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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - A inclusão de alunos com Nee

Actualmente trabalho numa escola de 2º e 3º ciclo, numa Unidade de Apoio a alunos com multideficiência criada no ano passado. Foi, de facto um ano impar na minha carreira, visto que tive a oportunidade, em conjunto com uma colega, de montar a sala.

Pedimos o apoio de uma entidade local, que nos ofereceu sem contrapartidas tecnologias de apoio à comunicação aumentativa e alternativa e material terapêutico no valor de 5000 euros. Com a verba destinada a estas unidades comprámos material didáctico adequado às necessidades dos nossos alunos.

A unidade conta com quatro alunos com problemáticas distintas. Todos eles encontram-se matriculados em turmas de 6º ano e todos eles, sem excepção frequentam algumas disciplinas com o seu grupo/turma, têm oficinas com grupos mais reduzidos e contam igualmente com algumas terapias que são realizadas dentro do espaço escolar, à excepção da hidroterapia.

Todos são vistos como colegas, actualmente nenhum é observado pelo canto do olho por outro colega. Importa referir que estes meninos (à excepção de uma aluna) transitaram de uma unidade de 1º ciclo (do mesmo agrupamento), logo os restantes colegas já estavam habituados a conviver com eles.

É de salientar que a unidade não é um cantinho que se encontra escondido dentro da escola. Pelo contrário, é um espaço onde se ministra apoio e conta com a presença muito regular de alunos da escola.

Os alunos fazem tudo o que é suposto fazer numa escola. Para além das aulas e oficinas que frequentam, onde participam dentro das suas capacidades, vão ao recreio, à biblioteca, almoçam no refeitório, vão ao bar, tal como os outros.

Claro que considero que existe um longo caminho a percorrer, não há cenários perfeitos, no entanto cabe e em muito aos professores de educação especial ressalvar a toda a comunidade educativa que estes alunos são alunos da escola, da turma, não são alunos da unidade. A unidade é “apenas” mais um recurso que a escola oferece a alunos que têm outro tipo de necessidades e é aqui que centro o meu discurso: As escolas, os professores na sua maioria incluindo alguns de educação especial ainda não estão preparados para esta realidade. De facto é mais fácil pensar que estes alunos são da unidade e que de vez em quando aparecem na turma. Cabe-nos a nós mudar esta mentalidade, e é o que faço diariamente pensando neles como “simplesmente” alunos como todos os outros.

Professora de Educação Especial Fátima Santos