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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação Individual da Acção - Autismo

Trabalhar numa escola de ensino regular, em particular dos Serviços Especializados de Apoio Educativo, permite ir contactando com uma infinidade de patologias e necessidades educativas. Entre elas, o autismo e suas variantes mais ligeiras (a síndrome de Asperger) apresentam-se como um desafio e uma experiência extremamente enriquecedora. Um desafio, porque ajudar uma criança ou jovem a ultrapassar as limitações que a sua condição autista impõe requer muito tempo, persistência e conhecimento. Mas um desafio que é, ao mesmo tempo, muito aliciante e compensador pois estas crianças são muito ricas em ensinamentos – ajudam-nos a relativizar, a saber dar tempo ao tempo e a esperar, a valorizar diferentes formas de comunicação e a congratularmo-nos com os pequenos êxitos! E essa aprendizagem é extensível aos próprios colegas, que conseguem ir descobrindo formas alternativas de interagir e provocar comunicação…

Cristina Sena Neves (Psicóloga)

 

Avaliação Individual da Acção - X - Frágil

Trabalhando em contexto escolar, interessam-me particularmente conhecer as características das pessoas com síndrome do x-frágil, e perceber de que forma podem afectar a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal. Sendo uma patologia com um amplo espectro clínico, as manifestações da síndrome de x-frágil podem variar desde o défice cognitivo grave até à inexistência de debilidade mental! A síndrome pode ainda estar associada a défices das funções executivas, com implicações ao nível da capacidade de atenção, linguagem, aparecimento de problemas comportamentais e/ou dificuldades de aprendizagem. O atraso do início da fala é comum, e as dificuldades de linguagem incluem geralmente dificuldades no processamento auditivo e na compreensão. Podem surgir movimentos estereotipados, auto-mutilação, contacto visual escasso e errático, interacção social pobre e aversão ao contacto físico, ecolálias, e em casos mais extremos o desenvolvimento da linguagem sem fins comunicativos. A hiperactividade é também uma queixa frequente, sobretudo nos rapazes vítimas desta síndrome, a par com a agressividade e instabilidade emocional. Dificuldades ao nível da coordenação motora também requerem, em geral, uma intervenção especializada.

Ensinar estas crianças requer pois um conhecimento das suas características e especificidades e a compreensão de que não são todas iguais, e de que a síndrome se pode revelar de várias formas!

O ensino tem, necessariamente, de ser organizado de forma a potenciar as competências de aprendizagem o que passa pela estruturação das actividades e pela promoção de um clima de trabalho tranquilo, pois seguir uma rotina diminui a ansiedade e traz segurança. Mas a criança pode e deve ir participando nos acontecimentos diários da escola, em interacção com os seus colegas.


As regras de conduta devem ser claras e simples, e as actividades propostas devem ser contextualizadas de forma funcional, pois só assim adquirem significado.

Finalmente, é preciso ter em conta que as aprendizagens devem ser iniciadas o mais precocemente possível, pois a experiência mostra que as capacidades de aprendizagem, apesar de diminuírem com a idade, não desaparecem se ocorrerem durante a infância.

Cristina Sena Neves (Psicóloga)

 

Avaliação Individual da Acção - Deficiência Mental

“ (...) é um grave erro considerar que todos os tipos e graus de deficiência mental formam o mesmo grupo homogéneo... pois pessoas com deficiência mental leve têm mais em comum com os normais do que com os deficientes mentais severos.” (Rosana Glat)

 

Ao longo da história das patologias, verificamos que a diferença foi sempre olhada com alguma desconfiança e injustiça, muito resultado do desconhecimento e ignorância perante situações que fogem a uma norma pré-definida; a comparação com uma maioria considerada “normal” cria muitas vezes, ainda hoje,  situações de desvantagem que são mais o resultado de ideias pré-concebidas do que o resultado de uma avaliação da situação específica em causa. 

A Deficiência Mental Ligeira é um bom exemplo de uma patologia que pode assumir várias formas; mas é sempre uma condição mental relativa - relativa em relação a uma determinada cultura ou grupo, dado que o seu diagnóstico pressupõe a atribuição social de morbilidade a uma limitação funcional. Em contexto escolar, a avaliação da funcionalidade e limitações de um aluno pode fazer a diferença entre um desenvolvimento pessoal harmonioso ou o insucesso e abandono escolar; perceber que não interessa conhecer o diagnóstico mas sim a PESSOA, as suas potencialidades e pontos fortes, é uma forma diferente de avaliar, talvez a única que permite que aquele aluno continue sempre a evoluir até ao máximo das suas capacidades. E, de facto, o défice cognitivo ligeiro pode implicar uma boa funcionalidade a vários níveis, que deverá ser utilizada pelas escolas de forma a dotar os alunos de competências que os prepararem para, mais tarde, poderem integrar a vida activa de forma autónoma e serem cidadãos produtivos e perfeitamente integrados. As diferenças entre um aluno com défice mental ligeiro e um outro sem esta patologia serão, na prática, muito menos do que as semelhanças. Perceber isto implica organizar o ensino de forma diferenciada, mas diferenciada de forma a realçar as semelhanças, e nunca as diferenças!... 

Cristina Sena Neves (Psicóloga)

Avaliação Individual da Acção - Autismo

As necessidades educativas das pessoas com autismo devem ser determinadas individualmente.

Os níveis funcionais destas pessoas mostram tremendas variações. É, contudo, quase sempre possível melhorar o seu nível de vida, mesmo na idade adulta, através da aplicação de programas educacionais bem seleccionados e estruturados.

A compreensão básica da linguagem verbal pode variar desde a não existência até um domínio perfeito mas a comunicação verbal é quase sempre estranha e muitas vezes não acompanha a expressão não verbal, a expressão verbal dos outros é muitas vezes mal interpretada.

Embora o autismo não seja uma doença, aparece associado a algumas doenças, como é exemplo algumas manifestações de epilepsia

Em termos de educação, a ênfase devia ser posta em ajudar crianças autistas a aprender meios de comunicar e formas de estruturar o seu meio, de modo a que este seja consistente e previsível. O professor pode ajudar facultando calendários e tabelas, assim como fotos ou imagens de actividades ou eventos, antes de estes ocorrerem.

O ensino eficaz implica que seja prestada atenção a planos de comportamento, ao controlo positivo do comportamento, bem como a expectativas claras e a regras. O aluno autista necessita de saber quais as expectativas que o professor tem e quais as consequências que daí advêm.

 

Joaquina Jacinto (Professora)

Avaliação Individual da Acção - Autismo

O B. é um jovem de 15 anos que apresenta uma perturbação do espectro do autismo. Frequenta a escola onde tem tido um desempenho positivo, revelando boas capacidades ao nível do cálculo mental. Todavia, apresenta grandes limitações ao nível da autonomia pessoal e social em parte resultante do “isolamento” familiar. Esta situação é difícil de ultrapassar na medida em que não se pode de um dia para o outro alterar atitudes e comportamentos o que leva à questão essencial de se trabalhar com as famílias das crianças com necessidades especiais o mais precocemente possível, orientando-as, esclarecendo-as, apoiando-as. No caso concreto também vem ao de cima a insuficiente rede de apoio social na comunidade junto da família, havendo ainda um longo caminho a percorrer. Daí que seja urgente desenvolver formas de acompanhamento efectivas junto da família na comunidade, ideia esta que deverá estar presente em todos os intervenientes: técnicos de saúde, autarquia, escola, associações e outros.

 

Autoria: Anabela Leite (Professora)

Data: Abril de 2008