolescência e idade adulta, prolongando-se ao longo da sua vida. No entanto as crianças com ASD continuarão a demonstrar progressos a nível desenvolvimental, o que vem evidenciar que muito se pode fazer para ajudar estas crianças a crescer de uma forma mais harmoniosa e positiva.” Para tal, é fundamental o apoio de uma equipa multidisciplinar orientada para a estimulação global estruturada, onde se promova uma intervenção individualizada assente na articulação gabinete/domicilio/escola, sendo de salientar que o envolvimento dos pais é um factor crucial. Neste plano de intervenção é fundamental proceder-se à adaptação do ensino, criando-se condições específicas para a aprendizagem. É neste contexto que surge o Modelo Teach, do qual se destaca o ensino estruturado, que defende um ambiente organizado e previsível (organização do espaço e dos materiais e horários), o trabalhar dos conceitos e instruções através de pistas visuais e a construção de Histórias Sociais, que visam a promoção do processo de socialização/treino de competências sociais, a compreensão social, ajudam a antecipar acontecimentos futuros e/ou a desenvolver “memórias autobiográficas.

Em suma, é importante que todos nós lutemos por estas crianças que, muitas vezes, não são de diagnóstico perceptível para todos, não apresentarem na grande maioria características físicas que os distingam dos demais, sofrem tanto como qualquer outra criança com NEE, necessitando do nosso apoio na mesma medida.

 

Bárbara Silva (Educadora de Infância)