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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - Autismo

A comunicação no Autismo (intervenção)

O autismo apresenta diversas áreas de limitação da funcionalidade, com particular enfoque na relação e na comunicação, mas também com incidência de compromisso cognitivo (entre outras). Sendo a área da comunicação prioritária na estruturação de um plano de intervenção com uma criança autista, enveredou-se por abordar esse tema no comentário solicitado. Apresenta-se, seguidamente, uma proposta muito sucinta de intervenção ao nível do desenvolvimento da comunicação com as crianças autistas.

- Usar linguagem ao nível da idade linguística da criança e não da idade cronológica - para determinar a idade linguística é necessário aplicar testes de avaliação da linguagem expressiva e receptiva, por exemplo com o Teste de Avaliação dos 3P;

- Complementar a linguagem verbal com gestos, recorrendo mesmo a objectos para exemplificar referentes linguísticos, mas também se pode apenas apontar, ou dar grande ênfase ao gesto;

- Aplicar tabelas de comunicação (ou pecs):

- com fotos de objectos da própria criança e também imagens suas (tabelas bidimensionais),

- com objectos reais ou de frutos em plástico (por exemplo) colados em cartões (tabelas tridimensionais), no caso de se verificar compromisso cognitivo moderada a profunda;

- com imagens das rotinas (tabelas de comunicação ao serviço da comunicação expressiva), com fotos da criança em algumas rotinas da sala de aula ou familiares, de forma a permitir a antecipação dos momentos, dessa forma forma a criança poderá ajustar-se a aos procedimentos de transição de rotinas.

- Articular as tabelas com Língua Gestual Portuguesa, apesar das reservas de muitos técnicos, que consideram que, havendo acentuado compromisso cognitivo, se deve implementar apenas as tabelas.

 

Implementação das tabelas de comunicação:

1º passo: Expor a criança à comunicação das tabelas, para que apreenda o valor de equivalência entre a rotina e a representação bidimensional ou tridimensional;

2º passo: Implementar a 1ª fase até que a criança, espontaneamente, tome a iniciativa de solicitar algo recorrendo à tabela, levando o adulto até ela, tocando-a, fixando o olhar ou vocalizando sons ao aproximar-se.

3º passo: Utilizar a tabela para proporcionar à criança a escolha de algo, por exemplo, a escolha de alimentos.

- Ser regular e persistente na utilização das tabelas de comunicação;

- Aplicar procedimentos e imagens a todas rotinas, familiares, escolares,…

- Elogiar de forma regular o contacto ocular num acto comunicativo;

- Cumprir uma pausa de espera de uma reacção ou resposta (no 3º passo, por exemplo).

Carla Ferreira


 

           

 

 

 

http://www.universoautista.com.br/autismo/modules/works/item.php?id=20

http://www.centroaba.com/pt/index.php?option=com_content&view=article&id=59&Itemid=66

http://www.scribd.com/doc/22763781/Perturbacao-da-relacao-e-comunicacao-Modelo-DIR

Siegel, Bryna, O Mundo da Criança Autista – Compreender e tratar perturbações do espectro do autismo,Colecção Referência,  Porto Editora, 2008