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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - A inclusão de alunos com Nee

Inclusão

Bem, estamos perante um dos temas mais delicados da nossa sociedade. Diariamente deparamo-nos com uma sociedade hipócrita, que finge ser solidária e finge aceitar as crianças com necessidades educativas especiais mas que na realidade não o faz.

Todos “têm pena” do menino com trissomia 21 (por exemplo) que é filho do vizinho, mas depois, quando adulto já ninguém “acha piada” ao mesmo “menino”… Será que ele não tem os mesmos direitos que nós?

Quem quer um menino na sala de aula do filho que precisa de atenção “extra” e que só “atrapalha” e “atrasa” o decorrer da aula? Regra geral: ninguém! Mas não pensam que essa situação, um dia pode bater-lhes á porta.

Onde estamos a errar? O que poderemos fazer para inverter essa situação?

Acho que temos que ter a noção de que sozinhos não podemos mudar o mundo mas juntos conseguimos fazer dele um lugar melhor!

Ninguém escolhe ter um filho com necessidades educativas especiais!

As crianças com NEE são especiais, não só para o mau, mas para o bom também, pois aprendemos com elas coisas que mais ninguém nos ensina!

Eu não escolhi ter uma filha “especial”, mas hoje em dia sinto que ela também está rodeada de pessoas especiais!

 

Com o nosso empenho e dedicação, sem querer, tornamo-nos especiais também.

Para o ME seria muito fácil mudar leis de um momento para o outro, mas não iria servir de nada sem antes mudar as mentalidades.

A minha experiência pessoal, diz-me que é muito difícil, não impossível, mudar as mentalidades de um momento para o outro, enquanto nós, por vezes, vemos a exclusão mesmo dentro das próprias famílias.

Infelizmente penso que esta luta poderá ser inglória, pois só quem passa pelas situações sabe dar o devido valor às situações e experiências vividas.

Para combater a exclusão social destas crianças temos que dar voz aos pais! Pois eles sim sabem do que estão a falar e sabem transmitir a mensagem de uma forma pessoal o que sempre toca mais de perto a sensibilidade das pessoas.

Temos que tentar “abrir os olhos” á sociedade na qual nos encontramos inseridos de forma a aceitar que todos somos iguais, cada um á sua maneira.

Eu, como pessoa, cidadã e principalmente como mãe, criei um grupo na rede social “facebook” chamado “A minha filha tem uma doença rara… E ainda não sei qual é!” (a minha situação actual) para tentar encontrar pais, familiares e amigos de pessoas com doenças raras e partilhar experiências, histórias de vida e situações que possam ser úteis a todos aqueles que nos encontramos em situações semelhantes.

Também faço parte da associação “Pais em Rede” e estou em fase de criação de um núcleo na minha terra.

Este é o grãozinho de areia que eu estou a aportar á sociedade em que vivemos. Espero servir de ajuda e que a nossa sociedade seja mais consciente da realidade, tolere e aceite que, tal como referi anteriormente, todos somos iguais, de maneira diferente.

Ana Costa