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Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Centro Recursos e Formação - Associação Portuguesa de Investigação Educacional

Sempre no sentido do esclarecimento, da partilha e da formação.

Avaliação da acção - Formação Pessoal e Transição para a Vida Activa

“As escolas deveriam munir-se de recursos que permitissem uma formação sustentada a todos os alunos incluindo aqueles que têm nee.”

(Francisco F. Lemos 1999)

 

Considero que estamos longe do “cenário” descrito na afirmação de Francisco Lemos. De facto, o sistema educativo deveria englobar todo o tipo de ensino e dotar as escolas com os equipamentos necessários a uma formação eficiente e efectiva de todos os alunos, nomeadamente os que têm NEE. Não basta chegar ao 7º ano de escolaridade ou equivalente e elaborar-se um PIT (Plano Individual de Transição), focando parcerias, objectivos, etc, quando na prática após conclusão do 9º ano ou equivalente os alunos não estão preparados para enfrentar um mercado de trabalho, sendo muitas vezes encaminhados para um CEF, que pouco ou nada tem a ver com os conteúdos que foram trabalhados até então. Não basta recorrermos à papelaria da escola, a cantina, ao bar. É bonito vermos os alunos integrados na estrutura escolar, mas é isso que vão fazer no futuro? Ou apenas estamos a dar resposta à legislação que obriga a pensar e concretizar uma saída pós-escola?

Admito que seja ainda um processo muito complicado, principalmente porque a escola ainda incide mais a sua acção nos alunos que seguem a vertente escolar normal e prosseguem estudos para o ensino superior, ou para uma formação profissional. Mais uma vez os alunos com NEE, sendo a excepção, são aqueles que mais sofrem. No entanto, ao ritmo que as referenciações são feitas para incluir cada vez mais alunos no Dec-Lei nº3/2008 (Educação Especial), qualquer dia a minoria irão ser justamente os que hoje são considerados normais, e talvez nesse dia tenhamos as respostas que hoje já se impõem.

 

Fátima Santos



Avaliação da acção - Hiperactividade

Hiperactividade - Em casa e na escola

Para que os comportamentos impulsivos possam ser associados à hiperactividade é preciso que se manifestem nos vários meios em que a criança se move – em casa e na escola.
Assim, a uma criança que se mostre demasiado irrequieta, distraída e faladora nas aulas, mas que consiga relacionar-se normalmente em casa e noutras situações, não se pode diagnosticar uma perturbação por défice de atenção e hiperactividade.
Além da própria criança, pais e professores são os mais afectados e, a prazo, a própria sociedade. Para os pequenos “pestinhas”, o maior impacto da hiperactividade é o facto de, frequentemente, serem rejeitados pelos colegas. Associadas às dificuldades escolares, as de relacionamento social podem ter consequências graves, havendo estudos que mostram uma elevada incidência de acidentes com este grupo de crianças.
Os comportamentos anti-sociais podem, com a idade, levá-las a abusar de drogas ou a desenvolver manifestações de agressividade e violência. Para a família, a hiperactividade caminha a par da impotência, do desânimo.
Os pais sentem-se perdidos, sem saber o que fazer. Nada resulta e os métodos habituais de disciplina, como a argumentação, a repreensão ou mesmo os castigos, não surtem efeito.
A frustração empurra-os muitas vezes para métodos mais desesperados, mas gritar ou bater também não adiantam. No final, para os pais sobra um sentimento de culpa desnecessário, mas real.
Pais informados lidam melhor com a situação. Porque há técnicas a que os pais podem recorrer para modificar o comportamento destas crianças. A do intervalo – dizem os especialistas – tem o efeito de acalmar a criança quando ela está fora de controlo, incapaz de obedecer.
Sentá-la num local sossegado e deixá-la sozinha durante alguns instantes costuma ser benéfico. Do mesmo modo, é importante que os pais valorizem os comportamentos positivos, elogiando-os.
Hiperactividade - Em casa e na escola.

É aquilo a que os especialistas chamam de reforço das condutas positivas. O sistema de recompensas e castigos, segundo o qual se encorajam os comportamentos correctos e desencorajam os incorrectos, recompensando ou castigando a criança em conformidade com o resultado obtido, também costuma resultar.
A escola também pode ajudar. Perante uma criança hiperactiva, o professor pode incentivá-la a adaptar-se às regras de conduta da sala, adoptando pequenas estratégias que a centram na tarefa de aprender.
Sentá-la mais perto do quadro, afastando-a de focos de dispersão da atenção, é uma delas. Dar-lhe mais algum tempo para fazer os testes, incutindo-lhes o sentimento de que tem mais uma oportunidade para mostrar o que sabe, é um desses pequenos truques.
É claro que quando a intervenção de pais e professores não parece dar frutos, há sempre o auxílio profissional, de um pedopsiquiatra ou de um psicólogo clínico. Terapia comportamental e medicamentosa pode ser a solução e, ao contrário do que poderia pensar-se, são os estimulantes, não os calmantes, os mais indicados.
O que pais e professores não devem é perder tempo a procurar as causas, mas sim direccionar energias para medidas que minimizem o impacto desta desordem na vida das crianças.


Ana Costa (Aux. Acção Educativa)